Marcelo,
O esvaziamento em si foi conseqüência da mudança do
perfil do público na Sapucaí. Com o alto preço dos
ingressos quem lota a avenida do samba não são os
sambistas cariocas e os apreciadores dos samba, mas os
turistas nacionais e internacionais, os artistas e
pessoas que estão afim de mídia e cariocas de classe
média que vão porque está na moda e caem de
para-quedas na Sapucaí. Eles chegam, assistam duas ou
três escolas e quando a coisa começa a esquentar vão
embora pros bailes do Scala, outros eventos
carnavalescos, pro hotel ou pro aeroporto pra
aproveitar o carnaval de Salvador ou Recife, por
exemplo. Já ouvi turista comentar que é tudo a mesma
coisa, já vi turista que senta na arquibancada e
começa a ler livros e de quando em vez olhava e tirava
uma foto, quando acontecia algo que chamava a atenção
da arquibancada ... ah, como fiquei com raiva desse
casal. Mas tem turistas estrangeiros realmente muito
interessados em conhecer, bem simpáticos mesmo ... mas
como não conheciam nada, acabavam cansando do mesmo
modo, pois pra quem não entende é mais difícil de
acompanhar. Antigamente o desfile acabava as 3 da
tarde e ninguém ia embora (e ainda tinha quem
esperasse recomeçar as 7 na própria arquibancada pra
não perder nada), mas esses eram os que viviam o samba
no sangue o ano inteiro. Cadê esses foliões? Só tem
direito as arquibancadas depois da linha de final dos
desfiles (arquibancadas 6 e 13) ou antes do início
(setor 1), onde vêem o desfile de pé até o final.
Estão em cima do viaduto, em cima das árvores, pela
brecha de uma sapucaí cada vez mais cercada. E agora
inventaram o setor 0 do outro lado do valão pra ver a
escola antes da armação, ainda na Presidente Vargas,
ou seja completamente longe do espetáculo. Por isso os
vazios, o público que assistia aos desfile dos anos
80, hoje estão assistindo no valão a escola esperando
para entrar e nada mais. No desfile mesmo, eles não
entram ... só nas alas de comunidade e nas alas que
dão pontos ou punições pra escola, como no caso das
baianas e da bateria.
Mesmo com a perda da cadência, com a bateria
acelerando e com a desvalorização do chão da escola, o
público assistiria o desfile do início ao fim, se não
fosse proibida a sua entrada na Sapucaí. Muitos hoje
só vÊem o desfile pela televisão, exatamente o
espetáculo que ajudaram a construir.

Abraços,

Carlos Linhares
21 9815-0458

--- ltrl1917 <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

> Prá mim Edson, foi o modelo imposto que provocou o
> esvaziamento. Ele é consequência e não causa.
> Abs, Marcello
> 
> 
> ----- Mensagem original ----
> De: "[EMAIL PROTECTED]" <[EMAIL PROTECTED]>
> Para: Artur de Bem <[EMAIL PROTECTED]>
> Cc: [EMAIL PROTECTED];
> [email protected]
> Enviadas: Terça-feira, 28 de Novembro de 2006
> 1:26:57
> Assunto: Re: Res: [S-C] Carnaval de 2007
> 
> 
> Oi pessoal,
> 
> Estou entrando agora, é um grande prazer falar com
> vocês.
>   Assisti ao vivo todos os desfiles de 1966 até
> 1984, depois assisti de
> 1986, 1987, 1995 2000.
> Realmente hoje em dia dá pena ver, até 1985, mais ou
> menos, se o desfile
> acabasse as 2 H da tarde, a avenida estava cheia.
> Hoje 3H da manhã metade
> do pessoal já foi embora. Não é atoa que a Liga vem
> reduzindo o número de
> escolas e até permite a reedição de sambas. São
> Tempos de decadência.
> 
> Abração,
> 
>


                
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