Sobre a peleja entre Noel Rosa e Wiilson Batista,

sugiro o download dessas 12 canções, nas vozes de Jorge Veiga e Roberto
Paiva:

NOEL ROSA X WILSON BATISTA - SÉRIE TEMAS E FIGURAS DA MÚSICA POPULAR
BRASILEIRA - Vol. 1 - ROBERTO PAIVA e JORGE VEIGA (1974)

http://rapidshare.de/files/24004495/Noel_X_W_ilson.rar.html

 1   *Lenço no pescoço  *
  (Wilson Batista)
*Interpretação: Jorge Veiga*

2   *Rapaz folgado  *
  (Noel Rosa)
*Interpretação: Roberto Paiva*

3   *Mocinho da Vila  *
  (Wilson Batista)
*Interpretação: Jorge Veiga*

4   *Palpite infeliz  *
  (Noel Rosa)
*Interpretação: Roberto Paiva*

5   *Feitiço da Vila  *
  (Vadico - Noel Rosa)
*Interpretação: Roberto Paiva*

6   *Conversa fiada  *
  (Wilson Batista)
*Interpretação: Jorge Veiga*

7   *João Ninguém  *
  (Noel Rosa)
*Interpretação: Roberto Paiva*

8   *Frankenstein  *
  (Wilson Batista)
*Interpretação: Jorge Veiga*

9   *Eu vou pra Vila  *
  (Noel Rosa)
*Interpretação: Roberto Paiva*

10   *Terra de cego  *
  (Wilson Batista)
*Interpretação: Jorge Veiga*

11   *Vitória  *
  (Nonô - Noel Rosa)
*Interpretação: Roberto Paiva*

12   *Meu mundo é hoje  *
  (José Batista - Wilson Batista)
*Interpretação: Jorge Veiga*


Não conheço o volume 2 da série, mas sei de outra gravação, de 1956: POLÊMICA
- WILSON BATISTA X NOEL ROSA - ROBERTO PAIVA E FRANCISCO EGYDIO Roberto
Paiva / Francisco Egydio

Divirta-se.
;-)

Beijos
Aline



On 9/6/06, SANDRA FARÁ <[EMAIL PROTECTED]> wrote:

Resposta p/ Artur de Bem
Data: 6/9/2006 00:02:03
Para: [email protected]
Assunto: [S-C] 2 dúvidas...
"Noel Rosa e Wilson Batista viviam brigando"/ "Na época da ditadura, os
sambistas de morro eram muito censurados?"

Olá Artur e Tribuneiros!
Você tocou em dois assuntos super interessantes. Tenho certeza que muitos
tribuneiros têm uma contribuição a fazer. Díficil será evitarmos algumas
referências. Difícil será ser breve. Tentarei:

Pelo que sei e que li em "Tia Ciata e a Pequena África Negra" (Roberto
Moura), a cultura negra sempre sofreu repressão desde os primeiros negros
que chegaram da Bahia para o Rio de Janeiro e que vinham unidos pelo
Candomblé. Há muitos relatos e registros de perseguições ao culto
africano,
mas a resistência do grupo Negro foi fundamental para a consolidação de
sua
identidade. Na primeira década do século XX, as manifestações consideradas
"africanistas" sofriam sistemática repressão policial (fosse religiosa ou
musical).
Em casa, particularmente, sempre ouvi histórias de pais de santos
presos  e
de homens detidos por  carregarem um instrumento de percussão.  O curioso,
é
que no tempo de tia Ciata, pelo que sei, jornalistas, intelectuais e até o
chefe de polícia freqüentavam seu salão festivo (talvez não fossem até o
quintal). Mas não nos surpreende  a sociedade ser hipócrita.

De acordo com o que li  em  " O Samba na Realidade: a utopia da ascensão
social do sambista" (Nei Lopes), o samba era  a expressão musical dos
negros que criaram  as escolas de samba  como forma de busca de aceitação
social, embora não possuíssem  o aspecto familiar dos ranchos. Os ranchos
eram incentivados pelas autoridades por conservarem aspectos folclóricos
(ou, em minha opinião, mais controláveis do ponto de vista da ordem
pública
vigente na época). Desfilavam  como numa procissão, o que impacientava os
mais novos. Até que um grupo de bambas do Estácio,  fundou a Deixa Falar
em
1929.
A denominação escola  de samba , dada pelos bambas do Estácio, sugere a
tentativa de se igualar aos ranchos  no conceito da sociedade, buscando
sempre a aceitação das classes privilegiadas e o fim da repressão
policial.
A Deixa Falar trazia uma mistura de ritmos da Cidade Nova.
Os componentes podiam cantar e desfilar sambando e improvisando passos . A
patir de 1929/30, surgiram outras escolas e o ritmo identificado como
samba
carioca conquistava seu espaço.
Um samba vindo do Estácio em que um refrão cantado por todos era seguido
de
estrofes improvisadas pelos sambistas, oferecendo não só um novo ritmo
como
um novo linguajar  próprio dos sambistas e dos malandros, que viria a
sofrer
censura  da cultura branca.
A temática da malandragem  foi altamente reprimida  pelo Estado Novo. As
autoridades desqualificavam  o sambista e tentavam fazer com que os
compositores cantassem o Estado e o trabalho, de acordo com outra
excelente
pesquisa que amei ler : " Acertei no milhar: samba e malandragem no tempo
de
Getúlio" (Cláudia Matos).
O linguajar próprio dos sambistas sofreria censura e com a proliferação de
blocos impôs-se a obrigatoriedade de autorização da  polícia para poder
desfilar. As autoridades proibiram a apologia à malandragem, pois  o
correto
era ser trabalhador  e ser fiel ao patrão e ao Estado. A massa pobre e de
maioria negra e mestiça continuava vivendo com a imposição da
subserviência.
Cantoria, boêmia,  jogo e seresta  eram coisas de malandros e deviam ser
rechaçadas.
O primeiro concurso de escolas de samba  foi promovido pela imprensa em
1932. Em 1934 o prefeito Pedro Ernesto oficializa o concurso. Também,
pudera! Não sendo mais possível ignorar o movimento,  o melhor era tentar
controlá-lo. Ao apoiar os desfiles, o governo exige  a exaltação aos temas
históricos ('Foi em Diamantina'...). O samba passa a ser  objeto de
promoção
turística, trazendo dinheiro para o Estado.
Como sabemos, até hoje, a atenção ao carnaval carioca, por parte dos
governos, se limita às "super-escolas- de -samba s/a,
super-alegorias,(...)". É censura, ou não é, o desprezo com que tratam as
outras escolas ("...escondendo gente bamba, que covardia!") ?

Em tempo: pensei no Estado Novo, mas talvez você estivesse se referindo à
década de 70. É inevitável outra referência importante: . "Sinal fechado:
a
música popular brasileira sob censura (1937- 45/1969-78)" de Alberto
Ribeiro
da Silva.
O sinal sempre esteve fechado para a liberdade de expressão do artista
brasileiro, sambista ou não. Há sambas de protesto? Acho que sim e
acredito
que esta lista poderá, se já não o fez, contribuir para lembrarmos de
alguns.
Já me estendi demais e espero ter contribuído.
Tenho certeza que alguém poderá lembrar a peleja entre Noel e Wilson
melhor
do que eu.
Um abraço ,
Sandra.




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