Gostei muito da análise. Parabéns.




----- Original Message ----- From: "Marcello Campos" <[EMAIL PROTECTED]>
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Sent: Monday, May 28, 2007 12:09 PM
Subject: [S-C] BREGA "DE RAIZ"


Ainda sobre o discurso acadêmico do brega:

Antes de mais nada, sugiro que tenhamos mais coragem de utilizar a tão temida palavra "BREGA".

Odair José, que é maravilhoso DENTRO DE SEU ESTILO e me faz ouvir com atenção, continua porém sendo brega, dentro do um conceito liberal de brega, que não tem nada de preconceituoso se entendido em sua essência:

letras com rimas pobres e conteúdo sentimantalóide, pobreza de arranjos, sentimentalismo infantil, apelo populista, etc etc etc...

se essa visão é fruto de uma elite dominante, ok, concordo plenamente, mas isso é uma análise antropológica, não musical. Caso contrário, tudo é válido e poderemos nivelar os melhores trabalhos de Chico Buarque aos melhores de Chitãozinho & Xororó, pois afinal qualquer disposição em contrário seria puro preconceito da elite que ouve Chico contra os coitadinhos que se divertem ao som dos sertanejos.

Claro que brega é um rótulo pré-definido, assim como "samba de raiz" também é, embora até hoje ninguém tenha explicado como algo pode ser "de raiz" de é, por definição, uma mistura. Mas também é inegável que esse rótulo cai como uma luva para alguns artistas e ouvintes... Me considero uma pessoa bastante aberta a relativizações e talvez tenha pouquíssimos preconceitos, o que não me impede de avaliar friamente uma música e encontrar sintomas de breguice.

Dentro desse conceito, vale lembrar que o gênio Tim Maia também enveredou pelo brega com fins comerciais nos anos 80, e como ele tantos outros. Essa mesma visão não impede que conceitos OBJETIVOS definam Agepê e Benito de Paula como bregas, assim como Roberto Carlos. O excesso de relativização é ótimo do ponto-de-vista humanitário, mas musicalmente falando acaba gerando certa condescendência que eterniza a tolerância com a má qualidade. Na verdade são muitos os critérios, menos os de gosto e emoção. Ou tem alguém nesa tribuna tem dúvida de que a "Ave Maria" instrumental do Jorge Aragão, tecnicamente bem executada, não é um pérola da cafonice? Ou alguém aqui teria coragem e argumentos suficientes para sustentar que NELSON NED tem algum valor musical ?

Odair José e Peninha, por exemplo, que ascenderam da terceira para a segunda divisão da MPB, só o conseguiram quando valorizados por artistas da primeira divisão como Caetano Veloso, cuja mente aberta deveria ser uma eterna fonte de inspiração para a MAIORIA dos tribuneiros. E tem aqueles bregas que nem só têm valor enquanto curiosidade antropológica, como Agnaldo Rayol, de boa voz para os padrões antigos, mas insuportavelmente cafona... Por outro lado, reconheço que alguns cafoníssimos conseguiram deixar sua marca e importância, como o operístico Vicente Celestino, que preenche quase todos os requisitos para classificação como música brega.

E há que se lembrar, ainda, a importância das capas. Em 99% das capas, a breguice já serve de alerta. Beth Carvalho é um exemplo. Aprecio seu trabalho, tenho alguns discos do começo (embora fuja como diabo da cruz do gênero fundo-de-quintal), mas seus piores discos têm capas que fazem jus à má qualidade do conteúdo.


MARCELLO CAMPOS
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