2013/11/2 Raphael Bastos <[email protected]>:
> Casfre,
>
> Você apenas esqueceu de um detalhe: O samba tem suporte a tabela de
> usuários, porém para usar como PDC e escrita em disco com permissão de
> usuário usando ACL semelhante ao Acitve Directory, é necessário que você
> tenha scripts pra alimentar a tabela de usuários local (/etc/passwd
> /etc/shadow) ou você precisa de integração do PAM, que é pelo óbvio a
> solução mais inteligente.

Noção de AD em Samba é a partir da versão 4, certo? Quanto mais você
especificar os requisitos, mais apuradas terão que ser as análises do
problema proposto. Tão 'inteligente' quanto, seria usar um AD mesmo,
feito pela Microsoft. Afinal, se o conceito de AD, incluindo suas ACLs
e particularidades, proposto e implementado por ela, serve como
solução, ele é uma opção tão aceitável quanto outra qualquer. A
inviabilização da solução Microsoft seria por causa do preço ou do
código fechado? Há essas definições em seus requisitos de base para
análise? Continuamos mantendo à distância o mérito da questão 'o que é
inteligência'.

A propósito, poderia esclarecer essa necessidade de popular o passwd e
o shadow nesse contexto que definiu? No Samba 3, integrado ao
OpenLDAP, essa limitação é totalmente suprida por aquela integração (a
necessidade de haver o id e o gid do usuário que é inserido na base de
usuários do SAMBA, além de existir as definições de usuário e grupo do
próprio SAMBA). Se você analisar a base LDAP desse tipo de instalação
que citei, vai perceber lá esses dados cadastrados para o mesmo
usuário. Esse ambiente que citei usa Slackware, sem PAM, tanto para o
SAMBA quanto para o LDAP.

Salvo engano, apenas a parte 'ACL semelhante ao AD' poderia demandar a
integração com PAM (o que eu nunca usei nem testei, portanto, não
sei). Para trabalhar como PDC, com permissões de escrita e leitura,
dentro daquilo que o Samba 3 permite, não percebo necessidade de uso
de PAM. Não fiz nenhum uso de Samba 4 ainda, logo, não posso nem
afirmar nem negar a necessidade de integração via PAM, no contexto que
você definiu.

> Então tudo bem, entendo toda sua filosofia, não discordo, porém quando se
> olha pra aspectos TÉCNICOS, e quando se visa qualidade ao invés da pura e
> BURRA simplicidade, aí sim a sua idéia no email enterior cai por terra.

IMHO, creio que haja algumas premissas ausentes e talvez mal
interpretadas. Não é minha 'filosofia', mas filosofia. Mesmo que eu
não existisse, ela continuaria lá. Circunstancialmente, trata-se de
princípio no qual eu acredito e que tem bases razoáveis para se
sustentar. Não percebo essa incompatibilidade entre filosofia e
aspectos técnicos.

Qualidade é um conceito muito amplo, indo muito além dos aspectos
técnicos de qualquer solução que seja. Quanto mais complexo você
definir o ambiente, maior será a amplitude do conceito de qualidade e
maior será o número de variáveis que vão interferir na definição
daquele conceito. Posicionar qualidade e simplicidade como opostos
também carece de definições muito exatas de contexto. Podem ir em
direções opostas em um contexto e serem interdependentes em outro.
Simplicidade não é, por si só, nem oposto nem sinônimo de qualidade.
Também encontro dificuldades em aliar, sem uma margem imensa para erro
e imperfeição, o conceito de 'BURRA simplicidade'. Tanto um quanto
outro dependem consideravelmente do contexto. Vamos nos manter
distantes da questão 'o que é BURRA'.

Qualquer ideia 'cai por terra', dependendo do contexto que você
definir e de quem estiver argumentando, contra e a favor. A questão
central não é minha ou sua ideia cairem por terra, mas encontrar uma
ideia que se adeque aos requisitos em questão. Nesse caso, uma solução
que seja baseada em Slackware + simplicidade - PAM. É apenas uma
questão de contexto.

É perfeitamente aceitável, como em qualquer outro aspecto da vida,
chegar-se à conclusão de que o Slackware não é apropriado para esse ou
aquele contexto. Isso se aplica a qualquer outra distro ou artefato
similar. O desvio no raciocínio acontece quando se define essa
inadequação como sendo uma falha (ou imperfeição, ou inadequação) na
filosofia KISS do Slackware. Essa extrapolação do raciocínio não se
sustenta. Mesmo em contextos bem definidos, creio que a extrapolação
não se sustente.

> Volto a repetir: o mundo adulto as vezes exige uma maior complexidade e
> qualidade em ambientes de produção real. ;)

Novamente, IMHO, creio que é necessário contextualização e alcance de
conceitos. Veja, complexidade e qualidade não são sinônimos nem
opostos por si só. Podem convergir em um contexto e divergir em outro.
Não vejo uma base sustentável para definir qualidade só em algo que
seja complexo e nem para definir falta de qualidade em algo que seja
simples. Pelas mesmas razões, não vejo sustentação para não haver
soluções simples provendo qualidade em ambientes complexos. O fato de
ser 'ambiente real de produção' não me parece suficiente para
especificar um contexto específico.

Não encontrei elementos para entender o que você define como 'mundo
adulto' e nem para entender como isso se associa a 'maior complexidade
e qualidade'. Do que se trata?

Com o foco em ter ou não ter PAM em Slackware, creio que somente em um
contexto específico e bem definido seria possível afirmar algo próximo
de: o Slackware, por não usar PAM (por padrão, como você definiu),
para esse contexto, com tais requisitos de funcionalidades
específicas, com essa e aquela particularidade, não produz a melhor
solução. E, mesmo assim, ainda poderíamos incorrer em erro, por não
conhecer essa ou aquela alternativa.

É exatamente por isso que é importante manter princípios e uma
'filosofia' que sustenta as ideias e que orienta os questionamentos. É
assim em praticamente tudo que fazemos na vida. A certeza de hoje pode
ser a negativa de amanhã; basta mudar o contexto.

Obrigado.

Cássio

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