Matéria assinada por Débora Xavier, Jornal de Brasília de hoje (segunda, 05 de março), vem transcrita em seguida.
Trata do show inaugural da temporada 2007 do Clube do Choro de Brasília (João Donato e Paulo Moura); da programação para os meses de março e abril; da historia do Clube; e apresenta novidades (acordo para transmissões dos shows para a América Latina; e informações sobre a Escola de Choro Raphael Rabello). Caso queira ler o texto direto no site do referido Jornal, eis o link: http://www.clicabrasilia.com.br/htm/noticia.php?p=edit&edicao=1478&IdCanal=25&IdSubCanal=0&IdNoticia=287331 Caio Tiburcio -------------------------------------------------------------------------- 30 anos de chorinho Paulo Moura e João Donato inauguram temporada comemorativa das três décadas do Clube do Choro de Brasília, com shows a partir de quarta-feira Débora Xavier João Donato e Paulo Moura abrem na quarta-feira, a partir das 21h30, a temporada de shows 2007 do Clube do Choro de Brasília, que este ano celebra três décadas de existência com o projeto comemorativo 30 Anos de Clube do Choro. Na performance instrumental, os músicos tocam o repertório do CD Dois Panos Para Manga, fruto da parceria do piano de Donato e do clarinete de Moura lançado pela Biscoito Fino em meados do ano passado. A idéia do disco surgiu após uma festa na casa do diretor de TV Carlos Manga, onde Donato e Moura interpretaram, a pedido dos convivas, os temas preferidos dos freqüentadores do Sinatra-Farney Fã Club. A casa de show, localizada na Tijuca, Zona Norte carioca, e que esteve em funcionamento por cerca de dois anos apenas, é considerada por muitos estudiosos como uma escola para toda a geração que mais tarde criaria a bossa nova. "O que vivemos naquela noite em que relembramos os grandes musicais e que fizeram a cabeça de toda nossa geração foi tão emocionante e bonito que saímos dalí com o objetivo de deixar tudo registrado em disco", conta João Donato em entrevista ao Jornal de Brasília. Assim, o álbum foi gravado em menos de uma semana, somente com o duo de clarineta e piano. No repertório do CD estão alguns clássicos do jazz especialidade do fã-clube presidido por Manga , como On a Slow Boat to China, Swanee, That Old Black Magic e Tenderly, um dos maiores sucessos de Nat King Cole. "Mas também faz parte do CD, alguns clássicos do nosso cancioneiro que também interpretamos naquela ocasião, como A Saudade Mata a Gente, Copacabana e Minha Saudade", intervém Paulo Moura. O clarinetista conta que Minha Saudade, de autoria de Donato com João Gilberto, possui um especial significado para ele: "Essa foi a primeira música com forma de bossa nova que conheci. Gravei em meu disco de estréia." Há ainda no CD, duas outras músicas especialmente compostas para a produção e que serão apresentadas ao vivo no Clube do Choro, conta Donato. "É Pixinguinha no Arpoador e Sopapo, que compus com o Moura especialmente para o CD. A primeira é uma homenagem ao nosso grande compositor, a outra, Sopapo que dá nome a um tambor da região de Pelotas (RS) celebra a alegria, com sua sonoridade cadenciada e contagiante", destaca o pianista. A dupla de músicos se diz orgulhosa por abrir a temporada de comemoração dos 30 anos da casa. Para Donato, é louvável o que o presidente do clube (Henrique Filho, o Reco do Bandolim) faz para prestigiar e divulgar o chorinho. "Afinal são 30 anos de resistência, diante muitas pressões e dificuldades. De um lado o governo que acha desnecessário a manutenção de um clube como esse e de outro produtores de outros gêneros musicais que tentam desestimular essa especificidade musical", analisa. Paulo Moura torce pela longevidade do clube e acrescenta que fará jus à causa com um show muito mais abrangente do que o disco. "Quem lá for, verá", sublinha. João Donato e Paulo Moura, amigos de longa data, são dois dos maiores mestres da música instrumental brasileira. O compositor, cantor, instrumentista e arranjador João Donato nasceu no Estado do Acre em agosto de 1934 e desde a infãncia toca piano e acordeom. Em 1945 mudou-se para o Rio de Janeiro com a família e passou a participar de saraus musicais, com Tom Jobim, João Gilberto e Johnny Alf. Donato fez parte de grupos musicais nos EUA, como Donato e seu Conjunto, Os Namorados e Trio Donato. Tocou com grandes nomes da música norte-americana, como Ron Carter, Bud Shank, Herbie Mann e Wes Montgomery. Entre os grandes intérpretes de suas composições estão Nana Caymmi, Gal Costa, Adriana Calcanhotto, Tim Maia, Nara Leão, Luiz Eça e Bebel Gilberto. Um ano mais velho que Donato, Paulo Moura nasceu em São José do Rio Preto (SP). Aos nove anos começou a estudar piano e logo a seguir já tocava com seu pai. Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, e na Escola Nacional de Música, obteve o diploma de clarinetista. Em 2000 recebeu o Grammy Latino, na categoria Melhor Disco de Música Regional. Suas canções estão perpetuadas em discos de Milton Nascimento, João Bosco, Ney Matogrosso e Marisa Monte. - Serviço 30 Anos do Clube do Choro Show de abertura da temporada 2007 com João Donato e Paulo Moura. Quarta, quinta e sexta, às 21h30, no Clube do Choro de Brasília (Eixo Monumental, próximo ao Centro de Convenções Ulysses Guimarães). Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$10 (meia), à venda no Garvey Park Hotel, de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h. Mais informações pelo telefone 3327-0494. Programação Quarta, quinta e sexta João Donato & Paulo Moura (piano e clarinete) Sábado Grupo Disfarça e Chora Dias 14, 15 e 16 de março Arthur Maia (baixo), com participação de Di Steffano (bateria), Renato Vasconcellos (piano) e Ademir Júnior (saxofone) Dia 17 de março Grupo Casa Brasil Dias 21, 22 e 23 de março Grupo Galo Preto Dia 24 de março Alfredo Muro (violão) Dias 28, 29 e 30 de março Jards Macalé (violão e voz) Dia 31 de março Beth Light (voz) Dias 4, 5, e 6 de abril Ademir Júnior Quinteto (saxofone) Dia 7 de abril Renata Jambeiro (voz) Dias 11, 12 e 13 de abril Pepeu Gomes (bandolim e guitarra) Dia 14 de abril Carrapa & Cia. da Música Dias 18, 19 e 20 de abril Paulo Sérgio Santos (clarinete), com Regional Choro Livre Dia 21 de abril Grupo Marambaia Dias 25, 26 e 27 de abril Misael da Hora e Gabriel Improta (piano e violão) Dia 28 de abril Grupo Malaika Um show que não pode parar Em três décadas de existência, o Clube do Choro já realizou 1.100 espetáculos, reunindo cerca de 800 artistas de todas as regiões do Brasil e outros países, como Inglaterra, França e Estados Unidos. "Também já estiveram aqui, assistindo aos nossos shows, cerca de 350 mil pessoas", estima o presidente do clube, músico e jornalista Henrique Filho, o Reco do Bandolim. Há 13 anos como diretor do Clube do Choro, ele estima que esse público deve atingir a casa dos milhões se for considerada a audiência alcançada pela transmissão dos espetáculos pelas emissoras de televisão do Senado, da Câmara e da Radiobrás. "Agora mesmo, foi feito um acordo com a TV Internacional para a transmissão dos shows para toda a América Latina", disse. Eles praticamente desbravaram o cenário para o Clube do Choro. "A primeira década foi a que podemos chamar a fase amadorística", lembra. "Vínhamos aqui com algumas caixas de cerveja e muita vontade de tocar choro. Ninguém ganhava nada, e às vezes só éramos nós, os músicos, e ninguém a nos assistir". Em 1983, o Clube do Choro quase deu por encerrada sua existência diante de um arrombamento no local, quando foram levados todos os instrumentos. "Na fase que se seguiu, que durou uma década, a vida do clube foi quase uma hibernação", conta o músico. "Chegou ao ponto de esse espaço ter sido ocupado por três famílias de mendigos, até que, em 93, saiu uma nota em um jornal dizendo que seríamos despejados". A partir daí, pressentindo o fim melancólico, Reco, atingido "nos brios", como disse, reuniu os músicos e deu a arrancada para a terceira e bem-sucedida fase do clube. Firmou acordo com o GDF e abriu a casa uma vez por semana, inicialmente só com músicos locais. De 1993 a 1996, Reco e os componentes de seu grupo de músicos, o Choro Livre, bancaram o funcionamento do clube. "Em 97, finalmente, emplaquei, no Banco do Brasil, um projeto temático de homenagens que pautariam as apresentações do clube a cada ano", lembra. "Os convidados mostrariam as suas visões sobre o compositor escolhido". Foi aí que o clube realmente começou a levar o choro de Brasília a ser conhecido nacional e internacionalmente. O projeto foi iniciado com o centenário de nascimento de Pixinguinha. Em 1998, vieram os 80 anos de Jacob do Bandolim; e, no ano seguinte, os 50 de Brasileirinho, música composta por Waldir Azevedo e Pereira Costa. "Assim, sucessivamente, a cada ano temos um mote, que já passou por Villa-Lobos, Ernesto Nazareth, Radamés Gnattali, Garoto, até que chegamos agora ao tema 30 Anos do Clube do Choro". Atualmente, tanto músicos de outros países vão ao Clube do Choro quanto artistas da casa são convidados a tocar para públicos de outros idiomas. Hoje, 16 professores ensinam nove modalidades de instrumentos musicais a 500 alunos, que pagam R$ 70 por duas aulas semanais, sendo uma teórica e outra prática. Além das aulas, os alunos da escola têm acesso a workshops gratuitos de alguns dos maiores músicos brasileiros, que, de passagem pelo Clube do Choro, se dispõem a passar para a frente um pouco de sabedoria. Para o futuro, Reco pretende ver realizado o projeto de construção da sede definitiva da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, onde também funcionará o novo Clube do Choro de Brasília. _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
