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From: "Sonia Palhares Marinho" <[EMAIL PROTECTED]>
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Sent: Tuesday, January 10, 2006 2:33 AM
Subject: [S-C] Hamilton de Holanda - O Mágico do Bandolim
Jornal da Comunidade (Brasília), Edição 893 - 07/01 a 13/01 de 2006
CADERNO Número Um
O mágico do bandolim
Hamilton de Holanda, um brasiliense de coração, fala ao Jornal da
Comunidade sobre a sua grande paixão: a música
Luciana Amaral
Ele sorri intensamente, enquanto toca. O bandolim e Hamilton tornam-se um,
numa mágica inebriante, que encanta olhos e ouvidos dos espectadores.
Parece inacreditável ver como esse grande bandolinista contemporâneo
expressa suas emoções pela música. De fato, Hamilton de Holanda é um mago
das cordas, cujo dom conquistou milhares de fãs pelo Brasil afora e pelo
mundo. O melhor de tudo: é prata da casa, carioca de nascimento, mas
brasiliense de coração, tendo vindo à capital com apenas 11 meses. Seu
pai, o violonista José Américo de Oliveira, percebeu o talento de seus
filhos muito cedo. Ainda crianças, Hamilton e seu irmão Fernando César
foram iniciados, respectivamente, na escaleta e no cavaquinho. Daí, não
pararam mais. Todos os dias, religiosamente, às 19h30, tinha ensaio na
casa de Américo, mas nada era forçado. A música estava nas veias e nos
genes da família.
Hamilton descobriu o bandolim ainda com seis anos, quando ganhou o
instrumento de seu avô. Como não havia professores do instrumento na
época, o jeito foi aprender violino - que tem a mesma afinação - e adaptar
o aprendizado ao bandolim. Daí, para tocar com grandes músicos no Clube do
Choro, foi um pulo. No entanto, ele não se considera mais um "chorão".
"Faço música brasileira, mas não consigo identificar um estilo específico.
Deixo isto a cargo dos especialistas", avisa.
Antes mesmo do encerramento de sua extensa temporada em 2005 - quando fez
entre 100 e 120 shows - Hamilton recebeu o Jornal da Comunidade para a
seguinte entrevista:
Você e sua família se consideram precursores do choro para as novas
gerações?
Realmente, fomos precursores da nova geração de Brasília. Já havia
"chorões" na capital antes mesmo da inauguração, em 1959. É coisa da
cidade.
Ao tocar, você expressa fortemente suas emoções. O que sente enquanto
toca?
Não é pensado. É natural. É o prazer de estar fazendo o que eu mais gosto
na vida e poder proporcionar prazer às pessoas. A gente vira um corpo só,
uma coisa só. Isso mexe com a emoção. Eu rio em alguns momentos, mas,
quando a música é triste, eu também choro. Cada emoção no seu devido
lugar. Nasci com esse dom especial e preciso compartilhá-lo; não posso ser
egoísta.
As preocupações somem nesses momentos?
Na hora que estou ali, não existe mais nada. Só eu e a música. Se não
estiver dando, no mínimo, 100%, para mim não vale a pena. Sou um
apaixonado, às vezes até demais.
Como é esta relação da Europa com a música brasileira? Lá você é muito
mais valorizado?
Acho que há um certo mito em relação a isto. Não é que o europeu valoriza
mais o artista brasileiro, mas existe, é claro, uma diferença de cultura
evidente. Veja a quantidade de compositores do nível de Beethoven, Mozart
e outros, que nasceram e criaram a obra toda lá. É claro que há uma grande
diferença em relação ao Brasil, mas o carinho, aqui ou lá, é o mesmo. Já
as formas de se receber o artista são diferentes e vemos isso no momento
do aplauso. O brasileiro estoura, assovia, é explosivo. Na Europa, as
pessoas não são tão efusivas, mas, quando gostam de algo, os aplausos são
longos, levando de dois a três minutos.
Quais os projetos para 2006?
A exemplo do Cultura em Conjunto Premium, teremos um novo projeto com o
Conjunto Nacional, intitulado "Brasilianos", que é o nome do meu próximo
CD. O projeto começa em março e terá também músicos e atores convidados.
Por enquanto, é só o que eu posso revelar. Quanto ao CD, já temos uma
turnê marcada em 12 cidades, para o lançamento do disco.
Novos talentos
Brasília sempre foi considerada um celeiro de grandes artistas do rock,
mas, o mais surpreendente, é a grande quantidade de talentos da nova
geração trocando os ídolos da guitarra por Pixinguinha, Jacob do Bandolim
e conterrâneos. O choro tomou conta da cidade, graças, em grande parte, à
influência do Clube do Choro e os bons músicos revelados pela Escola de
Choro Raphael Rabello.
O Trio Cai Dentro é um dos exemplos mais marcantes desta tendência.
Henrique Neto, 19 anos (violão 7 cordas); Márcio Marinho, 21 (cavaquinho);
e Rafael dos Anjos (20) fazem um trabalho inovador, no qual o choro é
apenas um dos estilos. O repertório do grupo também inclui baião, samba e
frevo, numa simbiose perfeita entre o antigo e o moderno. Os três músicos
também fazem parte do Choro Livre, um grupo de instrumentistas do Clube do
Choro que faz o acompanhamento de boa parte dos artistas que se apresentam
no local. Com isso, o Trio já teve a oportunidade de tocar com grandes
nomes da música brasileira, como Armandinho, Sebastião Tapajós, Hamilton
de Holanda e Hermeto Pascoal. Além de darem continuidade aos projetos
musicais, Henrique, Rafael e Márcio prometem agora voltar à Escola de
Choro Raphael Rabello, mas, desta vez, como professores.
Outra novidade para 2006 é o lançamento - previsto para o final do
semestre - do primeiro CD de Dudu Maia, um grande bandolinista e discípulo
de Hamilton de Holanda. O músico, que é professor de bandolim na Escola de
Choro, tem experiência internacional e já abriu shows de grandes artistas,
como Gal Costa e o grupo português Madredeus. "O CD será um resumo da
minha vivência musical, mas não é um disco de chorinho", avisa. O
repertório deverá incluir alguns clássicos da MPB, como Disparada, de
Geraldo Vandré e Theo de Barros; Upa Neguinho, de Edu Lobo; e Na Baixa do
Sapateiro, de Ary Barroso, além de composições do próprio Dudu Maia.
Fonte:
http://www.jornaldacomunidade.com.br/?idpaginas=15&idmaterias=106802
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