Tô na platéia, aplaudindo muito... continuem, meninos... Estou comendo e bebendo 
tudinho... Obrigada... 
Sônia Amélia
-----Mensagem Original----- 
De: joão augusto santos silva 
Para: Unindo Samba 
Enviada em: segunda-feira, 9 de janeiro de 2006 11:04
Assunto: En: [S-C] quem veio primeiro


Bem apurado esse pequeno relato, e aí quero meter a minha colher de pau,
  para dar ritmo a esse debate/connecimento. Temos que falar da intromissão
  dos jesuitas com os nativos indigenas. Aplicando a catequese e trazendo in
  formação musical européia, impondo as formas naturais de celebrações, o uso
  do "Canto Chão Gregoriano" com os elementos repetitivos e anasalados dos 
"silvicolas". E após, passado algum tempo, a participação contribuição dos ne
  gros, que aqui se tornam escravos trazendo consigo a grande poliritmia empre
  gada pelos mesmos em seus festejos e comemorações.

Wellington Diniz <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
  De: "Wellington Diniz" <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [email protected]
Data: Mon, 09 Jan 2006 09:21:42 -0500
Assunto: [S-C] quem veio primeiro

Caríssimos, tentarei ser o mais breve possível, já sabedor da dificuldade de ser 
conciso. O assunto é espinhoso e carece de espaço.Em minha modesta opinião a Música 
Popular Brasileira têm suas origens nos índios pré-cabralinos. Contudo, a pesquisa 
historiográfica é praticamente impossível, pois não há documentação para tanto. Já na 
carta de Pero Vaz de Caminha há referências de festejos entre a tripulação das naus de 
Cabral com os indígenas brasileiros, festejos regados à música e dança. Com a chegada 
dos primeiros lotes de negros, por volta de 1532, começa esta louca mistura entre 
elementos indígenas, que para alguns não é relevante, negros e europeus. Ao que parece 
o batuque dos negros das senzalas, e é o que defende Ricardo Cravo Albin, associados 
às palmas do indígena inicia esse lento processo de amálgama. Em 1549 começa a aportar 
em terras tupiniquins os jesuítas que irão introduzir novos elementos:o instrumental 
europeu, o cantochão adaptado e os autos teatrais. Estes 
elementos serão importantíssimos na formação da Música Brasileira. Com relação ao 
batuque é de extrema dificuldade, senão impossível, determinar suas características 
enquanto genêro. Uma coisa, no entanto, parece líquida e certa: sua associação com 
dança, música, comida, bebida, dádivas e deuses. Havia uma confusão entre batuque e 
lundu, que é grafado de várias maneiras, na mentalidade branca. Todos os tambores 
negros são ditos batuque ou lundu. Os tambores são emblemáticos na formação da Música 
Brasileira, pois eles são os instrumentos musicais da celebração afro, criando uma 
ligação inelutável com a África. Com esta zona enevoada entre o batuque e o lundu, 
normalmente o lundu era tido como uma outra dança negra. Contudo, há a questão do 
lundu dança e lundu canção. Em várias obras de Rugendas podemos ver brancos tocando 
violão enquanto os negros dançam uma espécie de "fandango". E alguns historiadores 
dizem que esta dança representada é o lundu. Após isto nos vem a famosa m
odinha e suas polêmicas. Seria ela brasileira ou portuguesa? Erudita ou popular? Para 
citar as duas mais famosas. O fato é que parece que a modinha foi o primeiro genêro 
urbano, independentemente de ser erudito ou popular, luso ou brasileiro. No início do 
século XIX, com a vinda da corte portuguesa para o Brasil dois, fatores impulsionaram 
e difundiram as modinhas e lunduns, gêneros, que vindos do século XVIII, aparecem 
incontestes na primeira metade do século XIX. Estes dois fatores foram: o piano 
trazido na bagagem real e o surgimento entre nós das primeiras editoras de partituras. 
Vale ressaltar, ao lado destes dois fatores, o teatro de revista, nas três últimas 
décadas do século XIX, como um terceiro fator para a entronização de nossa Música 
Popular. Mário de Andrade chega mesmo a dizer que o caso do piano é dos mais curiosos, 
pois a introdução deste instrumento com sua capacidade completa de solar e acompanhar 
seria mesmo lógica e necessária, pois sua função primordial 
foi profanar nossa música e produzir nossos primeiros virtuoses, criando, com isto, 
uma pianolatria nascida de interesses financeiros. Evidentemente os arroubos pueris de 
nosso bardo da paulicéia desvairada devem ser lidos dentro de um contexto cultural 
onde a busca de uma suposta nacionalidade estava calcada em pressupostos que hoje já 
não encontram eco. Por volta de 1844 nos chegam as danças européias - polca, valsa, 
schottisch, mazurca e a habanera. Aqui começa de fato a gestação do choro, do maxixe e 
do tango brasileiro. O Choro, em seus primórdios, não era um gênero. Era antes uma 
forma brejeira de interpretar aludidos ritmos que aqui chegaram. Os músicos populares 
do Rio de Janeiro por volta de 1870 imprimiam um caráter bastante peculiar aos ritmos 
europeus, sobretudo a polca, que aportaram nas plagas tupiniquins desde 1844, 
introduzindo elementos mais dolentes, que mais tarde seriam catalogados como síncopes. 
Tal interpretação estava assentada na flauta, nos cavaquinh
os e nos violões. Tinhorão (1997) em seu livro Música Popular: Um Tema em Debate nos 
fornece detalhes preciosos de como se deu a origem e o desenvolvimento deste que seria 
um gênero fundamental dentro da Música Popular Brasileira. O autor afirma 
peremptoriamente que "originalmente o choro não constituía um gênero caracterizado de 
música popular, mas uma maneira de tocar, estendendo-se o nome às festas em que se 
reuniam os pequenos conjuntos de flauta, violão e cavaquinho" (p. 111).
A história do choro se confunde com as camadas populares. Segundo o estudioso Tinhorão 
os chorões saíram da baixa classe média. Citando o livro de Alexandre Gonçalves Pinto, 
chorão e boêmio, O Choro: reminiscência dos chorões antigos, Tinhorão cita a 
existência de mais de 280 biografias e notícias sobre velhos chorões. Define, ainda, 
já que não eram profissionais da música, as respectivas profissões de 128 deles. 
Salienta o autor que a grande maioria, 122, eram funcionários públicos dos mais 
variados órgãos. Sendo os Correios e Telégrafos o maior fornecedor com 44 
representantes, vindo logo em seguida as bandas das corporações militares, tendo 
cedido inclusive o célebre Anacleto de Medeiros. Um aspecto interessante de se 
sublinhar é a gama variada de convites para que os chorões animassem festas, onde os 
mesmos se fartavam à mesa. Em uma época em que a música era veiculada apenas ao vivo, 
já que não havia gravações nem rádio e muito menos televisão, este grupos se tornavam i
ndispensáveis para um bom "rega bofe". 
A principal característica do choro em sua gênese, era o improviso. O conjunto de 
choro, como dito anteriormente, era formado pela flauta, que cuidava do solo, pelo 
cavaquinho, responsável pela harmonia, e pelo violão que fazia a "baixaria" em um 
contraponto sistematicamente modulatório. Sendo assim, depois de exposto o tema, cada 
instrumentista saia improvisando, em verdadeiros duelos testando a musicalidade dos 
componentes. Neste período o maior nome do choro foi sem dúvida Joaquim Antônio 
Calado, cuja virtuosidade na flauta rompeu fronteiras e ajudou a semear o que viria a 
ser o gênero Choro. Desta fase de fixação participou também a maestrina Chiquinha 
Gonzaga tendo, inclusive, composto um tango característico nomeado Só no Choro. A 
partir de 1880 o choro se torna cada vez mais popular e se espalha de maneira 
frenética e consistente. Além de começar, a partir desta data, a se delinear enquanto 
gênero malicioso e formalmente começar a tomar o aspecto definitivo do rondó. S
e em seu princípio a forma do "choro" era basicamente a da canção (A-B-A), como por 
exemplo Flor Amorosa de Callado, em seu desenvolvimento vai se tornando um pouco mais 
complexo com a adoção do trio com um Da Capo, para em seguida adotar a terceira seção 
com uma coda ao fim, já se assemelhando ao nosso A-B-A-C-A, cuja forma é hoje a mais 
conhecida e utilizada, tendo esta forma Rondó se bronzeado com a malemolência da ginga 
brasileira caracterizando o choro formalmente.
No aspecto harmônico vale ressaltar a imensa facilidade que o choro vai modulando em 
uma infindável passagem para tons homônimos, vizinhos, afastados, pelos círculo das 
quintas para sempre voltar, de maneira orgânica, ao tom de origem. No tocante ao ritmo 
é impecável a riqueza gerada pela variação de figuras a princípio simples. Há um uso 
sistemático de todas as síncopes, seja a característica, a entre tempos, a entre 
compassos, a anacrústica, enfim, uma caudalosa sucessão de síncopes que geram um 
efeito de "rubato" quase que impossível de se grafar na tradicional notação ocidental, 
sendo, portanto, salutar tentar apreender a noção rítmica oralmente, já que ainda 
temos uma rica tradição oral das raízes do choro. Bem fico por aqui, senão isto acaba 
se tornando um artigo. Muito há para ser dito. Espero que este breve histórico, que 
findo no choro para não alongar muito, sirva para que esta tribuna seja realmente um 
palco para discussões e não mero divulgador de shows, lançament
os etc. Abraços para todos. Wellington Diniz.

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