O Mário Vilela foi buscar fundo, veja o que nos enviou abaixo.
Olha que neste o carnaval começou para o agricultor, mas lembre que ele é só o inicio da cadeia tem o transportador, o distribuidor, etc.... Quem vai pagar a sobrevivência dos agricultores?
Consultando o Acervo da Folha de São Paulo, desde 1921 a "crise da água" ocupou 30.193 páginas de cobertura. Um bom manancial para se pescarem lições aprendidas, ou não.
 
Governo corta água de agricultores sem licença no leste da Grande SP 
MONIQUE OLIVEIRA
LUIZ CARLOS MURAUSKAS
DE SÃO PAULO 
FSP> Cotidiano> Crise da Água. Ed. de 13/02/2015 02h00
Ouvir o texto
 
 
Com o agravamento da crise hídrica, uma rotina de décadas foi quebrada na região do Alto Tietê, no leste da Grande São Paulo. 
Produtores de verduras e legumes, muitos deles que abastecem os supermercados da capital, foram proibidos pelo governo do Estado de continuar coletando água de rios sem uma autorização. 
Em Mogi das Cruzes e Salesópolis, as notificações sobre a proibição já começaram, e dezenas de produtores interromperam a produção com medo da multa que pode chegar a R$ 20 mil por cada bomba de captação. 
Segundo eles, a fiscalização está pesada –em um dos sítios, os fiscais do governo do Estado passaram três vezes na mesma semana. 
  Luiz Carlos Murauskas/Folhapress  
Sérgio Rodrigues, um dos agricultores afetados pela decisão do governo paulista que proibiu a retirada sem autorização de água do sistema Alto Tietê
Sérgio Rodrigues foi proibido de retirar sem autorização água do sistema Alto Tietê
A medida foi anunciada no mês passado para as plantações localizadas próximas a bacias hidrográficas que abastecem os municípios e estão em nível crítico –o Alto Tietê opera atualmente perto de 13% de sua capacidade, o que já inclui uma cota do volume morto do sistema. 
Segundo o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica de SP), a medida se restringe a quem não tem outorga para o uso da água. 
"Só uns 2% têm essa outorga. Ela nunca foi pedida", diz Mário Tanaka, 45, produtor, que está há 30 anos na região. "Nunca teve auxílio, nem planejamento hídrico aqui." 
Sérgio Rodrigues de Souza, 35, foi um dos notificados e está parado. Só parte da lavoura está sendo cultivada, e por captação da água da chuva. A outra parte, irrigada por um braço do Alto Tietê, já está começando a virar capim. 
Sérgio Rodrigues diz que não usa água diretamente do Alto Tietê, mas relata ter uma lagoa localizada a menos de 200 metros do rio –outro critério para a proibição do uso da água, segundo o Daee. 
Poços também não podem ser construídos nessa distância, informa o órgão. 
OUTRAS PROIBIÇÕES 
Outros produtores estão em uma situação intermediária. Possuem o ato declaratório, uma espécie de "pré-outorga", mas, assim mesmo, estão impedidos de usar a água do manancial. 
É a situação de Otávio Harano, 45, um dos notificados. Ele conta que chegou a protocolar o pedido de outorga em julho de 2014 e está proibido de captar água. 
Harano diz que tem deixado de produzir 4.000 kg de verduras por dia. "Tenho compromissos financeiros e posso perder clientes." 
O Daee informa que não emite novas outorgas desde junho de 2014. "Mas por que, então, gastei quase R$ 5.000 para protocolar a outorga?" 
Em Salesópolis, o produtor Cesar Antonio Ardachnikoff, 56, nem foi notificado, mas já parou de usar água do rio. "Não sei o que fazer nem estou dormindo à noite", relata ele, que, assim como outros, promete recorrer à Justiça. 
O órgão do governo estadual afirma que vai abrir um escritório na região para orientar agricultores sobre outras alternativas para a irrigação das plantações, como a construção de poços e técnicas para utilizar água de reúso, por exemplo. 
"Tudo isso tem um custo. Eles proíbem primeiro para depois orientar?", questiona o produtor Tanaka.  
 
 
 
 




De: [email protected]
Enviada: Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2015 09:19
Para: [email protected]
Assunto: [Irriga-l] [SPAM]Re: RES: Crise hídrica

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Esses números não são difícies de se obter. O problema é o erro conceitual que existe no seu cálculo. Relatório de conjuntura da ANA trás para 2010: Vazão retirada: Irrigação: 54%; Urbano: 22%. Aí trás o conceito de vazão consumida e os números mudam para: Irrigação: 72% e Urbano: 9%. Falta agregar o fator qualidade da água retornada, as perdas por evaporação na geração de energia e os próprios coeficientes de retorno. Por esse metodologia, a irrigação por superfície consome menos água do que a irrigação localizada...

O desperdício é relativo, depende, por exemplo, se estamos avaliando a bacia ou o produtor. Depende inclusive do tipo da perda, se é escoamento superficial, ou percolação profunda, ou se é evaporação direta da água do solo. Além disso, ele é muito variável, depende muito do nível tecnológico do produtor. Já avaliei sistemas localizados com eficiência de 60% e sulcos com eficiência de 70%... bom, esse é um longo debate.
 
abs e bom carnaval.
 
Lineu.


De: "Rodrigo Vieira" <[email protected]>
Para: "IRRIGA-L: Grupo de Discussão em Agricultura Irrigada" <[email protected]>
Enviadas: Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015 17:31:48
Assunto: [SPAM]Re: [Irriga-l] RES: Crise hídrica

Agora posso responder com calma.
Temos de ter uma postura incisiva, mostrando o que fazemos pelo país e pelos críticos de plantão.
sugiro que saivamos em ordem de grandeza quanta água sai para irrigação e para outros usos, por região.
Talvez o número surpreenda vcs, e reduza estes cabalísticos 70%.
sei que sai desperdiçados em média 37%, e isto irriga uma porta da de área.
falo da frouxidão da imposição da ordem.
Não esqueçam, quem muito se abaixa......
abs é bom carnaval.

Em 12/02/2015 15:11, "Rodrigo Vieira" <[email protected]> escreveu:

amigos, bom dia!
a questão não é mais generalizar, a codevasf fez um piloto e o expandiu com boas previsões.
a conversão e adoção de lâminas reduzidas acho que não têm mais volta.
Como diz Elias Teixeira para a Molhar, dados de pesquisa são indicativos, e defendo que devemos ir ao limite
No tocante à imprensa, ao contrário, devemos ter a atitude mais agressiva.
abs

Em 12/02/2015 13:35, "Lineu Neiva Rodrigues - Embrapa Cerrados - CPAC" <[email protected]> escreveu:

Colegas,

Excelente debate…

 

Estou no olho do furacão e não pude contribuir muito. Se me permitem, gostaria de falar três coisas:

 

(i) Temos quase consenso entre nós, temos que falar para a sociedade e auxiliar os nossos gestores na tomada de decisão. Nesse sentido, estamos trabalhando em um workshop com o objetivo de decodificar dados complexo da agricultura para a sociedade. Várias coisas serão debatidas, entre elas o famoso 70% da água consumida pela agricultura. Para fazermos isso com qualidade, precisamos definir melhor algumas métricas, uniformizar alguns conceitos e reduzir o impacto dos modismos, entre eles cito a tal da pegada hídrica.

 

(ii) Meu amigo Rodrigão: seu trabalho é conhecido e muito interessante, mas não podemos generalizar. Cada caso é um caso e a definição por um sistema ou outro não é baseado unicamente na eficiência.

 

(iii) Dica com jornalista. Falar pouco e apenas o trivial, pois eles também, de maneira geral, não entendem do assunto e precisam ser educados. Quanto mais falarmos a mesma coisa melhor.

 

Por fim, vamos começar a pensar no futuro...quais são as perguntas chaves?

 

Abs,

Lineu.



De: "Fernando Rodriguez" <[email protected]>
Para: [email protected]
Enviadas: Terça-feira, 10 de fevereiro de 2015 11:00:20
Assunto: Re: [Irriga-l] RES:  Crise hídrica

Caros Colegas
 Favor informar o local da reunião do GIFC sobre irrigação e crise hídrica e a que horas. Seria muito útil começarmos a utilizar essa assessoria de imprensa, pois estou convicto de que temos que colocar nosso tema para a sociedade esclarecendo todas as distorções que tem sido colocadas na mídia.
Este momento exige muita atenção e cautela, pois, pasmem na semana passada numa reunião em São Paulo onde se discutia as posições para o Forum Mundial da Água, se jogou para os presentes a discussão da crise hídrica, onde praticamente todos os presentes era de um único setor usuário: o saneamento, e um só representante do setor agrícola e um do setor industrial. Se não fosse este último ter-se manifestado contra a discussão naquele momento do tema pela falta de representatividade dos setores usuários, teria se evoluído sem que os reais interessados estivessem envolvidos. A hora não é de ficar olhando para o próprio umbigo. É atenção, atenção e atenção.
Abraços
Fernando Rodriguez




De: [email protected]
Enviada: Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2015 20:24
Para: '[email protected]: Grupo de Discussão em Agricultura Irrigada' <[email protected]>
Assunto: [Irriga-l] RES: Crise hídrica

 

Caros Colegas

 

O GIFC conta com uma assessoria de imprensa que tem no auxiliado, entre outras coisas nas respostas a varias solicitações da imprensa falada e escrita

Poderíamos concentrar, nosso eventuais posicionamentos e esclarecimentos para sociedade em empresas como essa. A Conceito, empresa de Ribeirão Preto,  trabalha com grandes empresas do setor, como Grupo São Martinho. Entendo ser um começo.

 

Abraços

 

Marco Viana

Superintendente

Rua Casemiro de Abreu, 950

Vila Seixas - Ribeirão Preto - SP

CEP 14020-193
(55 16 3602-0900 /55 16 3237-4249 / 55 16 99180-2132 / 55 16 981752662

Descrição: GIFC-2

 

De: Irriga-l [mailto:[email protected]] Em nome de Ricardo Brito
Enviada em: segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015 14:30
Para: IRRIGA-L: Grupo de Discussão em Agricultura Irrigada
Assunto: Re: [Irriga-l] Crise hídrica

 

Colegas,

 

Além do tema ser palpitante e as opiniões convergentes, é sempre bom lembrar que o momento é "fértil" para se iniciar um movimento, ou uma ofensiva em prol do maior desenvolvimento e sustentabilidade da agricultura irrigada.

As dúvidas sobre o potencial da agricultura irrigada brasileira não são nossas (os profissionais que atuam no ramo), pois há muito sabemos que é enorme. uma das coisas que sempre foi um entrave foi o mau uso da água, que fez nascer o mito de que a agricultura irrigada é a maior fonte de desperdício e portanto sujeita a críticas de quem desconhece o assunto em profundidade, mas tem poder de formar opinião (contrária).

Já que temos essa convergência de idéias e que está claro que o principal entrave atualmente é fazer chegar essas idéias na prática, na sociedade e nas instituições, parece-me que está na hora de iniciarmos esse movimento através de uma mobilização que alcance, como já foi dito, os formadores de opinião e tomadores de decisão no país.

Penso que essa mobilização já se está iniciando aqui no fórum do Irriga-l e deveria ser expandida a partir daqui. O próximo INOVAGRI (Fortaleza agosto/setembro) - conforme já sugerido - poderia viabilizar uma mesa redonda, ou uma tempestade de idéias sobre o tema.

Nesse intervalo até lá, os profissionais podem aumentar sua mobilização, através de seus órgãos de trabalho, individualmente, via as associações (já mencionadas algumas) e num trabalho de "corpo a corpo" buscando cooptar formadores de opinião e tomadores de decisão. Ou seja, uma mobilização com atitude individuais e/ou em grupos.

I importante é começar já, enquanto a "Crise Hídrica" nos oferece um cenário favorável.

 

Abraço a todos,

Ricardo Brito

 

Em 8 de fevereiro de 2015 18:13, Rodrigo Vieira <[email protected]> escreveu:

Prezados Colegas:

Agora estou em posição de dar minha humilde e interiorana contribuição a Grupo.

Dr. Fernando Mendonça chamou atenção para a Academia e o corpo discente, e concordo em parte.

Contudo, temos percebido que a Academia, a Pesquisa, os Burocratas e Técnicos vivem em Planetas distintos. Os valores que cada um atribui (o que é natural) ao seu grupo muitas vezes invalida o outro.

Pelo que conhecemos, não é a falta de títulos acadêmicos em si, pois a ANA tem colegas extremamente graduados mas a Agência não consegue cumprir o seu papel como deveria, e na maioria das vezes por ingerência política; a SENIR até o  momento também não justificou sua existência, e o último secretário, que tinha alguma visão, foi retirado; os burocratas (e não me incluo neste grupo) via de regra não têm segurança para a tomada de decisões, e os técnicos, ficam tão somente apagando incêndios.

Há de repensar se, nas instituições publicas, as CAT´s (Vida Real) não deveriam ser mais valorizadas, e o senso prático, assim, poderia trocar informações e gerar progresso em acordo com os demais entes?

Retórica à parte, temos a obrigação de justificar o nosso papel perante a SOCIEDADE pagadora de impostos, e para isto temos de propor soluções, e todos as temos!

O passo seguinte seria a divulgação, e aí gera o problema! Não há "lobbyes" de expressão em nossa área, mas o caminho é a Imprensa, a qual tem um preço!

E aí, como fazemos?
Poderíamos formar um grupo representativo das linhas de interesse supracitadas e, a partir daí, mostramos os nossos argumentos!

Como falei sexta,  um quadro que comporá nosso próximo artigo da IRRIGAZINE  MOSTRA que o desperdício de água e  a não utilização do esgoto (dados do M Cidades) poderia irrigar uma área anual de até 740 mil ha.

Depois segue artigo!

ABS

RODRIGO

  

  

 

Em 8 de fevereiro de 2015 16:34, Fernando Rodriguez <[email protected]> escreveu:

 

Caros integrantes deste seleto grupo,

O Silvio mais uma vez coloca bem questões para o enriquecimento dos debates, mas continuamos patinando, pois ao colocar a questão o que fazer até agosto, fica mais uma vez em aberto a questão: quem liderará esse processo para atuar externamente ao grupo, fazer chegar à sociedade e aos tomadores de decisões tudo o que está aqui sendo discutido? Tomo a liberdade de sugerir, caminhando para o caso do concreto e pragmático, que a ABID ou ABIMAQ, mais a ABEA, talvez até a ABRH (É UMA QUESTÃO DE MOBILIZAÇÃO) liderem esse processo e provoquem uma reunião o mais rápido possível para estabelecermos as estratégias a serem aplicadas. Essa reunião pode ser por um dos meios que o Silvio mencionou, se o problema for custo. É saber compatibilizar os horários das pessosas envolvidas.

Questões e sugestões não faltam, daremos partidas com o elenco que o Fernando Mendonça e o Silvio apresentaram e vamos em frente, o difícil é fazer a máquina vencer a inércia, depois que ela começar a andar as coisas se tornam mais fáceis.

Abraços a todos.

Fernando Rodriguez

 

 



De: [email protected]
Enviada: Domingo, 8 de Fevereiro de 2015 10:01
Para: [email protected],[email protected]
Assunto: [Irriga-l] Crise hídrica

Prezados amigos do Grupo Irriga-L, Bom dia!

 

Parabenizo a todos pelas brilhantes discussões deste Grupo sobre a Crise Hídrica atual e observo que passamos por uma situação inédita para a Agricultura Irrigada brasileira e também mundial. Penso que é hora de uma forte união para finalmente termos atividades inovadoras e efetivas para o uso racional da água na agricultura.  

Temos a certeza de que precisamos pôr em prática as pesquisas já produzidas em várias instituições nacionais e de outros países. Várias dessas pesquisas, se disponibilizadas para a agricultura irrigada como produtos e/ou processos, resolveriam muitos dos problemas relacionados ao tema. Porém, sem o apoio do governo e da sociedade, elas não vão sair dos papers e das teses.

Para isso, é fundamental a sensibilização da sociedade para exigir que o governo possa atuar corretamente na gestão efetiva da agricultura irrigada e no investimento em tecnologia e pessoal qualificado para exercer as funções mais importantes. 

E é preciso agir rápido. Não podemos esperar muito, pois se já não estávamos preparados para essa crise que se instalou, as previsões não são nada animadoras para os próximos anos. 

Conforme o Prof. Fernando Mendonça questiona abaixo, quem começará - ou está começando - a agir? Quais as atividades realizadas em nível estadual, nacional e internacional que podem servir de exemplos? Precisamos de fóruns presenciais e virtuais para discutir essas iniciativas.

Por parte do Instituto INOVAGRI realizaremos ao final de agosto e início de setembro o III INOVAGRI INTERNATIONAL MEETING www.inovagri.org.br/meeting. Um evento que, além da ciência e tecnologia para a irrigação, discutirá também nesta edição, os problemas de Crise Hídrica como é o caso de nossa primeira Mesa Redonda: Experiências com a Seca no estado da Califórnia e no Brasil. 

Mas até lá, Agosto, precisamos de mais atividades, reuniões, fóruns, webinários, audiências públicas nos estados e em Brasília e todas as atividades possíveis para que possamos discutir o papel da irrigação nessa crise.

Então, espero que na abertura do INOVAGRI MEETING deste ano, possamos anunciar a apresentação, ao longo do evento, de bons resultados das experiências oriundas desta discussão que se inicia.

Ps: Aproveito em primeira mão para informar que decidimos prorrogar novamente o recebimento dos trabalhos. A data final agora será 06 de março. Divulgaremos a informação em nosso site na próxima segunda.

Um grande abraço e um bom domingo a todos.

 

Sílvio.

 

 

Sílvio Carlos Ribeiro Vieira Lima 

Director, INOVAGRI Institute 
INOVAGRI INTERNATIONAL MEETING 
www.inovagri.org.br 
www.inovagri.org.br/meeting   

e-mails:

+55 85 32681597

 


De: "[email protected]" <[email protected]>
Para: [email protected]; IRRIGA-L: Grupo de Discussão em Agricultura Irrigada <[email protected]>
Cc: Irriga-L Irriga Grupo de Discussão em Agricultura Irrigada <[email protected]>
Enviadas: Sábado, 7 de Fevereiro de 2015 23:34
Assunto: Re: [Irriga-l] Crise hídrica

 

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Bom dia a todos

Diante de tal situação percebemos algumas posições comuns em todos os comentários:

 

1 - Baixo grau de representação política pro-ativa para a agricultura irrigada perante a sociedade brasileira.

2 - Grau nulo ou extremamente baixo de percepção da sociedade sobre a importância da agricultura irrigada, que em números gerais ocupa cerca de 16% da área agricultável mundial e responde por mais de 40% da produção.

3 - Despreparo de nossa parte, inclusive das universidades (onde me incluo), para preparar profissionais aptos à gestão de recursos hídricos e conflitos originados de seu mau uso.

4 - Necessidade de formação de gestores e administradores com conhecimento aprofundado sobre agricultura irrigada, pegada hídrica, gestão de águas etc., além de técnicos especializados que já vêm sendo formados.

5 - Necessidade de uma agenda que leve a propostas efetivas sobre o assunto.

6 - Carência de técnicos e gestores que atuem em todas essas áreas (política, administrativa, gestão, técnica, negociação, projetos, compras etc.).

7 - Extensão rural (e urbana também) efetiva e operante, de modo a transferir as tecnologias existentes e geradas por universidades e institutos de pesquisa.

 

Já que sabemos tudo isto, deixo algumas perguntas: 

Quem começa? 

Por onde começamos a organizar as iniciativas coletivas?

Como aumentar a representatividade política?

O que as universidades têm que fazer e ainda não estão fazendo?

Onde e quando montaremos essa agenda de trabalho?

 

Ao meu ver, essa iniciativa deve ser ampla, e não centrada em poucas culturas agrícolas (mesmo que algumas sejam mais visadas nas críticas).

Creio que chega a hora de mostrarmos uma atitude madura e promover uma iniciativa conjunta, ou continuaremos reclamando dos mesmos problemas na próxima década.

 

Saudações a todos e obrigado pelas excelentes colocações feitas nas mensagens sobre o tema.
Fernando

---
Fernando Campos Mendonça
Depto. de Engenharia de Biossistemas - ESALQ/USP
Av. Pádua Dias, 11 - C.P. 09
13418-900  Piracicaba - SP
http://www.leb.esalq.usp.br
Skype: fcmendon

 

 


De: "Fernando Braz Tangerino Hernandez" <[email protected]>
Para: "Irriga-L Irriga Grupo de Discussão em Agricultura Irrigada" <[email protected]>
Enviadas: Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2015 19:44:17
Assunto: [Irriga-l] Crise hídrica

Boa tarde a todos!

Nosso Presidente da ABID, o querido Helvecio me pediu o relato e algumas informações e ainda documentos sobre esta crise hidrica que se abate sobre São Paulo. Não consegui atente-lo no tempo e prazo que ele merece, o faço agora, mas pensei oportuno compartilhar também com vocês algumas informações e pontos de vista.

Este tema insegurança hídrica preocupa a toda população e está em jogo os diferentes seguimentos da sociedade e temos trabalhado bastante em uma agenda propositiva em contraponto a encontrar um "bode expiatório" para a crise, que tem muito mais razão de ser pela instabilidade climática (periodo chuvoso atípico) e a falta de planejamento ou visão de administradores públicos nas esferas municipal, estadual e federal.

Não gosto de divulgar assuntos ou manifestações que considero inadequadas ou mal intencionadas, mas o faço agora porque penso que se agricultura e especialmente os que labutam direta ou indiretamente na agricultura irrigada ficarem assistindo sentados, é o nosso setor que perderá e muito.

Por exemplo, entendo como absurdo - para ser elegante - o artigo "Nova praga" vindo de um  engenheiro civil experiente (60 anos),  assessor da presidência do Nuclep - Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A., empresa estatal responsável pela produção de equipamentos de grande porte e que foi subsecretário de Energia do Rio (1999-2000). Leiam e tirem suas conclusões.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/200473-nova-praga.shtml

Outras besteiras são encontradas todos os dias na imprensa.

Mas a Folha de São Paulo deu a oportunidade de colocarmos o nosso ponto de vista na matéria "Conflito das águas".
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2015/01/1581954-conflito-das-aguas.shtml

A parte mais controversa é aquele que destaca que "Responsável por 72% do consumo de água, agricultura pode reduzir uso em 20% com boas práticas de irrigação". Pois bem, este número é oficial da ANA e vem da página 89 da Conjuntura dos Recursos Hídricos. Acesso em
http://arquivos.ana.gov.br/institucional/spr/conjuntura/PDFs%20agregados/ANA_Conjuntura_Recursos_Hidricos_Brasil_capitulos_.pdf

Felizmente encontramos jornalistas sensatos, como este artigo "Na crise hídrica, meia verdade bastou para a torneira seguir jorrando" de Matheus Pichonelli.
https://br.noticias.yahoo.com/blogs/matheus-pichonelli/na-crise-hidrica-meia-verdade-bastou-para-manter-160105504.html

Nesta agenda, na condição de professor da UNESP Ilha Solteira, Diretor da ABID - Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem e membro do Conselho do GIFC - Grupo de Irrigação e Fertirrigação em Cana temos trabalhado em conjunto com o Presidente da ABID Helvecio Mattana Saturnino e os Diretores do GIFC Patrick Francino Campos e Marco Viana, entre outros profissionais.

Penso que em relação ao uso da água devemos incorporar todos os usos consumtivos as estatistiscas, como por exemplo a geração de energia eletrica, ou retirar a a irrigação do calculo conjunto aos usos no saneamento, na industria, na desedentação animal, etc.

Para se ter uma ideia do que acontece por aqui, consumindo ou usando - como queiram - 3560 m3/s, somente a Usina Hidreletrica de Ilha Solteira tem a equivalencia em um unico dia do que usa em irrigacao em mais de 6,0 milhoes de hectares num dia com uma lamina bruta de 5,0mm. O irrigante que está montante da usina está gastando grana para ir buscar a agua (NPSH disponível, lembram????) e o irrigante a juzante da usina, nada, literalmente de braçada.

Há ineficiencias no uso da agua na agricultura, mas repudio veementemente a ideia de que os irrigantes são os vilões da crise.  Há muito o que fazer em todos os seguimentos econômicos.

Para fomentar a discussão e o convencimento, temos nos manifestado semanalmente através do Pod Irrigar - o Pod Cast da Agricultura Irrigada (http://podcast.unesp.br/podirrigar) às quintas-feiras e no Blog da Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira (http://irrigacao.blogspot.com.br) aos domingos.

Pod Casts - http://podcast.unesp.br/podirrigar
[PodIrrigar] Engenheiro agrônomo da Unesp sinaliza os melhores sistemas e condições para aquisição dos projetos de irrigação
http://podcast.unesp.br/podirrigar-05022015-podirrigar-engenheiro-agronomo-da-unesp-sinaliza-os-melhores-sistemas-e-condicoes-para-aquisicao-dos-projetos-de-irrigacao

[PodAcqua] Irrigação mais eficiente pode dar alívio à crise
http://podcast.unesp.br/podacqua-06012015-podacqua-irrigacao-mais-eficiente-pode-dar-alivio-a-crise

[PodIrrigar] Especialista da Unesp orienta sobre o consumo e uso de água em tempos de crise hídrica
http://podcast.unesp.br/podirrigar-30012015-podirrigar-especialista-da-unesp-orienta-sobre-o-consumo-e-uso-de-agua-em-tempos-de-crise-hidrica
PodIrrigar] Crise por água e energia será resolvida no campo e agricultores possuem papel relevante no cenário
http://podcast.unesp.br/podirrigar-23012015-podirrigar-crise-por-agua-e-energia-sera-resolvida-no-campo-e-agricultores-possuem-papel-relevante-no-cenario

A cana que passa por uma crise em que a produtividade média decrescente é parte desta situação também tem sido alvo de criticas e o assédio da imprensa é grande. Aqui, duas perguntas e opiniões que compartilhamos com os colegas do IRRIGA-L.

"A cana irrigada é uma alternativa neste 2015 no qual o déficit hídrico deve continuar acentuado em várias regiões do Estado de São Paulo?" Patrick assegura que "a cana irrigada sempre será a alternativa para garantir a produtividade dos canaviais e evitar o efeito sanfona que acontece nos canaviais e em outros ramos do agronegócio, como o boi."
A queda da produtividade média da cana depende da quantidade de água que a cana recebe. Por dois anos seguidos a instabilidade e volume com que as chuvas chegaram trouxeram  problemas reais para o equilibrio financeiro das usinas. Sem produtividade elevada não há como manter o setor e a irrigação não deve ser vista apenas como a alavancagem da produtividade. Devemos olhar também para o custo de não se irrigar. Assim, acredito que São Paulo deve aproveitar a experiencia de exito obtida em outros Estados com o uso da irrigação e parar de acreditar que as chuvas virão como gostaríamos que ela viesse.
Ainda, o aumento da produtividade é fundamental para que com o aumento da biomassa produzida leve ao aumento da oferta da energia em sistema de co-geração, fundamental para a segurança energética do Brasil.

"É viável produzir cana com irrigação diante a escassez de água?"
A aceitação por parte dos controladores das usinas de quem devem priorizar seus investimentos em irrigação é o primeiro passo. Mas, mesmo quando isso acontece, não se consegue irrigar no curto prazo grandes extensões de terra dado ao volume de investimentos necessários e a divisão de prioridades. Portanto, um Plano Diretor de Irrigação deve indicar as melhores áreas a serem irrigadas levando em consideração variedades e ambientes de produção e ainda disponibilidade e qualidade da água. Marco Viana observa que "para se produzir cana irrigada devemos pensar a longo prazo, desta forma podemos fazer acumulação de água através de barramentos, por exemplo." E Helvecio Saturnino lembra da experiencia exitosa em Goiás "que para a implantação e sustentação da agricultura irrigada através de pivôs centrais, investimentos consistentes foram feitos em barragens de terra, exaustivamente discutida pela ABID e divulgada na revista ITEM - Irrigação e Tecnologia Moderna". Portanto, deve-se ter um bom planejamento para se garantir a segurança hídrica dos canaviais.

O raciocinio contido na resposta acima vale para as demais culturas.

Aproveitamos para atender o pedido do amigo Caio Vinicius Leite para a divulgação no grupo Irriga-L do video "Nota de Repúdio" no YouTube - http://youtu.be/RIyPX-dayDE

Recebam todos aquele abraço e tenham um otimo FDS, se possivel, muito chuvoso!

Fernando Tangerino

-- 
Fernando Braz Tangerino Hernandez
Área de Hidráulica e Irrigação (Hydraulics and Irrigation Division)
DEFERS - Departamento de Fitossanidade, Engenharia Rural e Solos
Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira
UNESP - Universidade Estadual Paulista (São Paulo State University)
Caixa Postal 34 (P.O. Box 34)
15.385-000  -  ILHA SOLTEIRA - SP - BRASIL
Phone: (0##18) 3743-1939 / 3743-1959
Bolsista de Produtividade em Pesquisa 2
www.agr.feis.unesp.br/irrigacao.php (Institucional)
Blog: http://irrigacao.blogspot.com
http://www.feis.unesp.br/#!/departamentos/fitossanidade-engenharia-rural-e-solos/docentes/ft/ (sítio pessoal)
Academia.Edu: http://unesp.academia.edu/FernandoTangerino
FAPESP - BV-CDI: http://www.bv.fapesp.br/pt/pesquisador/4461/fernando-braz-tangerino-hernandez/
Lattes: http://lattes.cnpq.br/7276242706611764
Research ID: http://www.researcherid.com/rid/G-1782-2012
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Esta mensagem da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), empresa pùblica federal regida pelo disposto na Lei Federal no. 5.851, de 7 de dezembro de 1972, é enviada exclusivamente a seu destinatário e pode conter informações confidenciais, protegidas por sigilo profissional. Sua utilização desautorizada é ilegal e sujeita o infrator às penas da lei. Se você a recebeu indevidamente, queira, por gentileza, reenviá-la ao emitente, esclarecendo o equívoco.

Confidentiality note

This message from Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a government company established under Brazilian law (5.851/72), is directed exclusively to its addressee and may contain confidential data, protected under professional secrecy rules. Its unauthorized use is illegal and may subject the transgressor to the law's penalties. If you are not the addressee, please send it back, elucidating the failure.


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