Não existe nada exato ou irrefutável nas matemáticas, a prova de Gödel mostra 
que nenhum sistema de dedução de uma certa complexidade, por exemplo a 
aritmética, pode-se demonstrar estar exento de contradições. Ninguém pode 
mostrar irrefutávelmente que 2+2 é diferente de 5, porque se a aritmética for 
contraditória, e é impossível demonstrar que não é, qualquer enunciado seria 
válido. As demonstrações que se vêm nas salas de aula e livros de texto estão 
mais baseadas na intuição do que se pensa.

Você conhece a falácia do homem de palha? Eis aqui uma definição:

A falácia do homem de palha é um dos pecadilhos mais frequentes no domínio da 
interacção comunicativa e consiste, basicamente, em deturpar as idéias do 
oponente (enfraquecendo-as) para, de seguida, passar a atacá-las de forma 
demolidora. É uma técnica de argumentar para o "show" e para a confusão, 
fazendo erradamente crer que os verdadeiros argumentos do oponente foram 
rebatidos.

Ou seja, você está atacando idéias que ninguém aqui nem sugeriu. Ninguén está 
falando de ciencia, de provas "irrefutáveis", "objetivas", "infalíveis", etc, 
esses babados não existem. Estamos  falando de juízos, juízos estéticos e 
juízos em geral. Quando você diz que isto aqui é "opinião" e aquilo lá é 
"fato",  você está fazendo um juízo, predicando uma coisa, uma coisa que por 
sinal você não pode demonstrar "irrefutavelmente", "cientificamente". Isso não 
quer dizer que você esteja necessariamente falando bobagem, que nada do que 
você diz tem sentido porque são apenas "juízos pessoais" que não se podem 
"demonstrar" cientificamente.  Assim são também os juízos éticos e estéticos, 
não há diferença. Se você levar a serio esa historia de relativismo, 
relatividade, etc, e ninguém na verdade leva, seria inútil discutir sobre 
qualquer coisa. É uma tese pra você se divertir na universidade nas horas vagas.

JLV 


Marcelo Neder escribió:

> Não vou entrar na questão do preconceito, porque particularmente, não tenho 
> mais saco pra falar sobre isso; Porém existe uma diferença muito claro entre 
> um critério matemático, exato e irrefutável (que mesmo quem não queira, se 
> seguir sua receita o comprova, pois é um fato real, ou simplesmente: é 
> verdadeiro) e um critério (como no caso) utilizado para avaliar questões 
> "humanas" ou biológicas. Meu pai mesmo cansa de dizer que na medicina, nem 
> sempre 2+2 =4, ás vezes são 3... outras 5... Enfim!
>  Na discussão em questão então, nem se fala. O gosto pessoal fala muito mais 
> forte do que avaliações científicas que, por questões naturais, não têm como 
> servirem de "referencial-infalível" para parâmetros de um critério objetivo, 
> que dizer então de um "subjetivo" em uma ciência não-exata. O Brasil é um 
> país muito grande, formada por uma população muito complexa; muito além de 
> brancos, negros, índios, ricos, pobres, favelados e universitários. Se uma 
> análise musical, do ponto de vista técnico - estudo da rítmica brasileira por 
> exemplo, já não consegue ser uma ciência exata, que será então de uma análise 
> para definir o que é "brega" do que é "boa música". No caso de Belém (e 
> daquela região em que se misturam Norte e Nordeste), brega tem um significado 
> bem definido: é um estilo musical com suas características próprias, 
> interpretado e consumido por uma determinada parcela daquela população 
> sócio-cultural (o que não impede, claro, que um Caetano rasgue elogios, 
> enfim!). Mas
> brega, assim como várias palavras, pode possuir mais de um significado. E sem 
> levar isso em consideração, fica complicado seguir adiante esse assunto. Pode 
> significar também cabaré (puteiro), pode significar cafona. Para ser mais 
> exato:
>    BREGA:   Substantivo masculino e feminino                              
> 1.Bras. N.E. Pop. V. zona (11).            Substantivo de dois gêneros        
>                       2.Bras. Pop. Pessoa brega.           Adjetivo de dois 
> gêneros                              3.Bras. Pop. Deselegante, cafona.
>
>  Possui um outro verbete também:
>  [Do gót. brikan, pelo esp. brega.]
>           Substantivo feminino                            1.Taur. Toureação.
>    E é interessante também analisar essa palavra Toureação
>    TOUREAÇÃO:
>   [De tourear + -ção.]
>          Substantivo feminino                            1.Bras. S. Ato de 
> tourear; lide, toureio. [Var.: toireação.]
>    que puxa...
>    TOUREAR
>            Verbo transitivo direto                           1.Correr ou 
> lidar (touros) em um circo ou praça.                           2.Perseguir, 
> atacar.                           3.Zombar ou escarnecer de; chacotear.       
>                     4.Provocar, desafiar.                           5.Bras. 
> S. V. namorar (1).          Verbo intransitivo                           
> 6.Correr touros. [Var.: toirear. Conjug.: v. frear.]
>    Quer dizer, de uma maneira ou outra, está tudo meio interligado (quem 
> quiser taí uma boa sugestão pra Tese de Doutorado...).
>    O que eu tenho lido até agora, não são análises criteriosas (que têm 
> obrigação de ignorar a opinião daquele que analisa), mas sim defesas 
> (ferrenhas! é verdade!) de pontos de vistas (o plural é esse mesmo?) PESSOAIS.
>    A ótica de cada coisa depende ás vezes de quem observa, outras de onde 
> está observando. Sendo assim, cada um vai opinar de acordo com sua 
> realidade/experiência de vida, de acordo com seu contexto pessoal.
>    Do mesmo jeito eu posso travar uma discussão infinita com o meu amigo 
> japonês de que nesse momento, está de dia (não - dirá ele - está de noite!) 
> ou então:
>   - Você está de cabeça pra baixo!
>   - Não! é vc quem está!
>    Entra aí a Relatividade... (quem não tem muito a ver com Tantinho não é 
> verdade?)
>    Mas gostaria de atentar para uma coisa dita pelo José Luis Vivas Frontana:
>    "Nunca vi nem ouvi ninguém do "povão" dizer que não há diferença entre o 
> bom e o ruim. Só turma de universidade defende essas coisas."
>
>  Na verdade, ou melhor, na minha opinião,
>  É completamente diferente (deve ser!) uma frase dita pelo povão (ou pela 
> elite), de uma dita pela turma da universidade - pelo menos enquanto 
> estiverem exercendo um estudo universitário. Na universidade têm-se a 
> obrigação de pesquisar, apurar como as coisas são e a partir daí utilizar o 
> conhecimento desenvolvido para alguma coisa útil. Não cabe aí nesse momento, 
> o universitário dizer se é brega, pagodeiro, erudito ou roqueiro. Ele deve 
> ser um pesquisador; Imparcial e investigativo; aberto aos fatos e muitas 
> vezes desprezando toda a sua opinião pessoal. Tenha certeza que depois que 
> bater o horário de ir embora, esse mesmo investigador vai tomar uma gelada 
> com a galera e mudar o nível da conversa de pesquisador, para o de "rábula 
> famigerado" que não quer saber se está certo ou errado - só quer ter razão 
> (foi mal Eduardo não resisti...) e defender a unhas e dentes a sua verdade 
> (que nesse momento, não tem muita obrigação de ser verdadeira, pois é uma 
> verdade pessoal,
> completamente diferente de uma verdade científica)
>    Aliás, Cristo perguntou:
>   - E o que é a verdade?
>    E se Cristo, tribuna, que foi quem; foi não sabia a resposta, eu é que não 
> vou tentar provar quem é que está com a razão. rsrsrsrsrs
>    Falei!
>      Marcelo Neder

_______________________________________________
Para CANCELAR sua assinatura:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
Para ASSINAR esta lista:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
Antes de escrever, leia  as regras de ETIQUETA:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta

Responder a