Prezados: não vai mesmo haver modo de decidir 'a priori' quais sentenças seriam confiáveis, e quais seriam mal-comportadas. Talvez se possa suspeitar das *potencialmente* mal comportadas, por uma análise Bayesiana, como os filtros anti-spam. mas isso é engenharia, não Lógica.
Lembro aqui uma das coisas mais interessantes que o Saul Kripke disse, que na minha opinião só rivaliza com a sua ideia de relacionar mundos (mais ainda que se referir a 'mundos possíveis'): "There is no mathematical substitute for philosophy". Nem mesmo , completa ele, para a filosofia da Matemática. Ou da Lógica. Abs, Walter : > > 1. Re: formulas mal-comportadas (Joao Marcos) > 2. Re: formulas mal-comportadas (Decio Krause) > Olá, Julio: > > Esta é mais uma boa pergunta. Tenho a impressão, contudo, de que não > tenho muito mais a acrescentar, em princípio, do que aquilo que já foi > dito pelo Décio: não é papel da Lógica fornecer critérios ou > justificativas para a verdade, a falsidade, a > indeterminação/indecidibilidade ou a inconsistência de uma > sentença(++). Você mesmo tem falado em linguagens para *descrever* o > mundo de forma eficiente ou adequada, mas não para *regulá-lo*. > Ninguém tem dúvida assim na hora de dizer por exemplo que as > definições matemáticas devem se comportar bem, isto é, que a definição > de "função" por exemplo deve ser consistente. > > Na minha reconstrução particular da abordagem da "consistência > formal", eu entendo na realidade que a verdadeira motivação por trás > do design de linguagens suficientemente ricas a ponto de serem capazes > de expressar a consistência mesmo em um contexto paraconsistente se > baseia na proposta mais geral de que o raciocínio clássico deveria ser > de alguma forma recuperável sempre que possível. Há outras formas de > proceder a esta recuperação, contudo --- e algumas não são vistas com > particular boa vontade no Brasil, embora sejam bastante interessantes. > Este é o caso, por exemplo, da abordagem não-monotônica segundo a > qual as sentenças são consideradas consistentes por defeito, até prova > em contrário. > > Mas a questão, repito, é interessante: haverá alguma forma de decidir > "de forma prévia" quais sentenças são confiáveis, e quais são > potencialmente mal-comportadas? Seria surpreendente se houvesse um > método geral com tal efeito, já que o problema da consistência em > casos práticos tem solução custosa, e em teoria frequentemente beira o > indecidível. No caso não-monotônico, em particular, a dificuldade de > decisão fica mais clara, já que em geral não há nem mesmo um _critério > positivo_ para o meta-predicado "ser teorema" (no caso monotônico > clássico faltam apenas _critérios negativos_ para este meta-predicado, > já que os teoremas podem ao menos ser enumerados). > > Joao Marcos > > (++) Admito que a busca por tais "justificativas" talvez faça sentido, > contudo, da perspectiva do Dritte Reich do pensamento fregeano, no > qual a lógica serve para _descobrir_ verdades _intersubjetivas_. > Mas fora de um tal reino ideal dificilmente este seria o caso > > > 2010/8/14 julio cesar <[email protected]>: >> Olá, pessoal, >> estou com outra dúvida! Assumindo que certas lógicas paraconsistentes não >> querem rejeitar o princípio da não-contradição, mas apenas restringi-lo, há >> algum parâmetro prévio em tais lógicas para diferenciar quais tipos de >> formulas a não-contradição se aplica e quais não? Isto é, há alguma outra >> diferença entre fórmulas bem-comportadas e mal-comportadas sem ser as >> diferenças geradas pelo fato de que uma aceita a contradição e outra não? >> Em outras palavras, existe alguma outra justificativa lógica, interna ao >> sistema, para se aceitar as contradições de certas fórmulas sem ser o fato >> de que, se não aceitássemos tais contradições, o sistema explodiria? >> Abraços, >> Júlio > > ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ Walter Carnielli Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE State University of Campinas –UNICAMP P.O. Box 6133 13083-970 Campinas -SP, Brazil Phone: (+55) (19) 3521-6515 Fax: (+55) (19) 3289-3269 e-mail: [email protected] Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
