2015-03-25 21:37 GMT-03:00 Ricardo Panaggio <[email protected]>:

> On 03/25/2015 11:05 AM, Cláudio Sampaio wrote:
>
> > Eu me oponho a qualquer endurecimento ou radicalização deste movimento
> que
> > a cada vez mais perde adeptos e mindshare exatamente por causa dessa
> > intolerância, dessa insensibilidade em entender as "outras liberdades de
> > software" necessárias para os usuários leigos, de entender que diferentes
> > softwares (ou protocolos ou hardwares) proprietários têm impactos
> negativos
> > de natureza e intensidade diferentes, em caluniar iniciativas de
> > profissionais do software livre que contribuem para o enriquecimento do
> > ecossistema e em geral parecer cada vez mais com um movimento jihadista
> que
> > usa de uma moralidade deontológica absoluta que não permite balanço ou
> > considerações sobre certos princípios.
>
> Até onde eu entendi, você se opõe ao trabalho daqueles que estão
> propondo que tenhamos mais software livre no FLISOL. A "remoção", que na
>

Errou. Eu me oponho à recusa de instalar uma distribuição como o Ubuntu,
que tem mais funcionalidade do que distribuições totalmente livres. Eu me
oponho à falta de empatia e senso de balanço entre usabilidade e o ideal do
software livre. Eu considero que para a necessidade de uso da maioria das
pessoas o software livre ainda não chegou em um nível que possa substituir
totalmente o software proprietário. E eu considero que é desonesto e sem
noção tentar convencer o usuário leigo que as distribuições livres,
aleijadas que são, irão atender a suas necessidades. E com isso a gente
perde esse usuário, que vai chegar à conclusão que software livre não é
viável depois de quebrar a cabeça tentando usar aquilo e que seus
idealizadores são autistas que não conseguem ter a mínima empatia pra
perceber as necessidades que ele tem de produtividade e integração ao mundo.

Eu gosto do software livre, eu o incentivo, eu ressalto a falta de ética
dos softwares proprietários (sinto, não vou chamar de "privativo" só porque
o Stallman quer, nem vou trocar GNU/Linux por GNU+Linux), eu libero minhas
criações sob licenças livres, eu me meto até em discussões pesadas com
pessoas próximas por causa disso.

Mas é justamente nessas discussões que eu vejo que tem algo que eu *tenho*que
pesar. Não é uma opção. Se eu quero advogar o uso de algo por ser ético,
essa ética tem que corresponder à realidade. Do mesmo jeito que não posso
querer que uma pessoa não mate nenhuma criatura (só dela respirar já mata
muitas, só de ter uma moradia já mata outras, só de se alimentar já mata
mais um monte) porque essa ética é impraticável, não posso querer que um
designer gráfico cesse seu uso de ferramentas proprietárias ainda sem
alternativa boa com licença livre, não posso esperar que alguém que
conseguiu achar vários amigos de infância no facebook migre pra uma rede
social livre e se esqueça deles. A necessidade prática, que é em parte
imposta pelo espaço ganho pelas *malignas* ferramentas proprietárias, é sim
o mais importante, pois é o que viabiliza o uso do software. Mas é
importante ao mesmo tempo *informar e não impor* a ética do software livre,
para que tenhamos pessoas sempre diligentes em conseguir substituir o
proprietário quando der e não lhe trouxer (muito) prejuízo.

Quando esta ética é imposta através de propostas como esse "FLISOL SEM
UBUNTU", o movimento vira religioso, jihadista, deontológico intolerante de
princípios que deixam de ser raciocinados e passam a ser verdades reveladas
incontestáveis. Eu *não quero ser confundido com esse tipo de pessoa*. Já
fui chamado de radical muitas vezes nas discussões por causa dessa
percepção que o defensor de software livre é um purista intolerante.

verdade é uma sugestão, é uma tentativa de promover apenas software
> livre no FLISOL, deixando de fazer propaganda de softwares que violam a
> liberdade dos seus usuários e algumas vezes até dos contribuidores em
> muitos níveis e situações. Mas não vi nada no seu e-mail dizendo que se
> opõe ao evento acontecer nos moldes que foi proposto, muito menos nos
> possíveis locais propostos.
>


> E se você realmente se opuser ao que foi proposto para o evento, eu
> realmente espero que isso seja apenas um e-mail de "revolta" (digo entre
> aspas porque me parece uma revolta sem causa), e que o evento possa
> correr bem (sem a ajuda de quem for contra, se for o caso, claro).
>

"sem a ajuda de..." -- mostra que você prefere um movimento sem usuários do
que sem balanço entre prática e ideal. E eu me oponho ferrenhamente a isso.
Quero que a ideia do software livre sobreviva.
Minha oposição passa pela sugestão da organização de uma "task-force"
contrária, que ofereça a instalação do que foi proibido (o Ubuntu) como uma
alternativa com software livre "suficiente" mas com balanço pra ter
funcionalidade melhor.



>  > Segue um screenshot do "maligno facebook" contendo argumentos em uma
> > discussão sobre esse assunto.
>
> Essa cópia de tela contém só mimimi. O argumento é o mesmo de sempre,
>

Chamar algo de "mimimi" é só um sofisma pra não rebater com argumentos. Dá
pra eu chamar de "mimimi" o rechaço ao Ubuntu e nunca entrar no mérito da
questão. Mas não é do meu caráter seguir por essa linha.


> furado como nunca. Acredito que você já deve ter lido muito por aí sobre
> como esse texto é só mimimi. Isso inclui esse meu e-mail e outros nessa
> thread, e também textos muito maiores e mais completos, como o recente
> texto do próprio Oliva
> <http://www.fsfla.org/blogs/lxo/pub/flisol-exemplar>. Que por sinal,
> também foi enviado para essa lista.
>


> Tudo aqui se resume apenas a coerência. A sugestão da organização do
>

Isso não é coerência. É autismo, é falta de empatia, é falta de
consideração com as *VÍTIMAS* das instalações nos FLISOL, é idealismo
birrento e tresloucado que não consegue aceitar a dura realidade que ainda
existe muita dependência de software, hardware e protocolos proprietários.
Devemos resistir a isso mas de maneira a não morrermos afogados.


> FLISOL é que sejamos mais coerentes. O que, na minha opinião, é a melhor
> sugestão já dada por um evento do porte do FLISOL. Sonho com o dia que
> conseguiremos fazer o FISL, Latinoware e afins serem mais coerentes e
> promoverem coerência.
>

Pare de igualar purismo inconsequente a coerência. Não, não é a mesma coisa!


> Fico impressionado como quem defende SL de verdade virou vilão e aqueles
>

Virou vilão porque perdeu a empatia. Perdeu a noção de mundo real. Se
distanciou das necessidades dos usuários. E trouxe má fama ao movimento e
ideais do software livre.


> que defendem software de código aberto e "liberdade de uso" (que não faz
> sentido algum) são os mocinhos, mesmo dentro de um grupo pequeno e
> focado como o LP.
>

Esperneie à vontade, a liberdade de uso é uma que continuaremos tendo que
engolir e é com ela que temos que lidar - para o usuário a aproveitar da
melhor maneira, instalando software livre que funcione.


-- 
Cláudio "Patola" Sampaio
IRC: ptl  - Yahoo: patolaaa
Campinas, SP - Brazil.

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