"Positivismo Musical", bregas e pregas, as excelentes cantoras Marisa Monte e 
Mônica Salmaso, samba de roda, Tantinho da Mangueira e o Prêmio TIM, Fundo de 
Quintal: é a Tribuna Livre em efervescência. Que bom!

A gente só lamenta de não ter tempo para ler as mensagens com mais atenção e 
afinco, de participar das discussões (sobretudo porque falta cabedal para 
tanto). Mas sobram risos, sobretudo quando a pinga sobe na cabeça, o pau come.

Acerca das últimas mensagens, origem do samba e coisa e tal, pra botar fogo na 
coivara (ou não), em seguida transcrevo matéria do jornal Tribuna do Brasil, 
daqui de Brasília.

Trata do lançamento do livro "Samba de Roda no Recôncavo Baiano", hoje em 
Salvador, obra que traz o dossiê apreciado quando o Samba de Roda Baiano foi 
incluído no rol das Obras-Primas do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade.


Caio Tiburcio



Tribuna do Brasil


A Bahia tem samba de roda



O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan, 
Luiz Fernando de Almeida, vai entregar o livro Samba de Roda no Recôncavo 
Baiano à Associação de Sambadores e Sambadeiras do estado da Bahia. A cerimônia 
que vai marcar o lançamento do livro ocorrerá hoje no Forte de Santo Antônio, 
em Salvador (BA). Cerca de 20 grupos de vários municípios do Recôncavo vão se 
apresentar no evento.

O Samba de Roda no Recôncavo Baiano foi registrado como patrimônio cultural 
imaterial brasileiro em 2004. No ano seguinte, foi inscrito na lista das 
Obras-Primas do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, selecionado pelo 
Comitê da Unesco, que considera o patrimônio imaterial um repositório da 
diversidade cultural, essencial para a identidade dos povos e das comunidades.

O livro a ser lançado pelo Iphan contém o texto do dossiê apreciado pelo 
Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural quando houve o registro do samba de 
roda. Com 213 páginas, a obra reúne toda a história e a riqueza dos elementos 
que constituem essa prática cultural popular. 

O samba de roda é uma expressão musical, coreográfica, poética e festiva. 
Presente em todo o estado da Bahia, ele é especialmente forte e melhor 
conhecido na região do Recôncavo, a faixa de terra que se estende por trás da 
Baía de Todos os Santos. Seus primeiros registros, já com o nome e com muitas 
das características que ainda hoje o identificam, datam dos anos 1860.

Herança negro-africana, mesclou-se de maneira singular a traços culturais 
trazidos pelos portugueses, como certos instrumentos musicais (viola e pandeiro 
principalmente), e à própria língua portuguesa e elementos de suas formas 
poéticas. Essa manifestação cultural está ligada a tradições culturais 
transmitidas por africanos escravizados e seus descendentes, que incluem, entre 
outros, o culto aos orixás e caboclos, o jogo da capoeira e a chamada "comida 
de azeite".

Referência nacional

Historiadores da música popular consideram o samba de roda baiano a principal 
fonte do samba carioca, que como se sabe veio a tornar-se, no decorrer do 
Século 20, um símbolo indiscutível de brasilidade. A narrativa de origem do 
samba carioca remete à migração de negros baianos para o Rio de Janeiro no 
final do Século 19, que teriam buscado reproduzir, nos bairros situados entre o 
canal do mangue e o cais do porto, seu ambiente cultural de origem, onde a 
religião, a culinária, as festas e o samba eram partes destacadas. Parece 
indiscutível que as famosas "tias" baianas - como tia Amélia, tia Perciliana e, 
sobretudo tia Ciata - e seus filhos - como Donga e João da Baiana - tiveram 
papel de relevo na fase pioneira do samba no Rio de Janeiro, sobretudo até 
meados dos anos 1920.

Fonte : Tribuna do Brasil
Data : 06 de junho de 2007


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