A leitura � um pouco longa mas � interessante. Software livre - Quando o 'moderno' envelhece r�pido
Rafael Evangelista* Uma disputa tecnol�gica deve chacoalhar o novo governo. Tradicionalmente ligado aos projetos de inform�tica que utilizam software livre (uma licen�a que permite a livre c�pia, altera��o e distribui��o de programas de computadores), o PT deve decidir agora se leva adiante (ou seja, aos projetos do Executivo) sua predile��o pelo conjunto de softwares liderados pelo sistema operacional Linux. O governo federal gasta milh�es de d�lares por ano na compra dos programas de computadores que equipam desde os micros das escolas federais at� os sitemas e m�quinas (servidores e banco de dados) dos minist�rios. O or�amento para todo o setor de Tecnologia da Informa��o chega a 2 bilh�es de reais ao ano. O maior vendedor desses programas para o governo brasileiro � a Microsoft (especialmente sistema operacional Windows e o pacote Office), cujo maior acionista, Bill Gates, manifestou o desejo de encontrar-se com o presidente Lula quando este esteve nos EUA. O encontro foi recusado, em parte por press�es internas do partido que, inclusive, � o autor de um projeto de lei em tramita��o no Congresso (Projeto de Lei 2.269/99) cujo texto prop�e prefer�ncia no uso de software livre nas institui��es p�blicas. Uma pequena amostra dos argumentos de que se utilizam as duas partes em disputa - empresas de software propriet�rio de um lado e de outro a comunidade de software livre - pode ser encontrada em duas entrevistas publicadas no site Baguete (www.baguete.com.br). Representando o software livre est� Marcelo Branco, da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), respons�vel pela implanta��o de redes de sistemas livres na institui��o de ensino localizada num estado cujo governo adotou o software livre como linha de frente de uma pol�tica p�blica de desenvolvimento da inform�tica. Falando pelo software propriet�rio est� Eduardo Campos de Oliveira, gerente de servidores da Microsoft do Brasil. Atr�s do que parece ser uma simples disputa entre profissionais especializados, que buscam enfatizar a excel�ncia e a adequa��o de duas tecnologias diferentes e nas quais s�o especialistas, esconde-se um enfrentamento mais profundo, de dois grupos profissionais que parecem carregar consigo vis�es de mundo e ideologias diferentes e opostas. Essas diferen�as, na verdade, est�o na base do debate, muitas vezes inflamado, que j� vem acontecendo h� algum tempo entre os defensores das duas op��es tecnol�gicas. Entender no que as diferen�as se constituem pode ser interessante na hora de decidir qual a op��o mais adequada para o pa�s. Estrutura aberta Marcelo Branco foi o primeiro a ser entrevistado. As perguntas giraram em torno da experi�ncia de uso de software livre no Rio Grande do Sul e do esfor�o que a comunidade tem feito para que o governo Lula adote as solu��es livres em �mbito federal. Para Branco, o uso de software livre oferece a possibilidade de desenvolvimento de uma tecnologia nacional aut�noma. Seria uma oportunidade para que empresas brasileira pudessem entrar no mercado internacional de uma maneira independente. Essa autonomia a que ele se refere parece ser, embora Branco n�o explicite isso, frente �s grandes empresas de software, como a Microsoft. Ele critica um certo modelo de inser��o brasileira no mercado (o atual) a que chama "inser��o passiva", afirmando que esse tipo de inser��o contribui para a exclus�o digital na medida que n�o h� dom�nio completo da tecnologia. Com o software livre, as empresas brasileiras poderiam ser agentes da tecnologia e n�o apenas consumidores. A partir dessa posi��o de Branco � poss�vel dizer que, para ele, o Estado ocupa uma posi��o planejadora do desenvolvimento e da tecnologia. Cabe ao governo atuar no sentido de que sejam escolhidas as alternativa que possam resultar em mais vantagens para o pa�s. N�o � a "m�o invis�vel do mercado" que tomar� essa decis�o. Outro ponto forte das afirma��es de Branco se refere � participa��o da comunidade e da sociedade. Para ele, um projeto para inform�tica, como o executado no Rio Grande do Sul, pertence � comunidade e n�o ao Estado; e, por isso, n�o poder� ser interrompido pelo novo governo local. A sociedade ga�cha teria abra�ado as iniciativas livres e, mesmo que o governo do estado pare de incentiv�-las, elas prosseguiriam com outros agentes. Os custos tamb�m pesariam nessa decis�o, j� que uma mudan�a de dire��o significaria novos gastos em licen�as para o poder p�blico. O referencial externo de Branco � principalmente europeu. Ele v� sintonia entre as iniciativas do Rio Grande do Sul e as preocupa��es da comunidade europ�ia em buscar mais autonomia e independ�ncia tecnol�gica, al�m de menores custos. Dada a estrutura aberta do software livre, cujo c�digo de programa��o � franqueado para estudo, Branco afirma que as empresas brasileiras est�o atualizadas em rela��o a essa tecnologia. (continua...) Assinantes em 05/02/2003: 2246 Mensagens recebidas desde 07/01/1999: 200191 Historico e [des]cadastramento: http://linux-br.conectiva.com.br Assuntos administrativos e problemas com a lista: mailto:[EMAIL PROTECTED]
