On Wed, Jan 22, 2020 at 8:35 PM Gerald Weber <[email protected]> wrote:
> A proposta se baseia na ligação entre duas cidades, mas quais duas cidades?

Para um determinado nível viário (ex.: trunk), todos os pares de
cidades maiores que um determinado limiar populacional (ex.: 100k). A
ideia original é que trunk seria a rede formada pelas melhores rotas
entre place=city, com base na descrição genérica do wiki em inglês
[1], na qual as comunidades de outros países se basearam para definir
seus próprios sistemas de classificação.

O limiar não seria necessariamente 100k. No RS, adotou-se 200k. Em
Minas poderia ser mais. No Amazonas, por exemplo, poderia ser menos. O
limiar escolhido depende de vários fatores, de uma análise cuidadosa
em cada região, e da opinião da comunidade regional.

> Aí eu li o tal raio de influência, fazendo uma conta no caso de BH isto dá 
> 1700 km. Então devo considerar que todas as cidades no raio de 1700 km com 
> mais de 200 mil habitantes devem estar ligados por vias tipo trunk? Se der o 
> resultado que eu tô pensando quase tudo viaria trunk, e perderíamos a 
> hierarquia das vias.

Como, para todo par de vias, é possível afirmar "esta é mais
importante do que aquela", o resultado é uma hierarquia com centenas
ou até milhares de níveis. A ideia aqui é discutir exatamente onde
começa e termina cada nível hierárquico.

> Sabe, isto me soa muito como um algorítmo, penso que seja factível fazer uma 
> simulação.

Importante que seja feita a partir de dados confiáveis. Poderíamos
fazer com os dados do OSM, mas o mapeamento está bem incompleto e com
frequência os roteadores que usamos (OSRM, GraphHopper, etc.) dão
rotas fazendo ziguezagues por vias pouco importantes ou mesmo
não-pavimentadas. Por isso a proposta deixa aberto para discussão caso
a caso pela comunidade.

> Há uma premissa implícita na proposta que não sei se é verdadeira. A primeira 
> premissa é que fluxo de trânsito e importância da via sejam a mesma coisa.

No RS, em certo momento foi proposto que a classificação fosse baseada
no VDM, mas o que está sendo proposto não corresponde exatamente ao
VDM. A classificação viária apresentada pelos principais concorrentes
do OSM (Google Maps, Here.com, Waze) não é baseada no VDM nem na
estrutura física das vias, é bem mais parecida com o que está sendo
proposto.

> A segunda é que o fluxo de trânsito seja proporcional ao número de pessoas 
> que residem nas duas pontas, esse acho bem problemático.

O fluxo de uma via gerado por um par de pólos geradores de tráfego em
geral é proporcional à população e inversamente proporcional ao tempo
do percurso. O fluxo total em geral seria a soma do tráfego gerado por
cada par de pólos. Mas seguindo por este caminho, terminaríamos com
uma estimativa do VDM, que não é bem a intenção.

> A premissa do esquema br2013 era que o formato da via seria proporcional à 
> sua importância.

De fato é proporcional ao VDM e à capacidade de investimento de cada
estado. Como consequência, regiões muito populosas, mas menos ricas,
acabam tendo vias com infraestrutura mais precária (mas não
necessariamente menos importante no sentido geográfico) do que outras
regiões com população similar.

> O mérito da nova proposta tentar é suprir esta deficiência, mas penso que 
> falta um estudo de impacto, tenho a impressão que pode dar resultados bem 
> estranhos.

Pode, por isso (1) permitir que casos específicos sejam discutidos com
a comunidade local e (2) discutir os limiares populacionais adequados
a cada região.

> Não creio que RS seja representativo do restante do Brasil.

Temos regiões densas, regiões rarefeitas, rodovias estaduais em bom
estado, estradas federais em mau estado, várias contradições. Mas
claro, cada região tem suas particularidades.

> Agora tem uma coisa que não temos usado até o momento, que são as 
> classificações oficiais.

Somente MG e SC têm classificações oficiais e publicadas na Internet
até onde eu sei.

> Estas são baseadas em estudos de fluxo de trânsito real.

São? Fluxo?

> Aqui em Minas tivemos acesso a dados do DEER-MG. Eles usam como classificação 
> "troncal", "primária coletora", "secundária coletoria" e "local". Nos últimos 
> dois anos tenho comparado a classificação do DEER-MG com as nossas, há mais 
> concordâncias do que discordâncias. A principal diferença são vias que o 
> DEER-MG considera "troncal" e que no nosso caso são "primary".

Aumentar a densidade da malha troncal do país é a ideia principal
dessa proposta e também da proposta da Top 5 BR. [2] A principal razão
pra propor isso é a comparação entre o resultado obtido no Brasil com
a classifficação de 2013 e a classificação dos outros países, onde
inclusive há troncais com infraestrutura bem inferior à que a
classificação de 2013 exigiu. Também não queremos aumentar demais, e a
melhor forma de regular a densidade resultante é analisar o impacto da
escolha dos limiares populacionais.

> Por exemplo, a BR262 entre BH e Uberaba, e a MG-050 de Juatuba e divisa MG/SP 
> são consideradas "troncal" pelo DEER-MG.

Também seriam troncais por essa proposta.

> Fazer a uma tabela de conversão OSM/DEER-MG seria algo muito simples. Penso 
> que adotar a classificação oficial seria menos problemático e menos polêmico.

Sim, porém, há várias questões:
1. A classificação oficial produz um resultado adequado ao OSM em
comparação com outros países?
2. A classificação oficial produz um resultado uniforme e coerente
entre as diversas regiões do país?
3. A classificação oficial expressa a real importância da via para os
cidadãos da região, ou expressa mais interesses políticos, prioridade
de desenvolvimento regional, etc.?
...

> Pode ser que não se consiga esta informação para todos os estados. Mas 
> certamente em MG acho que o resultado seria bem satisfatório.

Numa rápida avaliação a partir dos dados que você me passou lá em 2018
[3], a malha troncal oficial seria aproximada pelo método proposto se
fixarmos o limiar de trunk em MG em 500k ao invés de 200k. Com esse
limiar, a única rota que seria adicionada à malha, divergindo da
classificação oficial, seria Juiz de Fora, MG - Ribeirão Preto, SP,
que pode muito bem ser tratada como exceção através de consenso pela
comunidade estadual. Ou não, caso a comunidade local julgue que é uma
rota importante.  Daí volta-se à questão de ajustar os limiares por
região. Eu concordo que, de forma geral, o ideal é seguir a
classificação oficial onde estiver disponível, como é o caso de MG.
Mas a disponibilidade dessa informação em MG é uma exceção no Brasil.

Por outro lado, o limiar de 500k produz uma malha bem menos densa do
que a que se observa em regiões com densidade similar na Europa e na
América do Norte, onde estão as comunidades mais ativas no OSM. Então,
em MG a discussão poderia ser dividida em duas: (1) se o método
proposto aproxima a classificação oficial para o limiar de 500k (caso
em que a gente poderia dizer que ela é uma boa forma de avaliar a
classificação funcional das regiões que não têm essa classificação; eu
acho que é) e (2) se o limiar escolhido pelo DEER-MG está adequado às
expectativas do OSM (preciso analisar mais casos particulares antes de
formar uma opinião sobre isso).

[1] https://wiki.openstreetmap.org/wiki/Key:highway
[2] https://forum.openstreetmap.org/viewtopic.php?pid=700675#p700675
[3] https://forum.openstreetmap.org/viewtopic.php?pid=687977#p687977

-- 
Fernando Trebien

_______________________________________________
Talk-br mailing list
[email protected]
https://lists.openstreetmap.org/listinfo/talk-br

Responder a