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13/8/2006 09:23:00
TV paga pelo telefone

Diretor de conteúdo da Telemar, Alberto Blanco antecipa a revolução que acontecerá com o ingresso da operadora no setor, oferecendo TV por assinatura pela rede de telefonia: "Será como a chegada da televisão em cores"

Marco Aurélio Reis


Rio - TV por assinatura pelo fio do telefone como opção onde hoje o serviço é oferecido só por cabo e mesmo nas localidades em que não chega. Esse é o novo produto que a Telemar começa a testar este ano para oferecer ao consumidor do estado do Rio já no primeiro semestre de 2007. "Acabou aquela história de a tecnologia demorar a chegar ao Brasil", diz Alberto Blanco, diretor da área de conteúdo da Telemar.

Para se ter uma idéia, como num DVD será possível a partir de um simples clique do controle remoto "voltar" a cena da novela ou lance do jogo de futebol que estão sendo transmitidos ao vivo. "Será como a chegada da TV em cores", compara, destacando que o consumidor só terá a ganhar com a vinda de mais uma empresa no segmento em que a oferta é bastante restrita. "Com mais concorrência, certamente os preços vão cair", antecipa.

O que muda com a presença da Telemar no ramo de TV por assinatura?

O consumidor vai ter alternativas de escolha. Em localidades onde o serviço não está disponível, ele será oferecido porque vamos usar nossa rede (de telefonia).

Por que onde hoje não há oferta de TV por assinatura acabará tendo com o ingresso da Telemar?

As TVs a cabo não têm as obrigações que nós (da telefonia) temos com a universalização. Somos obrigados a oferecer o serviço para toda a população. O que a gente vai é aproveitar essa estrutura, que está presente em toda a população, para oferecer o novo serviço. Se for feita uma análise econômica, para a TV a cabo pode ser que não valha a pena puxar um cabo até uma localidade mais distante. Já a nossa TV pode chegar sem problemas.

Como o sinal desse tipo de TV chega?

Vai chegar pela tomadinha do telefone. É preciso ter apenas linha de banda larga (permite falar ao telefone e usar a Internet).

Por que as atuais empresas de TV por assinatura têm se queixado do ingresso da Telemar nesse setor?

Hoje não se tem muitas alternativas de televisão por assinatura. Há um único fornecedor a cabo, um único por satélite. A gente vai trazer essa concorrência, oferecer mais opções para o consumidor. E sempre que o mercado se sacode há resistências naturais.

Em outros países também ocorre essa resistência, não é isso?

O que é bacana nessa comparação é notar que estamos no mesmo patamar do que está acontecendo no mundo inteiro. Antigamente a gente via no Brasil as tecnologias acontecendo nos outros países e chegando aqui depois de dois, três, quatro anos. Neste momento, estamos acompanhando a tendência de todas as operadoras mundiais. Acabou aquela história de a tecnologia demorar a chegar ao Brasil. A consolidação da presença das telefônicas nesse serviço não aconteceu, por isso existe a mesma polêmica daqui no mundo inteiro. Tudo por causa da competição.

Além da abrangência, quais as outras diferenças entre o serviço hoje existente e o que será oferecido pela Telemar?

A maior qualidade, a rapidez para troca de canais, a possibilidade de interatividade maior com a televisão, podendo mandar e enviar mensagens. Para se ter uma idéia, como num DVD será possível "voltar" para ver um lance do jogo de futebol que está sendo transmitido ao vivo. É a mesma evolução que tivemos da TV em preto e branco para a TV colorida. A relação é a mesma entre a TV a cabo e a IPTV (televisão via Internet, pelo telefone).

A TV fica parecida com o computador?

Não. Na hora em se escolhe o canal que vai assistir, fica igual a TV normal, só que mais interativa. Vai ter, por exemplo, a opção picture-in-picture, que é ter dois canais exibidos simultaneamente na tela. Não será mais preciso ter esse recurso na televisão. Ele estará disponível no sinal, com dois, três ou mais canais exibidos ao mesmo tempo.

E qual conteúdo será oferecido para essa escolha?

Será o que está disponível hoje. A gente não pretende produzir novos conteúdos. Esse não é o nosso negócio. Vamos falar com vários provedores de conteúdos. Acontece que, no nosso caso, não há limitação de canais, como ocorre atualmente.

O que essa oferta maior de canais vai mudar no nosso jeito de ver TV?

Eu vi uma aplicação no campeonato de beisebol dos Estados Unidos, onde acontecem 70 a 80 jogos simultâneos. Nela, o cliente pode, na metade da tela, ver um jogo, na outra, três. Entre esses três, pode ficar trocando para saber o placar de cada um. É transmitir de maneira mais rica. É evolução. Quando o cliente passar a assistir IPTV não vai querer voltar para trás.

E como ficará o preço desse novo serviço?

A gente vai aquecer esse mercado, que está estagnado nos 4 milhões de assinantes. Esse mercado tem potencial para dobrar de tamanho ou até mais. Espero que TV paga fique acessível a todos e mais barata, deixando de ser uma oferta para classe A, para a Zona Sul.

Isso pode mexer com a pirataria nesse setor?

A gente espera que venha a minimizar. Entendo que, se existe a pirataria, é porque o consumidor não tem condições de adquirir o serviço. A grande maioria das pessoas faz pirataria porque não tem condições de ter o serviço, porque é muito caro.

A presença de mais um concorrente vai baixar esse preço?

Com mais concorrência, certamente os preços vão acabar caindo.

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