Ola,
Compreendo o que o Fred está a tentar dizer, mas não concordo que "o
que se faz de melhor" seja o único nem o mais importante factor de
sucesso da alternativa open source.
Durante muito tempo, naturalmente como técnico, achei que o mais
importante era a excelência do produto (o melhor). Mas poucos são os
que "decidem a adopção de soluções" que se interessam ou são capazes
de distinguir o bom do mau produto (em termos técnicos / especificações).
Para os que decidem, o bom e o mau produto mede-se por outras medidas
que dependem da "espécie dos decisores".
Mas há um factor muito importante para qualquer que seja o decisor: "O
PREÇO INICIAL"
Meus caros, quando se põe uma placa com "0% DE ENTRADA", é IMPOSSÍVEL
IGNORAR!!!!
Não o podemos ignorar, este é UM DOS MAIS IMPORTANTES TRUNFOS do open
source!
Mas como é natural, esse factor não é suficiente!
Mesmo de borla ninguém leva uma porcaria que não lhe serve para nada e
embrulhado num papel de jornal, certo?!
Ora bem, posso adiantar aqui alguns dos factores que considero que
levam os decisores a optar:
- Preço (principalmente o inicial)
- Aspecto / Embalagem
- Segurança / Risco / Responsabilidade (sacudir a agua do capote)
- Funcionalidades
- Simplicidade (don't make me think) - curva de aprendizagem
- Qualidade (adequação à necessidade)
- Fiabilidade / Durabilidade
- Escalabilidade
Se olharmos para eles e o que as soluções FOSS4G oferecem, verificamos
que actualmente só são fortes em:
- Preço
- Qualidade (Adequação à necessidade)
- Escalabilidade
- Funcionalidades (eventualmente)
Claro que o FOSS4G tem muitos outros pontos fortes, mas duvido que os
decisores os considerem:
Interoperabilidade, Open Standards, Estabilidade, etc
Como disse, a importância de cada um destes factores depende da
"espécie" de decisor.
Ora o decisor da função publica, como muitas vezes o dinheiro cai do
céu (do estado ou da EU) o preço até não é muito relevante, nem sequer
os custos a médio/longo prazo (custos dos contratos de manutenção e
actualização de licenças, etc).
O mais importante factor, para estes CRONICOS ALÉRGICOS AO RISCO, é:
- Segurança / Risco / Responsabilidade (sacudir a agua do capote)
Como tipicamente é um decisor que não percebe nada de nada (e dizem-no
à boca cheia, publicamente em discursos e tudo, como forma de
autodefesa) a percepção do RISCO é muito empolgada, agravada com a
inevitável preocupação com o "seu umbigo e carreira". Uma das
primeiras perguntas que fazem é: "que garantias me dão?" e "onde é que
esta solução está a funcionar!" e a pensar "se isto correr mal não
posso assumir com a responsabilidade, tenho de empurrar a culpa para
alguém".
E é aí que a ESRI, INTERGRAPH, AUTODESK, etc ganham, pelo nome e
reputação (fictícia) internacional! (sobrevalorizada pela cultura
Portuguesa)
Só para dar um exemplo, foi o que aconteceu no SIGRia
<http://www.amria.pt/sigria/> (Total de Investimento: 2.500.894,00€),
projecto do Aveiro Digital, quando, previamente ao seu arranque,
propus solução OpenSource aos responsáveis da AMRia e do Aveiro
Digital, e a resposta foi essa: "acredito que seja a solução do
futuro, mas que garantias essa via me dá hoje?". Respondi: "a única
que posso dar é a minha participação e envolvimento"... mas não foi
suficiente, e retorquiram: "Nós até temos alguma verba para gastar..."
(sempre a "droga dos fundos!!!).
E depois vem o incontornável "LOBBY" e "CORRUPÇÃO". Onde a empresa da
mulher/primo do vereador ou do director ganha qualquer coisa com a
adjudicação à empresa A... Acabar com os fundos (dinheiro que cai do
céu) era remédio santo para este sério problema da nossa sociedade e
que tem acarretado tantas más decisões! Talvez depois de 2013 isto se
inverta, quem sabe??? (se ainda houver função pública!)
É por isto que eu considero praticamente impossível a entrada do Open
Source pela PORTA DA FRENTE num projecto público importante em
Portugal (o único que conheço é o Algarve Digital). Por muito que se
insista vamos esbarrar sempre nestes decisores. Eu pelo menos ainda
não encontrei ninguém que quisesse dar uma séria hipótese ao FOSS4G!
Para já acho que a única hipótese do FOSS4G é a INFILTRAÇÃO ou a
CLANDESTINIDADE!
É a entrada nas instituições publicas pelos utilizadores, pela PORTA
DOS FUNDOS, e não pelos decisores!
Por isso acredito que o GISVM seja um bom CAVALO DE TROIA!! ;-)
Abraços,
Ricardo Pinho
------------------------------------------------------------------------
*De:* Gabriel Nolasco <[email protected]>
*Para:* portugal <[email protected]>
*Enviadas:* Quinta-feira, 1 de Abril de 2010 16:24:32
*Assunto:* [Portugal] Re: Open source cresce em maturidade?
Boa tarde,
Penso que o Fred tocou no aspecto essencial da questão.
Mesmo em tempos de fortes restrições orçamentais, o enfoque deve ser
colocado nas vantagens de ter o código aberto e na liberdade que isso
confere no desenvolvimento de aplicações ajustadas aos requisitos dos
utilizadores (e isto tem custos...).
Será por aí que o FOSS se deverá afirmar, colocando o enfoque no "OS"
e não no "F"!
Cumprimentos,
Gabriel Nolasco
------------------------------------------------------------------------
*De:* Fred Lehodey <[email protected]>
*Para:* portugal <[email protected]>
*Enviadas:* Quinta-feira, 1 de Abril de 2010 12:40:21
*Assunto:* Fwd: [Portugal] Re: Portugal Digest, Vol 24, Issue 38
Viva,
uma pequena opinião, nesta conversa:
O dinheiro (i.e. falta dele) não pode ser nem o primeiro nem o melhor
argumento para vender soluções ou serviços baseados em FOSS.
Isso não funciona.... nem em tempos de crise....
Temos que propor boas soluções (idealmente o que se faz de melhor) e
fazer as contas só no fim....
Fred.
---------- Forwarded message ----------
From: *Artur Gil* <[email protected]
<mailto:[email protected]>>
Date: 2010/4/1
Subject: Res: [Portugal] Re: Portugal Digest, Vol 24, Issue 38
To: [email protected] <mailto:[email protected]>
Ricardo, muito bom o documento do Plano. Espero que possa servir de
"inspiração" a muitos decisores e técnicos com recursos_
efectivamente_ limitados.
Abraços
AG
------------------------------------------------------------------------
*De:* Ricardo Pinho <[email protected]
<mailto:[email protected]>>
*Para:* Luís Ferreira <[email protected]
<mailto:[email protected]>>
*Cc:* OSGeoPortugal <[email protected]
<mailto:[email protected]>>
*Enviadas:* Quinta-feira, 1 de Abril de 2010 0:14:55
*Assunto:* Re: [Portugal] Re: Portugal Digest, Vol 24, Issue 38
Viva Luis,
> Na minha opinião, para causar impacto junto de um autarca relativamente
> a uma mudança, a abordagem poderá ir por dois lados:
> 1º - A demonstração de poupança em recursos financeiros que...
> 2ª - Enumerar casos de estudo e adopções de FOSS/FOSS4G por...
É a resposta lógica, mas lamento comunicar que não é por aí!
Porquê? porque parte de pressupostos errados, que os dirigentes
procuram o melhor para a instituição que dirigem.
Mas infelizmente isso não é assim, procuram o melhor para si e para a
sua carreira!
Eu pensava assim há 10 anos, quando optei por ir trabalhar para uma
autarquia e levar um projecto SIG Autarquico para a frente!
Com muita determinação e contra tudo e contra todos tentei seguir essa
lógica... mas aos poucos fui-me apercebendo que ninguém quer saber de
soluções de poupança de recursos financeiros, nem de melhorar a gestão
do território: o que se prega ao povo é uma coisa o que se pratica é
completamente diferente!
Deixem-me contar uma história real com a qual aprendi uma lição, com
grandes custos pessoais!
Em 2006, quando já estava em fase de desistência do projecto SIG
Municipal, foi-me feito um convite de um vereador para participar num
projecto de Região Digital (Entre Douro e Vouga Digital:
http://www.edvdigital.pt ), um projecto 2004-2007 e cuja candidatura
não tinha previsto nada em SIG, inclusive qualquer verba! E
disseram-me eu era a pessoal indicada para (fazer o milagre de)
desenvolver nele "projectos SIG".
Na situação em que me encontrava, aquela era uma oportunidade a não
desperdiçar, pois tinha aquela esperança de que a nível regional as
coisas fossem diferentes. Mesmo sabendo que tinha pouco mais de 1 ano
e 0 de verba, aceitei!
(claro que 0 de verba => open source!!!)
Uma das minhas primeiras acções foi tentar juntar os 5 Municípios
(Arouca, Oliveira de Azemeis, SJ Madeira, S Maria da Feira e Vale de
Cambra) num projecto comum de SIG Regional, e comecei por propor para
debate entre todos os técnicos SIG desses municipios, um "Plano
Estratégico de SIG Regional" (leiam com atençao, uma das primeiras
versoes)
http://dl.dropbox.com/u/1236917/edvd/sigregional/CC_29jun06_doc_estrat%C3%A9gico_SIGRegional_20060623.pdf
Reparem que em todo o documento, muito cautelosamente, referi o open
source apenas num único momento (pag. 6)
"OBJECTIVOS GERAIS:
...
- Opção de utilização preferencial de software em Código Aberto (Open
Source), como forma
de ultrapassar os impedimentos inerentes ao licenciamento e direitos
de autor associados
ao software e alcançar a interoperabilidade entre aplicações do Portal
Regional."
Que vos parece? o documento em si? Parece lógico, óbvio, inspirador,
entusiasmante?
Como pensam que foi a reacção dos colegas a esta proposta?
Aplaudiram, manifestaram entusiasmo e vontade de aderir à ideia!?
NÃO! Apedrejaram-me com críticas!!!
Quer por parte dos técnicos quer por parte dos respectivos Vereadores,
e principalmente do município mais "avançado" em SIG, para o qual eu
pensei que poderiam entender melhor a proposta e o potencial do
projecto: Santa Maria da Feira!
E sabem qual foi o fim da história?
Depois de muita persistência minha e algumas alterações, sempre
acompanhadas de critica e bota abaixo, lá se assinou o Plano! Mas
nunca ninguém fez nada, ou quase nada para o cumprir! (e isso foi dito
claramente em reuniões). O pouco que foi feito, foi feito por mim,
sozinho, e deixei uma pequena janela disponível aqui:
http://sig.entredouroevouga.pt
Conclusão:
NÃO PARTAM DE PRESSUPOSTOS ERRADOS DE QUE A LÓGICA E A RACIONALIDADE
EM PROLE DO INTERESSE PUBLICO SÃO A BASE DA DECISÃO!
Mas continuo a acreditar que há outras maneiras de dar a volta, tem de
haver!!!
Talvez se possa aprender com o exemplo do Linux vs Windows ;-)
Acho que o segredo está na cooperação dos "bons", a união faz a força!
RP
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*De:* Luís Ferreira <[email protected]
<mailto:[email protected]>>
*Para:* Ricardo Pinho <[email protected]
<mailto:[email protected]>>
*Cc:* OSGeoPortugal <[email protected]
<mailto:[email protected]>>
*Enviadas:* Quarta-feira, 31 de Março de 2010 2:23:29
*Assunto:* Re: [Portugal] Re: Portugal Digest, Vol 24, Issue 38
On Tue, 2010-03-30 at 16:26 -0700, Ricardo Pinho wrote:
> Mas a culpa não é toda da ESRI, INTERGRAPH, etc.
> A resposta para essas perguntas é mais elementar do que pensam, meus
> caros: "QUEM NÃO SABE FAZER COMPRA TUDO FEITO!"
> E assim pode manter o seu emprego (tacho de dirigente municipal) e,
> mesmo não percebendo nada do assunto, fazer brilharetes em alguns
> congressos para melhorar o seu CV e progredir na carreira...
>
> Doa a quem doer, esta é a verdade... para quem a quiser ver...
Exactamente. É fácil justificar a compra de licenças de software e
extensões, mas o que na realidade acontece é uma avaliação exagerada das
necessidades reais da instituição. Compram capacidades que são usadas em
poucas ocasiões principalmente devido ao facto de ser fácil para um
vendedor convencer um dirigente que se a instituição não comprar o
produto mais actual "xpto" será deixada para trás.
A usual fraca capacidade de uso dos sistemas de informação por parte dos
técnicos das autarquias é normalmente devida a uma educação/formação
orientada para o software e não para a explicitação dos modelos de
dados/algoritmos, com casos de estudo e aplicações práticas.
> Pessoal, que fazer para mudar isto? ideias não me faltam... ;-)
Na minha opinião, para causar impacto junto de um autarca relativamente
a uma mudança, a abordagem poderá ir por dois lados:
1º - A demonstração de poupança em recursos financeiros que
advém do uso de FOSS/FOSS4G, com números bem explícitos,
comparando com o investimento necessário ao uso de softwares
proprietários;
2ª - Enumerar casos de estudo e adopções de FOSS/FOSS4G por
entidades públicas, demonstrando a analogia de processos entre
livre/aberto e fechado/comercial.
Teria de ser feita uma análise-tipo das necessidades do utilizador, uma
análise custo-benefício (custos de arranque e implementação, custos de
conversão de dados, outros custos..., benefícios quantificáveis e não
quantificáveis), e uma análise de risco (possíveis fontes de risco numa
conversão de sistemas e apontar soluções para minimizar os impactos).
Isto parece-me trabalho para uma tese.
Um alvo potencial para uma demonstração será a ANMP, Associação Nacional
dos Municípios Portugueses.
Obviamente que a proposta por parte de um técnico, de mudar para
FOSS/FOSS4G, vai contra os interesses comerciais instituídos e as suas
ligações locais, e a inércia natural e oposição à mudança dos
utilizadores.
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