> O Windows tem mais de 10 anos de marketing e "provas" de que "funciona".
N�o
> vejo isso no Linux. Vejo muita gente fazendo propaganda inflamada, mas
pouca
> gente citando bons exemplos de sucesso no uso do Linux.

E por que ser� que n�o vemos bons exemplos do linux (ou mesmo de outros
sistemas operacionais) ? Simplesmente porque s� vemos PCs com Ruindows na
maioria das empresas e resid�ncias. O problema para mim � justamente esta
fala de diversidade dos tempos de hoje. N�o se v� sequer um Mac nas escolas
do Brasil e nos EUA eles s�o comuns nestas tarefas. Sou do tempo (n�o sou
t�o velho assim :-) ) em que era comum lidarmos com computadores diferentes
toda hora, de mainframes IBM a Apple II, Sinclair, MSX e TRS80, workstations
HP9000, etc.

N�o conseguimos quebrar este c�rculo vicioso at� agora e creio que ser�
quase imposs�vel enquanto aceitarmos estes argumentos FUD de que s� existe
informatiza��o com PCs e Ruindows. O que vejo de usos do linux na pr�tica �
feito por pessoas corajosas como n�s que colocam uma maquininha funcionando
(geralmente sem autoriza��o do chefe, com CD comprado do pr�prio bolso e
arriscando o pesco�o e a credibilidade se n�o funcionar) com alguma
aplica��o. A�, quando tudo est� funcionando, chega o idiota do chefe e n�o
te d� sequer um elogio pelo dinheiro de licen�as economizado. Eu tive v�rias
experi�ncias destas, como a de um servidor de arquivos Samba e de intranet
departamental e a reciclagem de 20 computadores 386 e 486, usados como
simples terminais, que iam para o lixo porque o DOS e o emulador que usavam
era pirata. Embora fosse engenheiro e a parte de inform�tica n�o fosse de
minha responsabilidade, fiz com gosto (e sem ganhar nada) isso tudo porque
era o �nico que entendia de linux (ou de qualquer Unix) o suficiente para
isso. Na faculdade onde leciono j� doei uns 3 CDs do pr�prio bolso para pelo
menos ter um laborat�rio com linux (e mesmo assim em dual boot).

Agora eu concordo que o melhor argumento contra estes idiotas que defendem o
Ruindows � mostrar um prot�tipo funcionado e comparar o custo da solu��o
linux e da solu��o M$. Neste ponto � que as empresas nacionais como a
Conectiva, por exemplo, deveriam investir.

> O que estou tentando dizer � que, ao inv�s de discursar sobre como esse
cara
> � um "babaca comprado por aquela m*** da Microsoft", seria muito mais
> pr�tico discutir com argumentos s�lidos as opini�es dele. Quer dizer, se
ele
> acha que a Conectiva � uma empresa que visa interesses internacionais,
> porque n�o mostrar alguns casos onde a Conectiva atua no Brasil, gerando
> renda nacional?

A minha opini�o � que o PT e todos n�s devemos sim brigar pela oportunidade
de participar da licita��o do FUST e das pr�ximas que vir�o.  Devemos lutar
para anular todas as exig�ncias de "sistema operacional Windows XX" numa
licita��o p�blica. A licita��o deve ser de t�cnica e pre�o. Concordo que h�
�reas onde o linux n�o est� preparado ainda e nesses casos at� justificaria
o maior pre�o do Rindows, mas h� outras �reas em que o linux � forte e,
portanto, venceria sem problemas se n�o fosse discriminado. No est�gio em
que estamos � necess�rio sim uma prefer�ncia nas licita��es, at� para
estimular alternativas, software-houses nacionais produzindo para linux e
reduzir depend�ncias de um �nico fornecedor, sem contar a parte estrat�gica.
E, numa primeira fase, provavelmente ter�amos que tamb�m encomendar
consultorias e softwares a empresas multinacionais ou estrangeiras por causa
da falta de qualifica��o das nossas empresas no linux ou mesmo no Unix
(contam-se nos dedos as software-houses que j� trabalharam com sistemas n�o
M$, pelo menos que eu saiba). Em vez de adquirir sistemas fechados e
propriet�rios o governo deveria sempre dar prefer�ncia a sistemas com
c�digo-fonte e abertos (mesmo no Ruindows), para evitar depend�ncias
excessiva de empresas. Isso me lembra a est�ria do painel da C�mara dos
Deputados...

Vejo sistemas de gest�o e controle em �rg�os p�blicos feitos em Visual
Basic, Clipper ou Delphi que poderiam ser facilmente reescritos para o linux
(com o Kylix ou outras ferramentas) ou mesmo para serem operados via browser
e ent�o eliminar a necessidade de licen�as de Windows para as esta��es de
consulta e digita��o. Isso quando n�o se usa um PC com Ruindows e um
emulador de terminal comercial para acessar um sistema rodando em um
mainframe (Detran e cia). Como outro exemplo, vemos que enquanto o Banrisul
tem usado o linux nos seus caixas eletr�nicos o Ita� vem trocando os seus
para Windows (e ainda se aliando a AOL) por causa de acordos (que n�o
sabemos do teor). Mas o Ita� � uma empresa privada e com certeza n�o deve
estar sem pensar em ganhar algo com isso. Empresas p�blicas s�o outra
est�ria. Precisamos de informatiza��o respons�vel com o dinheiro p�blico e
n�o usar as �ltimas "tend�ncias" vistas nas COMDEX e PC World da vida,
principalmente porque o nosso pa�s � pobre e os softwares s�o cotados em
d�lar, al�m da perda de divisas.

Muita gente vai dizer: "Ah, mas este computador n�o roda M$ Word ou o
programa de tarot que saiu na revistinha tal...". Se for REALMENTE
necess�rio pode-se especificar alguns computadores com estes programas para
estas tarefas mas � um luxo desnecess�rio ter um PC no balc�o de atendimento
de um hospital p�blico que possa rodar paci�ncia ou programas de tarot
instalados pelos funcion�rios sem autoriza��o. � at� bom que n�o rode, pois
evita v�rus e perda de dados. O problema � que o acesso f�cil do PC (o mesmo
computador que elas usam no trabalho) para uso dom�stico disseminou falsas
necessidades entre as pessoas. Se o cara usa em casa um CorelDraw pirata
para fazer cart�ezinhos em casa ele acaba influenciando na compra do mesmo
programa pela empresa, s� que desta vez pagando os tubos (com o dinheiro dos
outros, � claro). Nestas horas o chefe dos PDIs tem que ser sensatos e dizer
n�o e pronto. Eu mesmo j� tentei fazer a empresa onde trabalhava adotar o
StarOffice e fui boicotado justamente pelas secret�rias, que estavam
"acostumadas" com o M$ Word em suas casas e cursinhos de fundo de quintal
que fizeram. Raramente escreviam mais do que duas p�ginas ditadas pelos seus
chefes, mas reclamavam a falta de certos recursos "fundamentais" no
StarOffice. Resultado: os chefes cederam �s press�es e lentamente foram
adquirindo licen�as do Word pirata que as secret�rias continuaram usando,
mesmo com o StarOffice no micro. Vc fica t�o irritado e d� vontade de
deduzir do sal�rio delas as licen�as M$ que for�aram a compra (coitadas, iam
trabalhar o ano inteiro para pagar...).



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