A indústria cultural tem essa contradição difícil de resolver, né Roberto? Ao mesmo tempo que ela paga melhor ao artista para produzir mais, não paga para produzir melhor. Então os sambas- enredos, e outras artes feitas à base de inspiração e paixão, vão perdendo essas essências em função da preocupação com o dinheiro. Produto de indústria cultural é como todo e qualquer produto: orientado para o consumo, e não necessariamente para o desenvolvimento do ser humano. Ganham a indústria, os artistas e até os consumidores ganham com ofertas e divertimento às vezes. Mas a história, infelizmente, perde. Porque a indústria cultural não tem tradição e tampouco memória. Tem modernidade, descarte e, quando houver uma possibilidade futura de lucro, arquivo morto. Abraço, Jorge Moraes
Roberto Ponciano <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: Esta história de enredo de aluguel está rendendo situações inusitadas... Já teve enredo de cerveja, de Cabo Frio (e dá-lhe surf, biquini, turismo...), de eletricidade (a queridíssima Ilha foi para o segundo grupo com um enredo que só o "genial" carnavalesco da escola entendeu) e até de Campos (por coincidência no governo dos garotinhos...) Samba falando de Campos? Fala sério. Alguém aqui conhece a cidade? Com todo respeito aos campista, é uma cidade feia, quente, desmatada, desigual e sem graça. À noite o pessoal se arruma como quem vai ao teatro e fica andando de um lado para o outro nas calçadas dos xopingues ou bebendo em barezinhos yuppies... Tem enredo pior? A única coisa interessante na cidade nem foi falada pela Imperatriz, que seria o José Candido Carvalho, seu hilário livro, O Coronel e o Lobisomem, que até daria bom enredo, se trabalhado com graça. Fala com conhecimento de causa, uma paixão grandiosa me levou a freqüentar durante largo tempo esta cidade. Grandiosa mesmo, porque Campos ninguém merece. Agora, sendo saudosista, embora não seja nenhum velho, sinto falta de um tempo (que não é tão longinqüo), no qual uma escola pequena como a Unidos da Ponte podia fazer um samba-enredo tão interessante quanto uma singela homenagem a Herivelton Martins, com um samba maravilhoso, que transcrevo de memória (com possibilidade de erro, é claro), abaixo. Quem tiver este samba, tenho interesse em gravá-lo. É, realmente, magnífico. Hoje sou luz ao luar Verso que à Ponte seduzia Vento de marola vim cantar Meu canto brinquei de Bahía Um bolero envolvente Gardel num tango a cantar. Sou eu, Sou eu ribalta que no tempo ficou Sou eu de volta à boemia Minha Mangueira, amor. Eu vou à Lapa pego o bonde de cem réis O capoeira dá um laço com os pés. Meu Rio Antigo Dos Lampiões à gás Não chore que isto dá samba Moleque bamba Confete serpentina carnavais. Amigo Chico Viola Ai, que saudade de ouvir o seu cantar. Hoje, aqui embaixo enlataram nossa gente E não há samba que agüente, Este moderno no lugar de cavaco e ganzá. Termino mandando um beijo especial para a maravilhosa Sônia Palhares. Soninha, nosso Lula quase me fez chorar ontem no canecão. Lula é muitos! Abraços, Visite minha página pessoal: http://geocities.yahoo.com.br/cariocabeto --------------------------------- Novidade no Yahoo! Mail: receba alertas de novas mensagens no seu celular. Registre seu aparelho agora! _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta --------------------------------- O Yahoo! está de cara nova. Venha conferir! _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
