Mais uma resposta t�pica do meu amigo Godoy ;-)

Vamos l�:

(ah, sim, n�o leve pro lado pessoal. Mas o Linux ainda n�o � para a vov�...)

Historiadores acreditam que, 
em Seg 01 Nov 2004 10:55, Jorge Godoy disse:
> Raimund�o Genmte Finah <[EMAIL PROTECTED]> writes:
> > O Windows � mais simples para programadores e para usu�rios. Quer maior
> > demonstra��o de organiza��o do que o registro do Windows etc...
>
> O Linux eh padronizado.  Siga as instrucoes do LSB e FHS, por exemplo.

Muitas distros seguem, e mesmo assim muitas vezes n�o consigo instalar um 
programa RPM num Debian (ou vice versa) sem que isso me d� bastante trabalho, 
funcione de forma capenga ou at� me d� um segfault de vez em quando.

Repetir o mantra n�o vai fazer o sistema ficar padronizado, Godoy.

Al�m disso, antes de prosseguir, vamos deixar algo bem claro: o Raimund�o est� 
falando de Linux para o usu�rio final dom�stico ("o Linux da vov� [tm]), 
portanto a maioria de seus argumentos tratando de servidores, power users, 
usu�rios corporativos (que tem um setor de suporte pra lidar com problemas) e 
afins n�o cabem aqui. (Claro, NMHO).

> Quanto a ser mais facil programar em Windows do que em Linux, eu sou
> obrigado a discordar veementemente, jah que desenvolvemos sistemas
> multiplataformas -- e na maioria das vezes a partir de ferramentas que
> surgiram no Windows, onde teoricamente deveriamos ter uma maior
> facilidade, o que nao acontece.

Sabe que muitas pessoas t�m vis�o diferente da sua, n�o? ;-)

De qualquer forma, o Raimundo estava falando de VB e Delphi, n�o de Java, C++, 
C#/Mono/.net, Gtk+, wxWidgets e afins. Muito menos se a vers�o do GCC do 
cabra � 3.3.3 ou 2.95.4.

Repita comigo:

- usu�rio final n�o compila

- usu�rio final n�o usa linha de comando

- usu�rio final quer instalar software sem complica��o
(e n�o venha me dizer que "apt-get install prog_qualquer" � f�cil: experimente 
querer instalar algo que n�o est� no repos�t�rio...)

- ali�s, usu�rio final n�o sabe o que � reposit�rio (nem DEB, nem RPM, nem 
urmpi etc...)

- usu�rio final n�o sabe o que � distribui��o

- usu�rio final n�o sabe nem que KDE e Gnome s�o ambientes gr�ficos completos 
de trabalho, pensam que s�o meros temas diferentes da "tela gr�fica do 
Linux" (ou "Linux em modo Windows", como j� ouvirem dizer...)

- usu�rio final n�o sabe nem quer saber o que � montar um dispositivo

(E nem cheguei ainda no assunto "LInux pr�-instalado...").

> Sobre o registro, ele eh tao padronizado que ha centenas de programas
> para limpa-lo, corrigi-lo, fazer copias de seguranca, etc.  Voce jah viu
> um programa similar para um arquivo de configuracao do Unix?  

Se � assim t�o ruim, porque tem gente tentando fazer igual?

http://elektra.sourceforge.net/

Resposta: padroniza��o. O empacotador de software n�o precisaria se preocupar 
com diferen�as nos arquivos de configura��o (SysV versus BSD etc), apenas com 
o registro. A implementa��o do registro pra cada distro, essa sim, iria 
propagar as configura��es do registro no /etc de cada distro diferente. (ou 
diferente de cada distro, voc� escolhe...).

Leia o item "Why Linux Needs to be Elektrified":
http://elektra.sourceforge.net/#needs

> > Na minha opini�o, o sistema "arqu�vico" de configra��o "lin�xica" �
> > �timo. Ter como escolher onde vai ficar seu arq. de conf. � melhor
> > ainda! Mas pra que serve tudo isso pra quem quer jogar Tux Racer?
>
> Quem quer jogar Tux Racer nao deveria configurar nada.  As configuracoes
> padrao da distribuicao que uso, por exemplo, permitem-me instalar a
> maquina, instalar o Tux Racer (na instalacao ou apos) e joga-lo sem
> editar um unico arquivo de configuracao.  Posso usar programas graficos
> para faze-lo, mas ateh aih, no Windows teria a mesma coisa (e varios
> boots para instalar minha placa nVidia, todos os perifericos USB, placa
> de som, atualizar drivers da placa mae, etc.).

Pois �, mas voc� n�o disse como instalou o Tux Racer. 
E se o cara usasse um Slack em vez do (nham nham nham voc� ainda usa?) 
Conectiva? E se em vez do Slack fosse o Mandrake? E se em vez do Mandrake 
fosse o Debian (vejam que nem citei o Gentoo por motivos �bvios e 
auto-explicativos...).

J� que vc citou os perif�ricos USB, vou falar um pouco sobre eles. Vou receber 
uma enxurrada de respostas iradas por isso aqui, mas tudo bem, � assim mesmo. 
Grande parte de voc�s vai me dizer "ah, compre hardware compat�vel" ou "a 
culpa n�o � do Linux, mas dos fabricantes que n�o liberam drivers ou 
especifica��es para que algu�m os escreva". Mas a primeira afirma��o � 
verdade apenas em parte (porque fabricantes que escrevem drivers de c�digo 
fechado t�m sua funcionalidade reduzida ou bloqueada no Kernel) e a segunda � 
totalmente verdade mas n�o ajuda em nada: os usu�rios dom�sticos finais (a 
vov�, lembra?) n�o querem saber de nada disso.

Exemplos pr�ticos: tenho uma webcam Creative PD1001 vagabunda com chipset 
EP800. Tenho outra webcam Veo Velocity Connect (http://www.veo.com.br). A 
primeira pra fazer funcionar tenho que aplicar um patch e recompilar o 
Kernel... A segunda nem com reza braba, macumba e incorpora��o de saci.

Voc� acha que um usu�rio que mandou vir dos Estados Unidos uma c�mera boa 
feito a Veo - que comprou pelos m�ritos do hardware, e que o software n�o 
deveria ser impedimento - vai falar bem/recomendar/se entusiasmar com o 
Linux? Quanto � PD1001, ela est� funcionando aqui, mas EU SEI aplicar um 
patch e recompilar o Kernel. A vov� sabe?

S�bado fui procurar um fax/modem interno para um cliente usar com Linux. De 
posse das tabelas do http://linmodems.org, fui �s compras. Nas vias normais 
n�o achei - nenhum chipset � venda em S�o Paulo (veja bem, � S�o Paulo...) 
era suportado. Na Santa Ifig�nia, entre os "importados", a mesma coisa. 
Usados, s� achei de 28.800 ou 56K ISA - n�o me atendia. Resutado: tive que 
DAR uma m�quina pentium 266 completa com Linux e um modem V90 ISA suportado 
para n�o perder o cliente. Tive preju�zo com Linux. Bom, n�o?

Mas � claro, como eu mesmo falei numa outra lista (ou foi aqui mesmo, n�o 
lembro) eu tenho ainda outras tr�s alternativas:
1 - Escrever a solu��o eu mesmo
2 - Pagar algu�m pra faz�-la
3 - Usar Windows.

Como n�o podia fazer nenhuma das tr�s (e n�o queria MESMO fazer a �ltima), 
tomei fumo.

> E alguem estah forcando a pessoa a usar qualquer SO?  Se estah forcando,
> jah comecou errado.

N�o. Mas deixar um determinado assunto inating�vel para a plebe ignara tamb�m 
n�o ajuda...

> > (sobre usar comandos versus usar janelinhas)
> > Manter os dois pensamentos rodando juntos est� errado.
>
> Voce jah ouviu o ditado "toda unanimidade eh burra"?  Pois eh.  A
> divergencia de opinioes eh o que traz o progresso.  Se todos nos
> contentassemos com as tecnologias existentes ainda estariamos na idade
> da pedra.

Concordo, mas isso n�o quer dizer que voltar � linha de comando n�o seja um 
retrocesso. Como li em outra lista algu�m contando um "caso vir�dico", � mais 
r�pido e direto o cabra fazer

MOVE *.JPG A:

direto no prompt do DOS do que abrir duas janelinhas e ficar horas arrastando 
�cones pra c� e pra l�. Claro que, para quem sabe, a tela preta com 
caracteres brancos � poderos�ssima. 

Mas, ah, que � mais f�cil se lembrar de como faz j� estando tudo na tela (sem 
ter que se lembrar de comandinhos e sua sintaxe nada padr�o) isso n�o h� 
d�vida. Quem n�o manja nada de comandos "se encontra" facilmente num 
Konqueror ou Nautilus da vida.

> (sobre configura��o no /etc)
> E qual o problema?  Hah os mesmos arquivos de configuracao.  

Ah, �?

Ent�o onde eu configuro o n�mero IP das interfaces de rede no Debian?
Dica: n�o � no /etc/sysconfig/network-scripts como no Conectiva...

> Voce pode 
> abrir um terminal qualquer e configurar absolutamente tudo.  Ou voce eh
> daqueles que soh segue receita de bolo e nao conhece a teoria?  Com um
> sistema *nix qualquer novo, demoro pouco tempo para perceber onde ficam
> os arquivos de configuracao, quais as melhores maneiras de configura-lo
> (sim, alguns unices sao voltados para ferramentas de configuracao...) e,
> de cara, a maior diferenca e a que determina mais de 80% das coisas eh o
> estilo BSD ou System V de arquivos de inicializacao.

ARR����!

Mais tecnicismo!
Voc� acha que a vov� sabe o que � isso tudo o que voc� falou?
N�o, ela quer apenas instalar um tal de xawtv ("que nome feio prum programa, 
n�o, netinho?") pra assistir a novela na placa de sintonia de TV dela (que, 
por sorte, seu "sobrinho entendido" instalou - e por sorte era suportada - , 
sen�o era um Deus nos acuda).

Sua argumenta��o sempre engasga a�, Godoy. Acompanho a lista desde 98, e voc� 
mesmo j� me ajudou muito quando eu era novato (n�o que eu saiba muito mais 
hoje em dia...) mas sua vis�o � sempre a de que o Linux ser� usado por quem 
SABE - especialmente em servidores.

N�o. N�o � isso. Est� errado. Esse povo de quem voc� sempre discorda est� 
dizendo outra coisa: o Linux n�o presta para o usu�rio dom�stico.

Tem problema de acultura��o, costume, contato com a banda podre do noroeste 
dos EUA? Claro que tem, e muito! Mas tem certas coisas que s�o dif�ceis 
mesmo, ou que s�o f�ceis mas complicadas, ou que n�o existem no Linux (por um 
motivo ou outro) ou porque simplesmente n�o fazem o menor sentido pro usu�rio 
(como montar um disquete antes de us�-lo e, pior ainda, ter que desmontar 
antes de retir�-lo).

Nem mencione o automount perto de mim...

> Descoberto qual eh o estilo (um 'ls' ou um 'cat' mostram isso) voce jah
> resolveu 80% dos problemas -- se conhece a teoria.  Se nao conhece, vai
> sofrer um pouco mais, mas olhando-se o que jah existe voce faz o servico
> de modo rapido.

Discordo completamente se quem estiver olhando for a vov�.

> Mas qual padronizacao voce propoe?  O que eu vejo eh uma padronizacao
> enorme!  Muito maior entre distribuicoes Linux do que entre diversos
> sabores de Unix.

O que ele prop�e (por exemplo) � que /etc/sysconfig/network-scripts n�o seja 
diferente de /etc/network/interfaces. Est�o em lugares diferentes, t�m 
sintaxes diferentes.

Se voc� fosse criar um programa hipot�tico que usasse para alguma coisa os 
valores a� guardados ter�amos um problema bem grande (ou complexidade maior 
pois o programa teria que detectar se � SuSE, Mandrake, Conectiva, Slack... e 
resolver os caminhos a contento). Se estivesse tudo num lugar s�, 
padronizado, com sintaxe comum, tudo seriam flores.

> Mais uma vez, instale uma distribuicao que seja compativel com o padrao
> -- LSB, FHS, etc. (dica: Slackware nao eh) -- e seja feliz.  Se o
> suporte ao idioma nativo for padrao, isso eh um ponto adicional e que
> vai exigir muito menos esforco.

E como � que a vov� vai saber disso?

> O que voce quer mudar em relacao ao que jah existe?  Distribuicoes como
> RH (tanto os enterprise quanto os para desktops), SuSE, Conectiva,
> Mandrake, etc. seguem padroes.

Volto a perguntar: posso instalar e usar um pacote DEB no Mandrake sem muitos 
malabarismos? N�o? Ent�o o padr�o n�o � t�o padr�o assim.

Ou ainda: o dia que

rpm -hiv tuxracer_0.61-6_i386.deb 

funcionar (e que eu n�o tenha que dar o comando, mas dar duplo-clique no 
arquivo tuxracer_0.61-6_i386.deb e meu Conectiva me disser "Tux Racer vers�o 
0.61 instalado com sucesso") a� sim eu acredito que seja tudo a mesma coisa. 
At� l�, as varia��es existentes complicam a vida da vov� e far�o com que ela 
use um Windows pirata mesmo.

> > Espero n�o ter enchi seu saco com este mon�logo,
>
> Espero ter apontado um caminho menos trabalhoso e jah pronto para
> obteres o que desejas.

NMHO, n�o conseguiu.

Sds
-- 
Henrique 
Usu�rio de Debian Sarge + KDE 3.3 (do Unstable)
We've always had him!
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