O Correio Braziliense de hoje traz matéria de Nahima Maciel sobre o Cd do João 
Rabello, filho do Paulinho da Viola, texto abaixo transcrito.
Tá bonito: http://www.joaorabello.com.br/portugues/
Caio Tiburcio

================================================

Música
Genealogia nobre




Nahima Maciel
Da equipe do Correio

hagem é a mais pura dentro da história do violão brasileiro. A paternidade é de 
Paulinho da Viola e o parentesco com Raphael Rabello é de primeiro grau. João 
também é Rabello e sobrinho do violonista. É neto de César Faria, fundador do 
Época de Ouro. Portanto, filho de Paulinho. Nessa árvore genealógica, os galhos 
se unem pela madeira que sustenta as seis cordas do violão. João sempre soube 
disso. Foi cursar publicidade, mas era para conhecer outros universos e cogitar 
novas possibilidades. Voltou às origens logo para mergulhar na produção de 
Roendo as unhas, já nas lojas, mas com lançamento marcado para março.

O álbum de estréia de João Rabello é um cartão de visitas. “Queria que esse 
disco mostrasse a abrangência do meu jeito de tocar violão e que não girasse em 
torno de um tema só”, explica. A combinação entre os gêneros popular e erudito 
dá o tom da trilha percorrida por João. Dois clássicos latino-americanos do 
violão erudito – La catedral, do paraguaio Agustin Barrios, e Valsa crioula, do 
venezuelano Antonio Lauro – acenam para a herança do violonista e o aproximam 
da música erudita. O gosto pelo ataque agressivo, João herdou do tio. “O 
Raphael trabalhava o som com um pouco mais de força. É a técnica do apoio, que 
vem mais do violão espanhol do que do violão erudito”, ensina.

O pai, Paulinho, chegou ao disco por vias mais pedregosas. “A participação do 
meu pai aconteceu no fim. Minha idéia era que ele não participasse. Mas fizemos 
uma música em parceria (Um sarau para César) e achei natural ele tocar comigo. 
Vi que ele trazia uma contribuição sonora importante”, conta João. Do pai, 
entraram ainda a faixa-título, Roendo as unhas, e Inesquecível, com arranjo 
novo concebido pelo próprio João. “Meu jeito de tocar é um pouco mais 
agressivo, o andamento é mais rápido”, avisa. É reflexo da contemporaneidade, 
segundo João. “A gente vive num tempo mais acelerado, com volume maior de 
informações, e a música traduz um pouco o momento. É uma tendência, mas não uma 
tendência que defina o violão brasileiro. É uma característica do nosso tempo.”

Tio é referência
A afinidade técnica de João é com o tio. Nasceu quando o violonista tinha 11 
anos e ouviu Relendo Dilermando Reis, gravado por Raphael Rabello em 1994. 
“Comecei a tocar influenciado pelo disco”, lembra. “E passei a tocar por causa 
do meu tio. Minha principal referência sempre foi ele, que tinha um jeito de 
tocar muito particular. Sempre misturou a técnica do violão erudito e popular. 
Meu pai é um solista, um compositor, mas é um músico que tem uma formação de 
quem acompanha. A principal influência dele (sobre mim) não é a parte técnica, 
mas a musical. O estilo dele é mais suave.” A ascendência de Raphael fica 
bastante clara nas peças de Radamés Gnattali, Dança brasileira e Tocata em 
ritmo de samba nº 2, incluídas no repertório de Roendo as unhas. As duas trazem 
a verve enérgica que pontua todos os dedos de João. Não são nada suaves. Apesar 
de produzir o disco – que sai pelo selo independente VR6, ou Violão Rabello 
Seis (cordas) –, Paulinho praticamente não interferiu no trabalho do filho.

A formação do violonista passa por escola inexistente em qualquer conservatório 
ou universidade. O ambiente familiar foi naturalmente favorável ao contato com 
a música. O violão se instalou no cotidiano de João quando ainda era bebê. Mas 
foi aos 14 anos que Paulinho o apresentou a Turíbio Santos, com quem teve as 
primeiras aulas. Do professor, ouviu o conselho de nunca deixar que alguém 
tentasse mudar seu estilo. E assim seguiu.

As primeiras experiências no palco ocorreram durante os shows do pai. “Eu o 
acompanhava e ele sempre me dava espaço para tocar as minhas coisas”, conta. Em 
2004, quando o avô César deixou o Época de Ouro, João foi o substituto natural. 
Mas a vocação não é para acompanhar, e sim para solar. João não entra em roda 
de choro. Por isso, aliás, não há nenhum em Roendo as unhas. Também não é 
exclusivamente popular. As incursões eruditas são uma prova. “O violão 
brasileiro sempre esteve na interseção entre o erudito e o popular. Vou ter 
certa dificuldade em me enquadrar em algum gênero. Meu estilo é o violão 
brasileiro, que engloba quase todas as possibilidades.” Um pouco por isso ele 
não permitiu nenhum outro instrumento além do próprio violão e do baixo 
acústico de Matias Correa, presente em apenas três faixas. “Quis fazer um disco 
de violão, em que pudesse ter controle sobre minhas idéias. Não sou músico de 
roda de choro e, nesse momento, achei que não cabia outros instrumentos”, 
justifica.

http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_3.htm
_______________________________________________
Para CANCELAR sua assinatura:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
Para ASSINAR esta lista:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
Antes de escrever, leia  as regras de ETIQUETA:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta

Responder a