Aproveitando o gancho do Samba de Roda, o Marcelo = talvez possa me ajudar.
Na Bahia, o pessoal costuma tocar cavaquinho com a afinação de
bandolim. O próprio bandolim muitas vezes é utilizado como = instrumento
de acompanhamento.
Já no Rio, esse tipo de afinação é mais comum nos = sambas-enredo.
Enfim, eu gosto muito da batida de samba de roda com a afinação de
bandolim, marcante em algumas gravações de Clara Nunes e de Roberto Ribeiro.
Pergunto: Alguém poderia indicar algum grupo que faça samba bom nesse estilo
atualmente?
Abraços,
Gabriel Gomes
-----Mensagem original-----
De: [EMAIL PROTECTED] em nome = de Aline M. Mac Cord
Enviada: sáb 2/9/2006 = 15:12
Para: [email protected]
Cc:
Assunto: [S-C] = Etnomusicocentrismo rolando solto na Tribuna
O Marcelo tem bons pontos...
Organizando tanto assunto:
1 - samba x axé
2 - bairrismos x cultura brasileira
3 - Rio x Bahia
4 - Pop x raiz
5 - Cumpadre Washington x Noel x MM
6 - timbales do CW x lápis batendo no dente do Braguinha
7 - Beth x Ivete... etc
Uhm... Será que estou sentindo o cheiro de um certo
*etnomusicocentrismo* na
discussão..?
Tribuneiros, atirai a primeira pedra!
(se alguém desviar o assunto para "outras discussões = etnicas", quem
atira a
pedra sou eu!)
.....
Em tempo, já que acabei de inventar a palavra (que deve ter algum hífen
aí
no meio):
Etnomusicologia:
[De etn(o)- + musicologia.] S. f.
1. Estudo dos sistemas musicais dos diversos povos, em seus = aspectos
formais (os sons e as maneiras de combiná-los) ou socioculturais (usos = e
comportamentos relativos à música, o papel desta, etc.).
Etnocentrismo:
[De etn(o)- + -centr(o)- + -ismo.] S. m.
1. Tendência do pensamento a considerar as categorias, = normas e
valores da
própria sociedade ou cultura como parâmetro aplicável a todas as demais.
Beijinhos
Aline - colocando lenha na fogueira.
On 9/1/06, Marcelo Neder <[EMAIL PROTECTED] > wrote:
>
> Sabe Caio, essa sua frase "O samba carioca tem mais é que se = dar ao
valor,
> e manter suas raízes, sem timbales", me soa curiosa. = Explico. Sou um
> cavaquinhista carioca que mora em Salvador e vive cercado desses = dois
> universos o "samba carioca que a gente toca aqui" e o = samba de roda que
> alguns grupos fazem uma adaptação na letra (apelativa) = transformando
num
> outro gênero: a quebradeira (do verbo quebrar, mexer, rebolar), = entre
outros
> pois o universo do choro aqui também é riquíssimo, apesar da agenda do
samba
> e choro não comentar. É engraçado pelo seguinte, aqui em = Salvador
tem uma
> casa de samba bem gostosa (quem for tribuneiro e morar aqui pode
confirmar -
> quer ver uma coisa: quem conhece o Bêco de Gal aí dê um oi!), chamada
Beco
> de Gal. Gal do Bêco, como é conhecida a sambista dona do lugar = (que
eu
> guardo no meu coração num cantinho muito especial, por sinal = minha
madrinha
> no samba e na vida), detesta quebradeira, e é sambista baiana
(fluminense
> pra falar a verdade, mas com
> quase 30 anos de Salvador). Eu tive o privilégio de poder tocar = lá
com
> muita gente boa, e era interessante notar a divisão do público = em
gostos: os
> mais novos, quebradeira; e os mais velhos (ou não!) samba - que = vc
quer
> chamar de carioca...(pra mim samba é samba, seja aqui, aí ou em Marte).
Os
> mesmos músicos que tocavam músicas do Ilê, passavam pra Zeca Pagodinho e
> cantavam samba de roda (além de se aventurarem no chorinho e se
acabarem na
> quebradeira). Tocar samba de roda (samba-de-roda mesmo, sem
apelação, de
> Santo Amaro, no improviso quase...) com Cumpadre Washington (cantor = do
é o
> tchan), é uma aula de cultura. Claro, não me cobre harmonias
rebuscadas ou
> versos filosóficos, de um gênero que nasceu numa Bahia
Semi-rural.Mas é
> bonito. Ás vezes chega a emocionar pela pureza. Sem contar nas
baixarias de
> violão que ficam duelando com o cavaco. Agora, cultura mesmo é = um
conceito
> muito amplo. Seria muito interessante se todo mundo pudesse ter = acesso a
uma
> matéria chamada
> etnomusicologia. Ela fala mais ou menos isso: Tudo o que o ser = humano
faz
> é cultura. Existe todo um contexto sócio-cultural, uma série = de
valores (por
> sinal o problema axiológico - dos valores, em filosofia está = aí
para ser
> resolvido: quem se aventura a definir os valores corretos para = a
> humanidade?), que determinam o que é agradável para cada nicho
populacional
> pertencente a determinada = "célula-socio-economica-cultural".
> Mas voltemos ao Bêco de Gal. É engraçado o seguinte: não = existe
diferença
> alguma na condução técnica (harmonia-rítmo-melodia) que diferencie o
samba
> de roda (patrimonio da humanidade), para a quebradeira ("gen = defeituoso
do
> micróbio do verme do cocô do cavalo do bandido" aqui na = tribuna):
só muda a
> letra. E outra viu? Não me esbarro só com Cumpadres Washingtons = por
lá não,
> tem muito sambista carioca e paulista que vai até lá tomar uma = em
paz e dar
> uma palhinha (ou só curtir. Se manifestem por favor, não deduro ninguém
pra
> esposa!). Outra coisa engraçada é o termo timbales (instrumento = de
percussão
> com timbre agudo - ás vezes é bom ás vezes é chato pra = cacete,
igual
> tamborim).
> No box de 14 CDs de Noel Rosa tem uma gravação em um deles = (estou
com sono
> e cansado não vou me levantar pra saber qual o número do CD ou = qual
é a
> música) cuja base é feito - se não me engano por Braguinha - = com
um lápis
> batendo no dente. PORRA! Um lápis batendo no dente! Pegue um cd = aí
de Marisa
> Monte, no caso "Verde, Anil, etc..." (tá aqui do meu = lado, por isso
vou
> falar dele). Tem na percussão:
>
> Surdo virado
> Lata de lixo
> Fundo de panela
> pulseira
> Vagem
> Sem contar nos pratos, facas, caixas de fósforos (que = possivelmente me
> dirão que são cariocas) junto com trompas, cellos, bandolim,
clarineta,
> violão e um tal de flugel horn (que se não morder e o som for = bão
nóis
> góizta)...
> Aí eu coloco o dedo na ferida. O CD tem músicas completamente
diferentes.
> Qual é o rótulo desse som? Por quê? Se eu jogar num balaio = escrito
> "Brazilian Music", colocar pra vender a 1,99 em Paris? = Qual é o
problema?
> Aguardo Respostas.
>
> Marcelo Neder
> Cavaquinhista OMB/BA 10.180/05
> Caio Pontual <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> Oi Aline,
> é possível que o grupo sitado não seja realmente um grupo de Axé, eu
sitei
>
> um exemplo de o que se faz de ruim na Bahia, e na minha opinião o
"gênero"
> axé não fica muito atrás, volto a perguntar o que a = Timbalada,
Olodum,
> Daniela Mercury (enquanto axé), Ivete (agora tb sertaneja) = contribuem
para
> a
> melhoria da nossa discografia (enquanto divulgadores de = cultura)?....
Eles
> se preocupam apenas em fazer um ritmo gostoso, uma levada diferente = e
é só
>
> ..... Não acho que a Beth Carvalho vá acresentar nada de = positivo ao
> trabalho dela, se o resultado for mais uma batucada com dendê = (só
pra dar
> um
> tempero da moda ....). Não acho mesmo. O Samba carioca tem mais = é
que se
> dar
> ao valor, e manter suas raízes, sem timbales.
>
> Caio Pontual.
> = __________________________________________________________________
>
>
> Oi Caio!
>
> Eu entendi exatamente ao que você quis se referir.
> Mas ainda assim, continuo a pergunta: você CONHECE o axé?
>
> Diga-se de passagem, que quando o "É o Tchan" surgiu, o = axé já
existia há
> muitos anos, com o Olodum, o Timbalada, Daniela Mercury... Você = pode
até
> não
> gostar, mas nem na Bahia isso é considerado no mesmo patamar que = essas
> músicas de baixaria a que você se refere.
>
> E como eu disse, a maioria dos baianos considera o "É o = Tchan" como
uma
> banda de pagode, e não de axé. Pra isso, basta lembrar que o = nome
original
>
> da banda, antes do sucesso estrondoso da música do "segura o = tchan",
era
> "Gera Samba". E que a tal banda que cantava "na = boquinha da garrafa" se
> chamava "Cia. do Pagode".
>
> Enfim, eu posso garantir a você que em todos os estilos musicais = há
> produtos
> de qualidade.
> (Que é muito diferente de gosto pessoal. Eu mesma DETESTO rock'n = roll,
mas
> não posso deixar de assumir que um ou outro = "barulhento" tem o seu
> valor...)
> :-)))
>
> Se eles vão chegar na mídia, são outros 500.
> Se vão chegar a nós sem que busquemos por eles... acho = difícil.
>
> Beijinhos
> Aline
>
>
>
> On 8/29/06, Caio Pontual wrote:
> >
> >
> > Cara Aline,
> > eu não me referí a música baiana, mas sim a exurrada de músicas
que se
> > convencionou chamar de axé-music. Considero a música = baiana (a que
tem
> > conteúdo) como das melhores (vide Caymmi, Caetano, Gil, = Raul,
Elomar,
> > Tomzé
> > e tantos menos votados), esse grupo É o TChan foi sitado = como um
> exemplo,
> > pois eles foram um dos pioneiros dessa leva, aí eu também = poderia
> incluir
> > os
> > pagodeiros/sertanejos da nova era. Não excluo tb os bregas = do Pará
que
> > estão
> > divulgando o que há de pior nesse gênero, há quem goste, = mas o
que me
> > causa
> > maior preocupação é quanto ao conteúdo dessas = músicas (se
é que podemos
> > chamar isso tudo de música), temos aqui tb uma mina de = vulgaridade e
> > baixarias em letras e músicas, que são os ditos forros = "modernos".
> > E em tudo isso a minha crítica vem se somar àquelas que = dizem da
> ganância
> > das gravadoras e mídia televisiva que só vai aonde se = vende
fácil, sem
> > levar
> > em conta a contribuição que esse "artistas" = podem estar dando ao
povão
> > (tão
> > cheios de vida de gado - vide Zé Ramalho).
> >
> > Bjs. Caio Pontual.
> >
> > PS. Gostaria que vc autoriza-se a divulgação dessa = conversa para
os
> > demais.
> >
> > = __________________________________________________________________
> >
> > Poxa, Caio.
> >
> > Sem querer entrar em detalhes, você realmente CONHECE = música
baiana ou
> > só viu o que chegou a tocar no Domingão do Faustão?
> >
> > Acontece a mesma coisa com o samba. Quem CONHECE sabe o = valor.
> > Mas a maioria das pessoas acha que samba se resume a um campo = nebuloso
> > entre o próprio "É o Tchan" (que, na Bahia, = não é considerado
axé) e
> > aqueles pagodes enlatados...
> >
> > Em todos os gêneros há produções interessantes.
> > A questão é que a mídia TENDE a nivelar tudo por = baixo...
> > ...e de vez em quando, só de vez em quando mesmo, = acerta.
> > :-)
> >
> > Eu estou passando por uma experiência muito interessante, = fazendo
> > parte de um grupo onde só existem 2 pessoas do Rio e as = outras todas
> > vem das mais diversas cidades do Brasil. Todos = interessantíssimos,
> > fazem parte da elite cultural e intelectual do país. Estou
aprendendo
> > a apreciar maravilhas regionais que estavam longe do meu = universo - e
> > vice-versa.
> >
> > É muito interessante relativizar a visão cultural que = existe em
outros
> > cantos do país...
> > :-)
> >
> > Beijo!
> > Aline
> >
>
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