O Gudim, que em 67 participou daquela manifestação integralista que ficou conhecida como "passeata contra a guitarra elétrica", está redondamente enganado. Aliás, esta passeata aconteceu justamente pelo sucesso monstruoso de "Quero que tudo vá para o inferno", que se deu em 65, ano de estréia do programa Jovem Guarda na TV Record. Boa parte da classe média e da elite comparecia em peso no Teatro Record para ver a gravação do programa Jovem Guarda. Dizer que a Jovem Guarda era coisa da "classe D" e que só agora a classe média a esta descobrindo é uma absurda distorção da realidade dos fatos e uma tentativa preconceituosa de desqualificar a Jovem Guarda pelo público que a consumia. É esse o preconceito a respeito do qual venho falando. Edu Lobo é de "qualidade" e Leno é "cafona". Se a "classe D" gosta então é porque a coisa não tem qualidade. É o velho vício da "vanguarda", aquele pequeno grupo detentor da verdade que irá conduzir o povo e mostrar-lhe o que realmente é bom e de qualidade, ensinando-lhes o que eles que ouvir. Ilusão sessentista, que tantos malem vem causando à nossa cultura.
abs.
Eduardo Martins

----- Original Message ----- From: "José Luis Vivas Frontana" <[EMAIL PROTECTED]>


Interessante depoimento de Gudin sobre o recente culto da breguice da
classe média.

JLV


*Gudin. *Mas hoje é cult gostar da Jovem Guarda. Não se gostava de Jovem
Guarda, quem gostava era a classe D, sem nenhum tom pejorativo, mas era
a realidade. Roberto Carlos tinha lançado aquela calça Calhambeque, o
salto carrapeta. E a classe média não usava a calça Calhambeque. Hoje um
monte de gente da classe média alta fala 'ah! Que saudade da Jovem
Guarda, da Wanderléa!'. Nada, na época tinham vergonha! Podiam até
gostar, mas não falavam. O Roberto Carlos começa a ficar mais curtido
pela classe média depois de "Quero que tudo vá para o inferno". Até aí
não...

*Tacioli - E que méritos você vê na Jovem Guarda? Você diferenciava
algum na época? *
*Gudin -* São tipos de música, cada um tem uma proposta. Hoje o cara
bota todas as tendências num saco só. Não é ser antidemocrático, é uma
questão de triagem natural. Você separa... Chopin é romântico, Beethoven
é clássico. O Eduardo Gudin faz esse tipo de música, se preocupa com
essas coisas, a Adriana Calcanhoto se preocupa com essas. Não é que você
precisa separar para dizer que isso é mais legal. Para eu me interessar
pela música tem que ter harmonia que caminha junto com melodia, tem que
ter tensões harmônicas. Então se o cara faz uma música que a harmonia
não caminha, não tenho interesse. A música pop não anda desse jeito, não
tem tensões harmônicas, de resolução de tônica, dominante, subdominante,
é outra onda, com menos acordes, mas é uma outra onda. A Jovem Guarda
tem que ser vista assim. Botar no mesmo saco o Edu Lobo e o Leno &
Lilian não tem cabimento, não é a mesma coisa! A proposta de um é uma. E
serve para outra coisa. A música do Edu Lobo não vai servir para juntar
10 mil pessoas dançando. Não é para isso que ele faz a música.

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