Morre aos 100 anos o antropólogo Lévi-Strauss

                                                                
                                                                
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                  Atualizado às 15h46



O
etnólogo e antropólogo estruturalista Claude Lévi-Strauss morreu na
noite de sábado para domingo (1º) aos 100 anos, de acordo com um
porta-voz da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais de Paris,
na França. Ainda não há informações sobre a causa da morte do
antropólogo. O falecimento foi divulgado pela editora Plon.



Nascido em Bruxelas, na Bélgica, Lévi-Strauss foi um dos grandes
pensadores do século 20. Ele, que completaria 101 anos no próximo dia
28, tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais
para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de
uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de
Paris.



De
início, cursou leis e filosofia, mas descobriu na etnologia sua
verdadeira paixão. No Brasil, lecionou sociologia na recém-fundada
Universidade de São Paulo, de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao
Brasil central. É o registro dessas viagens, publicado no livro
"Tristes Trópicos" (1955) que lhe trará a fama. Nessa obra ele conta
como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior
do Brasil.




"Ele
soube partir do empirismo para dialogar e colocar a antropologia em pé
de igualdade com outras ciências humanas, como a filosofia.
Lévi-Strauss é um autor fundamental", afirma Renato Sztutman, professor
do Departamento de Antropologia da USP e mestre e doutor em
Antropologia Social na área de etnologia indígena.



Exilado nos
Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945),
Lévi-Strauss foi professor nesse país nos anos 1950. Na França,
continuou sua carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual
de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de
Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar,
em 1982.



O estudioso jamais aceitou a visão histórica da
civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a
mente selvagem é igual à civilizada. Sua crença de que as
características humanas são as mesmas em toda parte surgiu nas
incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de
indígenas das Américas do Sul e do Norte.



O antropólogo passou
mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios
americanos. O método usado por ele para estudar a organização social
dessas tribos chama-se estruturalismo. "Estruturalismo", diz
Lévi-Strauss, "é a procura por harmonias inovadoras".

  Especialistas lamentam  Sociólogo
e ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso divulgou uma nota
sobre o falecimento do antropólogo. "Lévi-Strauss foi um dos maiores
antropólogos de todos os tempos. Suas contribuições, especialmente
depois que publicou 'As Formas Elementares do Parentesco',
revolucionaram a antropologia contemporânea. A partir de então, a
corrente chamada 'estruturalista' passou a exercer enorme influência em
todas as universidades", diz FHC.
 


A
corrente estruturalista da antropologia, da qual Lévi-Strauss é o
principal teórico, surgiu na década de 40 com uma proposta diferente da
antropologia de viés funcionalista, predominante até então. "O
funcionalismo se preocupava com o funcionamento de cada sociedade e em
saber como as coisas existiam na sua função social. O estruturalismo
queria saber do trabalho intelectual. Olhar para os povos indígenas e
buscar uma racionalidade e uma reflexão propriamente nativa", diz
Sztutman.



Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas
linguísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente
humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural
enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc. Nessa
passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um
mecanismo do cérebro. Escreveu, em "O Pensamento Selvagem", que a
língua é uma razão que tem suas razões - e estas são desconhecidas pelo
ser humano.



"Ele abriu um caminho para pensar a filosofia
indígena, valorizar o lado intelectual dos povos estudados, e não ficar
naquela coisa 'nós (ocidentais) temos uma grande teoria e eles não'.
Lévi-Strauss abriu caminho para valorizar o aspecto intelectual de
outras populações", acrescenta Sztutman.



Lévi-Strauss não via o
ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma
espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência
quando estiver extinta.



Membro da Academia de Ciências Francesa
(1973), integrou também muitas academias científicas, em especial
européias e norte-americanas. Também é doutor honoris causa das
universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal,
México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e
Columbia, entre outras.



Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o
Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: "Fico
emocionado porque estou na idade em que não se recebem nem se dão
prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados.
Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou
sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre
deveríamos ter presente".

http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/11/03/ult1859u1791.jhtm
                                          
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