Date: Tue, 18 Jun 2002 16:14:55 -0300
From: "Renato A. Q. Salles" <[EMAIL PROTECTED]>
To: [EMAIL PROTECTED]
Subject: Re: (linux-br) Licensas de uso dos softwares - Curiosidade
On Tue, 18 Jun 2002 10:39:54 -0400
"Lisias Toledo" <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> "Renato A.Q.Salles" wrote:
> >
> > On Tue, 18 Jun 2002 02:42:56 -0400
> > "Lisias Toledo" <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
>
> > Bom, ent�o forne�a um exemplo de um pa�s onde � proibido ser s�brio
> > pois o cidad�o � coagido pela lei a beber... Hoje ontem, em qualquer
> > lugar da Hist�ria.
>
> N�o entendi onde esta coloca��o se encaixa na discuss�o...
Se voc� tivesse mantido o texto original escrito por voc� e tua r�plica
na mensagem voc� facilmente entenderia. Parece que no meio do caminho
voc� perdeu o elo da cadeia de argumentos, os meus e os teus. Voc� vinha
defendendo a "ilegalidade da lei" para crimes de viola��o de propriedade
intelectual. Falavamos sobre repress�o e combate ao uso. Enquanto voc�
mantinha a defesa de uma atitude de indeterminismo dos �rg�os de
repress�o � c�pia ilegal de software, eu defendia a repress�o �
pirataria e te pedia um exemplo onde onde o estado, ao inv�s de combater
a demanda, promove-a. "...Forne�a um exemplo de um pa�s onde � proibido
ser s�brio..."
> > > A coisa muda completamente de figura quando a maior parte da
> > > sociedade, OS ELEITORES, discorda da lei.
>
> > Existem pontos comuns na totalidade das na��es em concordar no
> > b�sico: hom�c�dio intencional, tortura, sequestro, tr�fico, etc...
> > N�o conhe�o nenhum pa�s onde o Estado promova essa conduta dos
> > cidad�os, voc� conhece?
>
> Alemanha Nazista no pr�-guerra?
Que sirva como li��o hist�rica. A Alemanha nazista foi extinta pelos
aliados.
>
> E exatamente onde vc pretende encaixar a Propriedade Intelectual
> Privada nesta hist�ria?
L�sias, ou voc� t� com um problema de mem�ria grave, ou tem um clone seu
interferindo nas sua correspond�ncia. Veja o texto e o contexto acima:
Voc�: "A coisa muda de figura ...quando a maior parte da sociedade, OS
ELEITORES, discorda da lei." (Voc� pretende que os atos fora da lei s�o
leg�timos desde que a sociedade os considere assim. Estamos nos
referindo � quebra de direito de propriedade intelectual. N�o perca o
"fio da meada").
Eu: "Existem pontos comuns ...- de acordo em determinados pontos, veja
acima - N�o conhe�o nenhum pa�s onde (leia-se: a quebra do estado de
direito e das leis vigentes) o Estado promova essa conduta. Como eu n�o
concebo um Estado onde o indeterminismo da lei seja a conduta
preponderante, coloco duas atitudes opostas do Estado: repress�o e
promo��o da quebra da lei.
> > Qual seria, ent�o? Me d� um exemplo na hist�ria onde esses crimes
> > foram institucionalizados pelo voto, atrav�s de uma mudan�a na
> > constitui��o. Enquanto voc� procura eu tenho um punhado de exemplos
> > que h� 300 s�culos ou mais se empenham em pomover exatamente o
> > oposto.
>
> Repetindo : onde exatamente vc quer encaixar a Propriedade Intelectual
> Privada?
Ficou claro, acho.
> Indo no exemplo da Holanda que vc deu, l� a Prostitui��o � legalizada.
> Nos EUA � crime, no Brasil tamb�m. E no entanto, n�o tem um dia que eu
> v� ao supermercado de noite (com minha fam�lia!!) que n�o tope com um
> monte delas nas esquinas de Manaus.
No caso acima, eu me referia � drogas. Mas o meretr�cio ( na primeira ensagem eu tinha
usado um t�rmo que foi filtrado pelo ezmail) serve tamb�m
como exemplo. Me v�m � mem�ria uma coisa interessante: Um chefe de uma
delega��o de um pa�s que me escapa neste instante - faz tempo, isto -
comenta com Fidel Castro: "Veja, em Cuba as universit�rias tem que se
vender para sobreviver..." E ele replica: "Em Cuba, as meretrizes
tem curso universit�rio..."
> O conceito de crime n�o � est�tico. O que � crime em um pa�s, pode n�o
> o ser em outro. E sempre existir�o as Exce��es. A pr�pria Constitui��o
> Brasileira prev� regimes de exce��o, por exemplo quando em guerra.
N�o estamos em guerra, atenha-se � realidade. N�o � preciso ir t�o
longe: eu apoio a tomada de decis�o do gov�rno no caso da quebra de
patente para produ��o de rem�dios contra a AIDS. Voce deve bem se
lembrar do caso.
> > Isso � altamente pol�mico. Voc� diz que a repress�o ao crime promove
> > o crime, fal�cia pura.
>
> N�o. Vc est� distorcendo o que digo.
Discordo. Estou tentando tirar consequencias do teu ponto de vista.
>
> Eu afirmo que o que promove o crime � a DEMANDA. Sem demanda, sem
> oferta. Reprima duramente a demanda, e a oferta se esvai.
Voc� n�o pode simplesmente dizer a um indiv�duo: N�o queira cheirar,
pare de ter vontade de comprar um programa pirata. Ao inv�s disso, voc�
o adverte, dizendo: voc� � livre para fazer o que quiser mas tem que
arcar comn as consequencias dos teus atos. Voc� pode comprar um CD
pirata de um camel� na rua, us�-lo na sua empresa, mas: se voc� for
descoberto, ter� que pagar pelas consequencias do teu crime. � essa
advert�ncia que eu fa�o para aqueles clientes "espertos", que pensam que
podem tudo e que ningu�m se importa.
> Acontece que vivemos numa Democracia, e se reprimirmos duramente uma
> parcela expressiva da popula��o, ELEITORES, eles regir�o nas urnas ou
> de forma ainda pior.
A democracia tem suas salvaguardas naturais. Veja um exemplo: um
pol�tico n�o pode simplesmente subir num palanque e dizer para o
p�blico: "Vamos quebrar tudo, vamos cheirar tudo, vamos copiar SIM,
porque n�o temos dinheiro para comprar..." Isso � apologia ao crime, sua
candidatura seria ca�ada, etc...
> Se vc quer um exemplo de como os cidad�os de um pa�s podem o levar ao
> abismo por sua ojeiza � cerras leis, d� uma olhada na Argentina com
> seu curralito.
Eu oderia muito propriamente responder-te que o Dualde foi eleito pelo
voto direto, representa a vontade popular legitimamente. Ent�o, voc� v�
que depois de eleito o cara, n�o podemos simplesmente mandar uma
cartinha a ele dizendo: n�o quero mais. Me arrepend� do meu voto. V�
embora. Tem que come�ar uma press�o da sociedade encima do congresso, e
este, dar um voto de des-confian�a, ou se o sujeito se tocar com "o
clamor do povo", pedir a conta e voltar pra casa.
> > A repress�o ao crime aliada a todas as formas de instru��o
> > dispon�veis, uma pol�tica eficaz de repress�o �s drogas, assist�ncia
> > efetiva ao dependente, den�ncia, puni��o exemplar, det�m a escalada
> > do crime.
>
> Como fazem nos Estados Unidos?? 8-P Ou na China?
Isso. Como fazem nos USA ou na China. Melhor do que cruzar os bra�os e
assistir o que assistimos todo dia no Rio, onde o crime manda, e a
popula��o obedece, sen�o, cova.
> Na China simplesmente n�o existem traficantes reincidentes : eles s�o
> executados logo na primeira pris�o. N�o consigo imaginar repress�o
> mais dura que esta, mas eles n�o resolveram o problema das drogas.
Mas t�m o crime dentro daquilo que pode ser controlado pelo estado. Mas
a China tem outros problemas, com desrespeito aos direito humanos,
etc...
>
>
> > Ou mant�m-no num patamar control�vel pelos �rg�os de repress�o.
> > Quando Al Capone foi para a cadeia, o FBI n�o conseguiu provas de
> > crimes comuns como contrabando, extors�o ou homic�dio contra ele,
> > mas conseguiram enjaul�-lo por sonega��o de impostos com uma pena de
> > 13 anos; ele, justamente, morreu na cadeia.
>
> Quer dizer que se Al Capone tivesse pago todos os seus impostos, ele
> teria morrido rico e feliz? Compara��o infeliz. Isto, para mim, �
> demonstra��o de fraqueza instituicional, n�o o contr�rio.
N�o, muito pelo contr�rio! Isso quer dizer que a institui��o � t�o
forte, que caso n�o sejam apresentadas provas contra um criminoso, por
maior que seja a press�o e a certeza da delinquencia desse individuo,
n�o se pode fazer absolutamente nada contra ele. Isso � pura observ�ncia
do estado de direito do cidad�o: n�o condenar um indiv�duo sem provas.
Se ele tivesse pago seus impostos talv�z tivesse morrido rico e feliz,
talv�z n�o, talv�z tivesse sido atropelado por um �nibus, talv�z tivesse
tomado um tiro e morrido. Como n�o aconteceu, ficamos no talv�z, �
poss�vel, provavelmente, etc...
>
> > > N�o adianta promover a for�a e a toler�ncia zero contra um h�bito
> > > ou atitude que uma por��o expressiva da sociedade, ELEITORES, n�o
> > > considera digno de tal.
Ent�o que se organise esta parcela da sociedade que voc� - n�o me
perguntem de onde voc� tirou essa id�ia - tem como maioria e mudem-se
as leis!
>
> > Pouco importa. [...]
>
> Uhhh... Estamos falando da mesma coisa? Democracia?
Acho que sim.
>
> > > E-D-U-C-A-�-�-O
>
> > � o que eu te digo. A educa��o � fundamento. Base absoluta. Tenho c�
> > do meu lado minhas experi�ncias de viv�ncia em paises ditos cultos e
> > educados, e te digo, por experi�ncia pr�pria, a educa��o s� n�o
> > basta.
>
> "Qual a propor��o de indiv�duos psicopatas que uma sociedadem pode
> conter sem que a democracia fracasse?"
> Donald W. Winnicott (Educador e Psicanalista Ingl�s), em 1950 sobre a
> 2� WWW.
>
> observa��o : � World Wide War, n�o Web!! 8-)
>
???
>
> > Um pequeno grupo de indiv�duos nefastos � o bastante para quebrar a
> > cadeia de anos de trabalho de esclarecimento, dedica��o e trabalho a
> > favor da sa�de contra a doen�a. Para eles, a for�a.
>
> Voltando ao assunto sobre o respeito � propriedade intelectual :
> exatamente qual o tamanho do grupo de "individuos nefastos" que
> promovem a pirataria de software aqui no Brasil?
>
Exitem n�meros em termos de dinheiro. N�o os tenho comigo agora. Ali�s,
n�o estou com "peninha" das multinacionais do software, a quest�o n�o �
essa.
> Olha, EU N�O CONHE�O NINGU�M, pessoalmente, que n�o tenha pelo menos
> UM SOFTWARE PIRATA. NINGU�M. E conhe�o uma paulada de pessoas. Desde a
> faculdade, passando pelos tempos de col�gio, trabalho, o escambau.
Atravesse o Oceano e voc� ver� que a situa��o se inverte perfeitamente a
ponto de podermos dizer: N�o conhe�o ningu�m que use, tenha ou compre
pirataria. Quero isso para mim, para o meu pa�s, quero todos usando
Linux! Fantasia? Talv�z.
> Pela sua �tica, TODAS AS PESSOAS QUE EU CONHE�O S�O CRIMINOSAS. Agora
> exatamente o qu� vc espera que eu fa�a? Que destrua toda a minha
> cadeia de relacionamentos sociais? Que ponha meu pai na cadeia? Ou a
> m�e do meu melhor amigo?
N�o sei. Ali�s, n�o dou palpites na tua vida pessoal. Eu n�o espero que
voc� fa�a nem isso nem aquilo - Enter Eller - muito pelo contr�rio. Essa
mentalidade j� se instituiu de tal maneira que a gente fica tentado a
abdicar do que � certo, legal e come�ar a defender o oposto. Mas a� eu
me lembro do Paraguai e digo: N�o quero aquilo pra mim. N�o mesmo!
> Francamente.
Idem.
--------
end
Tenha um bom dia e um �timo trabalho com linux
Fui!
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