Em seguida, matéria do Caderno Brasília, do jornal mineiro Hoje em Dia. O 
valioso Caderno Brasília é distribuído nos bares e restaurantes da Capital e 
circula aos domingos.

A matéria, assinada pela Cristina Fausta,  é intitulada "Luz musical para 
cegos" e isso já diz tudo.


Caio Tiburcio





Luz musical para cegos

Cristina Fausta
Repórter

"Dolores Tomé é filha de João Tomé". Quem conhece a história desta família logo 
reconhece o significado da frase escrita pelo jornalista Márcio Cotrim no 
prefácio intitulado "Olhos cegos fazem música" do livro Introdução à 
Musicografia Braille, 2003.
A autora é Dolores, que deixou Uberaba (MG) na década de 60 e, desde que pisou 
na capital, tem feito a diferença na vida de centenas de alunos portadores de 
deficiência visual (DVs) que passam pela Escola de Música de Brasília (EMB).
Este ano, ela deixa a Secretaria de Educação e passa à cena cultural. A convite 
do secretário Silvestre Gorgulho desenvolverá o projeto "Arte para Todos", 
trabalho cujo ponto chave será oferecer oportunidades a grupos culturais 
excluídos. E para começar 2007 de fato, ela será uma das componentes que 
entoarão o enredo "Ser diferente é normal", da escola carioca Império Serrano.

O interesse de Dolores Tomé pelo trabalho com DVs começou na infância. Seu pai 
foi educado como os outros meninos dos anos 20: além das brincadeiras de 
meninice, limpava quintal, varria chão e carregava água. O que o diferenciava 
dos demais era o fato de ser cego. Mas, a deficiência não o impediu de aprender 
a tocar viola, cavaquinho, flauta e bandolim. Suas habilidades lhe renderam o 
apelido de João-faz-tudo. Adulto, Tomé começou a ensinar música. Tornou-se 
professor na Escola de Cegos de Uberaba, foi também funcionário da Rádio 
Sociedade da cidade.
Já na infância, Dolores começou a se interessar pelas bolinhas, o braille, ao 
observar seu pai escrever suas composições. Em Brasília desde a década de 60, 
João Tomé ajudou a fundar a EMB, onde também foi professor e era fomentador dos 
encontros dos chorões da capital.

Dolores, assim como o pai, descobriu que tinha aptidão para música e para o 
magistério. Em 1984, quando ainda cursava faculdade na UnB, conheceu uma DV que 
pleiteava uma vaga na EMB. "O diretor da época alegou que não era possível 
aceitá-la porque não havia profissionais habilitados a trabalhar com a aluna", 
relembra. Pesquisando as partituras do pai, Dolores Tomé descobriu uma 
metodologia para ensinar música aos DVs, estratégias estas compiladas em seu 
livro e repassadas, sempre que necessário, aos professores da EMB. "Agora está 
na moda falar de inclusão. Mas, os profissionais recebem alunos cegos e não 
sabem o que fazer", diz. "Essas pessoas só precisam de um material em braille", 
simplifica.
Com orgulho, Dolores Tomé exibe o CD "Piquenique" de valsas e choros compostos 
por seu pai, no qual nomes como Rogério Caetano e Hamilton de Holanda 
interpretam sambas-canção.
O CD, produzido pela família Tomé, ainda tem partituras em PDF e Braille e pode 
ser encontrado pelo e-mail: [EMAIL PROTECTED]


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