Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_21.htm

Villa-Lobos por inteiro

Com participação de Léo Gandelman, maestro Sílvio Barbato rege a Camerata do Brasil na abertura da série de concertos que celebra os 120 anos do compositor carioca

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Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio
Zuleika de Souza/CB - 20/3/06



Sílvio Barbato não abre mão de manter o cordão umbilical com Brasília. Depois de deixar no final do ano passado a batuta da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (OSTNCS), o maestro está de volta à cidade, no comando de projeto que reverencia o mais importante nome da música erudita no Brasil: o mestre Heitor Villa-Lobos. Na verdade, trata-se de uma série de concertos que vai homenagear o genial compositor, na data em que ele completaria 120 anos. A abertura será hoje, no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). As apresentações vão ocorrer até setembro, sempre na última quinta-feira do mês: às 13h, com entrada franca, e às 21h, com cobrança de ingressos.

“Minha idéia, com esse projeto, é levar ao público brasiliense um conjunto bastante completo das composições de Villa-Lobos, desde a obra mais conhecida, O trenzinho do caipira, até a mais rara, Concerto para harmônica (gaita) e orquestra, que será mostrada pela primeira vez na cidade”, adianta Barbato. Para interpretar o rico repertório, o maestro montou a Camerata do Brasil, composta por músicos do Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB), da Escola de Música e integrantes da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional. Em cada audição, haverá um convidado especial – o primeiro é o saxofonista carioca Léo Gandelman; os demais serão o gaitista Gabriel Grossi, o violonista Turíbio Santos, o pianista Wagner Tiso e a cantora lírica Lys Nardotto.

Do programa do concerto de abertura, intitulado Raízes, fazem parte Fantasia para sax e orquestra, O trenzinho do caipira, Bachianas nº 5 (versão para sax), Lenda do caboclo, Quatro canções da Floresta do Amazonas, Romeiro do São Francisco e Valsa da dor. São peças em que a música de diferentes regiões do país aparece como fonte de inspiração de Villa-Lobos: o seu Rio de Janeiro, o sertão de Minas Gerais, o rio São Francisco e a floresta amazônica. “Nesse primeiro concerto, o sax de Léo Gandelman, como se fosse o de Pixinguinha, percorre nossas paisagens”, avalia Barbato.

Amigo do saxofonista há 20 anos, o maestro tem trabalhado com ele desde a segunda metade da década passada. “O Léo foi solista de concertos que regi em Brasília e no Rio de Janeiro. É um músico excepcional e sempre vou querer tê-lo em meus projetos”, elogia. “Ele não poderia estar de fora dessa série que marca meu retorno à cidade, onde comecei minha carreira, sob orientação do maestro Claudio Santoro. Sou o maestro de Brasília, e não abro mão disso.”

Gandelman exibe contentamento ao voltar a tocar sob batuta de Barbato. “Entre nós, há grande sintonia artística. Estivemos juntos em vários palcos, no Rio, São Paulo e aqui. Quanto a Villa-Lobos, é um compositor que tenho interpretado ao longo da carreira. Desta vez, deparei-me com uma peça dele que exigiu de mim estudo redobrado, Fantasia para saxofone e orquestra”, conta.

Recentemente, o saxofonista conquistou o Prêmio Tim de Música de melhor disco na categoria instrumental, com Radamés e o sax. O disco foi lançado no segundo semestre do ano passado, durante apresentação no Clube do Choro. “Participei também de um DVD da Orquestra Petrobras Sinfônica, focalizando a obra de Radamés, lançado pela Rádio MEC.”


SÉRIE DE CONCERTOS VILLA-LOBOS 120 ANOS
Apresentação da Camerata do Brasil, sob regência de Sílvio Barbato e com participação do saxofonista Léo Gandelman. Hoje, às 13h (entrada franca) e às 21h (com ingressos), no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB (Setor de Clubes Esportivos Sul, Tc. 2, Lt. 22, 3310-7087). Ingressos: R$ 15 e R$ 7,50 (meia, válida também para pessoas acima de 65 anos).


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Na estante


Raridade – 27 de junho – Concerto para harmônica e orquestra e Bachianas nº 2, com a participação do gaitista Gabriel Grossi


Alma brasileira 1 – 25 de julho – Concerto para violão e orquestra, Introdução aos choros, Choros nº 1 e Bachianas nº 9, com a participação de Turíbio Santos


Contemporaneidade – 29 de agosto – O olhar de Wagner Tiso sobre a obra de Villa-Lobos e Orquestrações de Wagner Tiso


Alma brasileira 2 – 26 de setembro – Bachianas nº 1, Bachianas nº 5, Bach e Villa-Lobos – Prelúdios e fugas

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