Software livre é um ponto de encontro


Movimentos sociais existem enquanto houver reivindicações. Que são várias. No movimento popular, de moradia por exemplo, quando é feita uma ocupação de terra tem todo tipo de interesse, desde quem só quer um lugar para morar, até gente com "idéias capitalistas" de ocupar um área e depois vendê-la, passando por partidos políticos.
É a característica diferente de partido político e movimento social.
Num partido político, em tese, os correligionários comungam as mesmas das idéias sobre meios de produção, papel do Estado, República, Democracia, etc.
Num movimento social como o software livre cabe alguém procurando emprego, uma empresa (capitalista) procurando mercado, partidos políticos com referências libertárias, e/ou de esquerda (socialistas, sociais democratas), anarquistas, Ong,s, agentes de governo, grandes empresas multinacionais de hardware, querendo diminuir a conta de software da informática, empresas de software com modelo de negócios baseado em agregados do software (propaganda ou serviços), revolucionários, reformistas, republicanos e democratas radicais, militantes da democratização do conhecimento (cultiura, software, inclusão digital).
O movimento precisa... movimentar! Precisa priorizar o que nos une e não o que nos separa. Então, se tem capitalistas que querem reformar o capitalismo atrvés de software livre, ou socilaistas que veem (isto tinha acento antes) no Software livre uma movimento de criação de uma nova sociedade, eles tem que estar juntos, até... Este problema aparecer definitivamente daqui a... uns 10 anos, 50?!
O software livre deixou de ser um movimento retórico, já existe na vida das pessoas, já tem gente qe vive disto, já reune milhares de pessoas em eventos, mas ainda não tem força para suficiente para suplantar o modelo proprietário. Quando talvez tivermos 20% da base instalada nos meios de produção, este debate seja uma preocupação da sociedade. Por enquanto serve para cada um de nós expor o que pensamos, e nos agruparmos por afinidades ideológicas, mas temos que evitar que estes grupos se percam na disputa interna e implodam o movimento.





Julian Carlo Fagotti

CELEPAR - informática do Paraná
Assessoria para Assuntos Institucionais
e Relações com a Comunidade

55 41 3350 5519
55 41 9206 8451



Em 12/01/2009 às 10:36 horas, psl-brasil@listas.softwarelivre.org escreveu:

para mim o capitalismo sempre esteve muito ligado ao tempo...
não é importante tanto a produção e sim o resultado dela, os
seus privilégios a partir do acumulo e da exploração. creio
que por um tempo o software livre questionou esse tempo e
propondo outras formas de relações sociais ligados ha um
modelo de produção. não vejo mais o software livre assim,
ele estão renovando o capitalismo.. que hoje deixa de ser
propriedade para ser direito de uso, em tudo. o debian ainda
resiste, e evitar essa velocidade guiada pelo consumismo
desenfreado.

detalhes, tipo, de alguns dialogos no gnome e no kde que não
cabem mais em resolução de 800x600, que me obrigado trocar a placa de
vídeo, por sua vez a placa mãe, processador, todo computador..
sim, para a placa de vídeo que suportar "1280x800" do monitor
lcd widescreen tem suporte.. e assim o tempo capitalismo vao
nos empurrando para o consumo... olha para onde esta indo o
libc e pouco se falam em uClibc




On Sun, 11 Jan 2009 23:55:59 -0200, rafael <rafaelcro...@gmail.com> wrote:
> Ola Pessoal,
>
> Não posso escrever muito no momento, pois este é um assunto que
> pretendo um dia elaborar com calma, e antes de fazê-lo preciso ler uma
> boa bibliografia que encontrei na Internet discutindo essa questão. Tem
> muita coisa discutindo o socialismo e o SL, é so dar uma busca. Vou ver
> o que escrevo em 5 minutos...
> De uma forma estrita, o Software Livre tal qual ele existe não
> encerra uma contradição necessariamente antagônica com o modo de
> produção capitalista na fase atual em que o vivenciamos (onde os
> monopólios já detêm um domínio quase absoluta de todas as esferas da
> vida humana). Existe espaço no capitalismo para um SL domesticado,
> privado das consequências mais radicais da aplicação das idéias que o
> geraram.
> É um caso análogo ao fenômeno das cooperativas. Apesar da forma
> cooperativada de trabalhos, pressupondo os trabalhadores como
> proprietários diretos de seus meios de trabalho, seja uma negação da
> propriedade capitalista dos meios de produção (onde o trabalhador não
> tem os meios de produção, só sua força de trabalho), percebemos como
o
> sistema utiliza as cooperativas até para ser oxigenado.
> Quem quer que tenha trabalhado em uma cooperativa no Brasil hoje,
> sabe o quanto não se pode avançar muito, pois você é uma ilha cercada
> por um oceano que é esse sistema capitalista de concentração de
riquezas
> . Infelizmente no Brasil, a maioria das cooperativas existem como uma
> estratégia de terceirização, os famosos coopergatos, apenas para não
> pagar os direitos da CLT. Uma subversão total da idéia inicial.
> Tenho o mesmo sentimento com relação ao SL. Acho que apenas andamos
> na ponta do iceberg e que dentro do capitalismo nosso movimento não
> existirá plenamente, resistirá com avanços, mas retrocessos. Eu sou
dos
> que pensam que a comunidade do SL deveria se afastar conscientemente,
> pese todas as dificuldades das grandes corporações que não são "evil"
> ...
> A crise que vivemos hoje é uma crise de transição de modo de
> produção. O Capitalismo sofre graves contradições internas, vc
apontou
> uma, a concorrência entre os capitalistas por engolir-se o que impede
> uma planificação da produção econômica.
> Outra, a principal, é que cada vez mais a produção é social e a
> apropriação das riquezas produzidas é privada. Uma dada mercadoria,
por
> exemplo, pode passar por mais de um país (por muitos trabalhadores) no
> seu processo de produção, de tal forma que toda a humanidade fica cada
> vez mais interligada. Seus problemas são cada vez problemas mais comuns.
> E cada vez mais, meia dúzia de empresas controla uma parte maior dessas
> riquezas geradas socialmente. Já no desenrolar desta crise o movimento
> de concentração é gigante. Os tubarões engolindo os tubarões...
> Para mim, a contradição entre SL e Software proprietário é mais uma
> manifestação da mesma contradição entre os sem terras e os
> latifundiários, entre os donos das fábricas e seus operários...
> Bom, foi o que deu para escrever em 5 min...
>
> Para uma análise mais detalhada da atual crise e porque sua
definição
> como uma crise de transição, sugiro o link (site em SL):
>
>
http://inverta.org/jornal/no-instante/especial/crise/a-crise-do-capital-e-o-fim-da-hegemonia-mundial-dos-eua
>
> Rafael
>
>
> Marcel escreveu:
>> Bruno Salgado wrote:
>>>>> Para mim o software livre é incompatível com o capitalismo.
>>>>>
>>>> Pode elaborar?
>>>>
>>>
>>> Fiquei MUITO curioso tb...
>>>
>>> []s Bruno
>>>
>>>
>>> 2009/1/10 Alexandre Oliva <lxol...@fsfla.org>:
>>>
>>>> On Jan 10, 2009, rafael <rafaelcro...@gmail.com> wrote:
>>>>
>>>>
>>>>> Para mim o software livre é incompatível com o capitalismo.
>>>>>
>>>> O nosso movimento é um movimento social, sem dúvida, e muitas vezes
>>>> encontra força na esquerda, mas isso não quer dizer que seja, por
>>>> exemplo, socialista. Segundo consigo ver, o movimento Software Livre
>>>> não é antagônico a sistema econômico ou político algum.
>>>>
>>>> Embora capitalismo de sucesso seja aquele em que não se formam
>>>> monopólios e não se concentra o poder (econômico ou qualquer outro)
>>>> nas
>>>> mãos de poucos, o capitalista de sucesso é aquele que alcança
>>>> monopólio
>>>> e concentra poder. É uma das minhas contradições favoritas a
>>>> respeito
>>>> desse sistema.
>>>>
>>>> Há contradições semelhantes em diversos outros sistemas. Nenhum é
>>>> perfeito, nem poderia ser, porque seria implementado por humanos, que
>>>> são imperfeitos.
>>>>
>>>> Gostaria de entender melhor por que você considera que a garantia do
>>>> livre mercado de serviços sobre software, que é uma das
>>>> conseqüências
>>>> positivas das 4 liberdades, é incompatível com o capitalismo. Como
a
>>>> comoditização de produtos, à medida que, por pressão de
>>>> concorrência
>>>> nesse livre mercado, o preço do licenciamento vai se aproximando do
>>>> custo marginal de replicação e assim tendendo a zero, direcionando o
>>>> foco comercial aos serviços, é incompatível com o capitalismo?
>>>>
>>>> Pode elaborar?
>>>>
>>>> Valeu, {}s,
>>>>
>>>> --
>>>> Alexandre Oliva http://www.lsd.ic.unicamp.br/~oliva/
>>>> You must be the change you wish to see in the world. -- Gandhi
>>>> Be Free! -- http://FSFLA.org/ FSF Latin America board member
>>>> Free Software Evangelist Red Hat Brazil Compiler Engineer
>>>>
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>>>> PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org
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>>
>> Fiquei MUITO curioso tb...[2] pela resposta :D
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