linkania.....
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abs,
Bailux
On 8/12/07, Felipe Fonseca <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> Que nao concorde Zigmunt com Bauman foi legal,
> mas acho que sem querer.
>
> Esse tio aí é do século passado, né?
>
> Nem entendeu o software livre, ainda. Pena,
> eu gostei de umas coisas que ele escreveu.
> No milênio passado.
>
> efe
>
>
> On 8/12/07, eiabel lelex <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> >
> >
> >
> > O profeta da cibercultura
> > Entrevista: Pierre Lévy, sociólogo
> > GABRIEL BRUST
> >
> >
> > Mais de uma década depois da publicação de O que É o Virtual? (1996), um
> de seus livros mais famosos, o sociólogo Pierre Lévy ainda surfa na ondas de
> sua produção sobre cibercultura. Isso porque, para ele, nada mudou tanto
> assim desde então. O que vivemos hoje seria apenas a apropriação social das
> ferramentas que já existiam, nas quais Lévy - próximo conferencista do ciclo
> Fronteiras do Pensamento, promovido pela Copesul Cultural - foi um dos
> primeiros a identificar um gigantesco potencial, em uma época em que poucos
> sabiam dizer para que servia a Internet. A ousadia que marcou seus primeiros
> livros, no entanto, permanece. Diante do imenso barulho causado pelo que se
> está chamando de "a nova fase da Internet", a Web 2.0 - mais colaborativa,
> diferente dos anos iniciais, de mera contemplação - , Lévy é taxativo:
> >
> > - Não há nenhuma diferença entre a web 1 e a web 2.0, exceto que agora há
> mais gente que pode participar da web.
> >
> > Tendo como gênese os conceitos do canadense Marshall McLuhan, que cunhou
> expressões como "aldeia global" nos longínquos anos 60, Lévy se tornou um
> dos pensadores mais representativos da revolução digital no mundo
> contemporâneo. Nascido na Tunísia, formou-se em Sociologia e Ciência da
> Informação e da Comunicação na Sorbonne, em Paris, e atualmente é professor
> titular do Departamento de Comunicações na Universidade de Ottawa, no
> Canadá.
> >
> > Considerado um otimista diante das transformações trazidas pelas redes, o
> sociólogo parte da visão do computador como um hiperdocumento vivo em
> expansão permanente. A Internet seria uma rede análoga às conexões entre os
> neurônios humanos. Lévy crê na rede não apenas como uma ferramenta para se
> aprofundar a democracia e se ampliar o conhecimento coletivo, mas como
> fundadora de uma verdadeira civilização que está apenas começando.
> >
> > Criador de conceitos como tecnodemocracia e cosmopédia, o sociólogo ainda
> luta para garantir que estas definições sobre cibercultura, das quais é um
> dos fundadores, sejam respeitadas. Para Lévy, o virtual, por exemplo, não se
> opõe ao real - como é freqüentemente citado - , mas sim ao atual. Mesmo
> sabendo que seu interlocutor, ao fazer tal contraposição, quer apenas
> diferenciar o que se passa na rede do que se passa fora dela, o sociólogo
> faz questão de frisar o conceito formal que deu ao virtual em seu livro de
> 1996.
> >
> > Em conversa por telefone, direto do Canadá, Lévy falou sobre a palestra
> que fará na próxima terça-feira em Porto Alegre e sobre o momento atual da
> cibercultura - sem deixar de lembrar que todo tipo de vida é real. Na rede
> ou fora dela.
> >
> > Cultura - Em seu livro O Que É o Virtual?, publicado no Brasil em 1996, o
> senhor diz que o ciberespaço pode apenas reproduzir o espetáculo e a mídia
> em grande escala, ou pode criar uma civilização centrada na inteligência
> coletiva. Qual dos dois está ganhando a corrida hoje?
> >
> > Pierre Lévy - (risos) Não há vencedores no momento. A inteligência
> coletiva está crescendo, como podemos ver na Wikipedia e em outros sites. A
> memória coletiva está sendo usada largamente. Mas os dois estão correndo
> juntos.
> >
> > Cultura - A Internet tem mostrado capacidade de enfrentar regimes
> totalitários e ajudar a consolidar a democracia, como o senhor previa?
> >
> > Lévy - Em geral, quanto ao aumento das possibilidades de comunicação
> servindo contra a estabilidade de regimes totalitários, o processo está
> relativamente lento. Temos que esperar, isso não vai acontecer logo. Mas
> quanto mais você tem possibilidades de criar associações e de ter contato
> com outras culturas, isso cria uma sociedade menos fechada e, a longo prazo,
> é bom para a democracia.
> >
> > Cultura - Podemos dizer que a definição de Zigmunt Bauman sobre valores
> líquidos da sociedade atual (aqueles que se modificam rapidamente e cujos
> laços são frágeis) foram causados pela relação com o virtual?
> >
> > Lévy - Como assim, líquidos?
> >
> > Cultura - É uma teoria desse filósofo polonês radicado na Inglaterra,
> autor de Modernidade Líquida e Amor Líquido. O senhor acha que a
> instabilidade das relações tem a ver com o virtual?
> >
> > Lévy - Bem, primeiro teríamos que concordar com essa coisa da liquidez dos
> valores, mas não sei se entendi direito (risos).
> >
> > Cultura - Mesmo que não concorde Zigmunt com Bauman, o senhor acha que o
> virtual está modificando os relacionamentos entre as pessoas?
> >
> > Lévy - Não acho que tenha a ver. Podemos falar em um tipo de aceleração de
> processos, todos os tipo de de processos, incluindo o conhecimento, a
> economia e a política. As coisas são rápidas, e isso não é causado pela
> Internet, ela é apenas um dos vários fatores que contribuem para acelerar
> todos os processos culturais e sociais. Mas é claro que a globalização em
> geral traz grandes facilidades a vida urbana.
> >
> > Cultura - Vemos hoje ascender à adolescência a primeira geração que nasceu
> usando a Internet. É possível identificar características específicas dessa
> geração?
> >
> > Lévy - A minha resposta não vai ser interessante porque a minha resposta
> é: sim, eles são diferentes, porque eles estão muito acostumados à Internet.
> Eles estão procurando por informações de maneira fácil, estão se entretendo
> nas redes. É fácil para eles usar computadores e videogames, mas não é uma
> completa mudança, não é uma questão de geração. O mais importante é que nós
> estamos construindo uma nova civilização. E seria um grande erro pedir aos
> jovens que guiem a nova civilização (risos).
> >
> > Cultura - O senhor diz que as redes modificam algumas de nossas
> capacidades cognitivas. Como isso se aplica ao caso da memória, que parece
> ser cada vez menos utilizada, uma vez que tudo está em um grande banco de
> dados acessível a um clic?
> >
> > Lévy - Acho que é exatamente o oposto disso (risos). A memória não é algo
> que está em nosso cérebro. Memória é tudo que podemos recordar. Então
> podemos recordar memórias do nosso cérebro, mas também podemos recordar de
> livros, de bibliotecas ou da web. Acho que uma das mais óbvias conseqüências
> do advento do ciberespaço é a documentação da memória.
> >
> > Cultura - O senhor acha que o crescimento na quantidade de pessoas
> patologicamente viciadas em Internet se deve a um encantamento maior com a
> vida virtual do que com a real?
> >
> > Lévy - Todo tipo de vida é real, não existe virtual ou real. Só há vida
> humana, não há diferença. Pessoas podem ser viciadas em qualquer coisa, em
> televisão, em sexo, em jogos, em álcool... Vício não tem nada a ver com o
> objeto.
> >
> > Cultura - Por que a exposição da vida privada se tornou um valor nos
> tempos contemporâneos?
> >
> > Lévy - Acho que estão crescendo a tendência à transparência. Há cada vez
> mais informação disponível online e parte dela é uma informação que antes
> era privada. Isso é uma tendência importante e vai continuar.
> >
> > Cultura - O software Second Life foi considerado fenômeno, mas agora
> parece perder fôlego. Seus criadores acertaram ao tentar reproduzir a vida
> real na Internet?
> >
> > Lévy - Não sei. Depende do crescimento e do que as pessoas querem fazer.
> Às vezes, é bom reproduzir, às vezes é bom criar algo completamente
> diferente. Como posso dizer que é um erro fazer alguma coisa ou outra?
> (risos). O princípio da realidade virtual online vem de 20 anos, já existia.
> A única diferença do Second Life é que mais pessoas têm acesso direto, assim
> como não há nenhuma diferença entre a web 1 e a web 2 (segunda geração da
> Internet, que reforça o conceito de troca de informações e colaboração),
> exceto que agora há mais pessoas que podem participar da web. Há em geral um
> movimento de apropriação por parte do público cada vez maior das mídias
> online. Só o que há de novo no Second Life é que ele está se tornando uma
> espécie de fenômeno social, mas do ponto técnico não tem nada novo.
> >
> > Cultura - O que é realmente novo hoje na Internet?
> >
> > Lévy - Estamos esperando por algo novo (risos). O que há de novo é a
> apropriação social da tecnologia da web e o progressivo crescimento de um
> tipo de espaço público global, mas acho que vai ser, no futuro, do ponto de
> vista conceitual e técnico, algo que não conhecemos hoje. No momento,
> estamos vivendo a fase da apropriação social. Vão existir novos adventos no
> futuro, provavelmente algum tipo de inteligência artificial distribuída.
> >
> > Cultura - No que o senhor está trabalhando atualmente?
> >
> > Lévy - Em Porto Alegre vou falar sobre minha atual pesquisa, que é sobre
> uma nova língua que inventei. Se chama IEML (Metalinguagem da Economia da
> Informação), pode ser acessada em todo tipo de idioma, em Francês, em Inglês
> ou Português, e pode ser entendida pelo computador. Uma linguagem que pode
> ser manipulada pelo computador. Não vai ser utilizada pelo público em geral,
> será uma linguagem underground, para ser manipulada por especialistas, pois
> é complexa, mas vai multiplicar o poder dos sistemas de busca e a habilidade
> de explorar informação na Internet. A linguagem hoje ainda é um problema na
> Internet. Temos interconexão técnica, mas não semântica. Então o objetivo da
> pesquisa é preencher essa lacuna semântica.
> >
> > Cultura - Há algo no seu trabalho sobre cibercultura que não está se
> confirmando ou que o senhor repensaria hoje?
> >
> > Lévy - Meu livro A Inteligência Coletiva foi publicado em 1994 na França,
> e naquele tempo as pessoas nem sabiam que a web existia. Muita gente me
> acusou de ser um completo utópico e irrealista, mas hoje podemos ver que
> estamos num real e forte movimento de inteligência coletiva. A Wikipedia, em
> particular, mostra isso. Há também o uso de comunicação P2P, software de
> código aberto, e também redes sociais online. Então, há tendências, há
> inteligência coletiva, mas estamos apenas no começo.
> >
> > ([EMAIL PROTECTED])
> >
> > --
> > Qualidade fundamental da unidade viva: dividir-se, reunir-se, desdobrar-se
> no universal, persistir no particular, transformar-se, especificar-se e
> (como a vida gosta de manifestar-se em mil condições) aparecer e
> desaparecer, solidificar-se e fundir-se, coagular e correr, dilatar-se e
> contrair-se. ora todos esses efeitos produzindo-se juntos no mesmo instante,
> toda coisa e cada uma podem chegar ao mesmo tempo; formação e deperecimento,
> criação e destruição, nascimento e morte, prazer e pena, tudo age no mesmo
> espírito e na mesma medida: assim o que acontece de mais particular
> apresenta-se sempre como imagem e o símbolo do universal." -goethe -
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