A Capa de Discos no Brasil: ontem e hoje

Em comparação a outras artes aplicadas, são relativamente recentes as artes gráficas no Brasil. A proibição da imprensa, que perdurou até a vinda da Família Real em 1808, trazendo em sua bagagem a primeira prensa tipográfica “legalizada” (inventada no século 15, não esqueçamos), ocasionou-nos um sensível atraso nesse setor. Isto é flagrante, por exemplo, em relação a América espanhola, que incentivou a imprensa desde os primórdios da colonização (e sua consequente produção de livros e literatura – uma outra grande falha na nossa formação cultural com efeitos sentidos até hoje).

Em termos absolutos, portanto, o design gráfico brasileiro é bastante recente. Curiosamente, no entanto, no design de capas de discos, somos pioneiros ao lado dos EUA, Inglaterrra e França. Se a primeira capa de disco long-play é produzida em 1948 por Alex Steinweiss na recém criada Columbia Records, já em 1951 Paulo Brèves desenha a primeira capa de Lp no Brasil para a Sinter (distribuidora da Capitol). Mesmo assim, são apenas 50 e poucos anos de cultura visual do disco em nosso país.

Atualmente, para o designer, a primeira vista, o espaço diminuiu. Dos 31 x 31 cm do LP restaram 12 x 12 cm no CD; a distribuição musical pela internet e o iPod nos levarão para caminhos ainda insuspeitados: nunca mais uma capa como Milagre do Peixes, de Milton Nascimento, que se abre num poster de 90 cm com a letra de cada música em papéis coloridos independentes. Ou a Blitz 3 com três versões de capas impressas em cores diferentes.

Mas, a mística continuara' para sempre: nunca mais esqueceremos o "Álbum Branco" dos Beatles ou as "cabeças cortadas" do primeiro disco dos Secos e Molhados. E por mais que ouçamos, queremos também “ver e tocar”. Procuramos, talvez, uma “confirmação” das emoções e sentimentos suscitados por aqueles sons. Pergunte aos amigos sobre algum disco marcante e as imagens gráficas das capas explodem na memória junto com os sons. Os discos eram “conceitos” e os projetos gráficos fazam parte dele.

As capas (e os discos) irão permanecer? É pouco provável. Mas nos sobra uma certeza: elas representaram para o design gráfico uma reserva criativa e um espaço privilegiado que jamais serão esquecidos pelos fãs da música, do design e da cultura material do século 20.

Se voce quiser conhecer um pouco dessa história leia o ensaio "A história do design das capas de disco no Brasil" (tambem uma versao em ingles) no Jornal Musical editado por Tarik de Souza em:

http://www.jornalmusical.com.br

O link direto e':
http://www.jornalmusical.com.br/textoDetalhe.asp? iidtexto=619&iqdesecao=1 (cuidado para nao quebrar o link: ele comeca em http e termina com o numero 1)

A versao em ingles fica em:
http://www.jornalmusical.com.br/ing/home.asp

E o link direto em:
http://www.jornalmusical.com.br/ing/textoDetalhe.asp? iidtexto=653&iqdesecao=1
 

Egeu Laus
Designer gráfico e pesquisador da Memória Gráfica Brasileira,
Diretor do Instituto Jacob do Bandolim e coordenador da Rede Social da Música

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