Olá Gabriel, Antes de entrar no nosso assunto, informo à galera que fui a Portugal (Aveiro) recentemente e lá eles usam muito sítio, nunca lugar. E, que eu e muitos que conheço, só usam página ou sítio quando se referem à internete. Quanto a isso, creio que não dê para não usar termos de fora, mas usar qualquer um a qualquer momento sem pensar, não dá! É personal dancer (stylist, trainer...) para lá, sale, off, homebank, bankfone... para cá. Nesse sentido concordo com o MV-Brasil: Halloween é o cacete - viva a cultura nacional. Outra coisa também que gostaria de propor que prestemos mais atenção é no uso da palavra americanos para designar os estadunidenses. Eles, até podem denominar a parte pelo todo, mas penso que nós não deveríamos ficar repetindo isso. Americanos somos todos nós da América e norte-americanos são todos da América do Norte - o que não se resume aos Estados Unidos.
Eu é que me desculpo, quanto à real demora., A vantagem das cartas eletrônicas sobre o telefone é que não há a necessidade de parar o que se está fazendo para atender. Podemos escrever assim que possível. Numerei seus parágrafos para facilitar um pouco. 1 - Gosto da salsa também, mas prefiro as danças brasileiras para ver e dançar. Gosto não só do estilo em linha estadunidense (LA & NY), mas também da salsa cubana. Não acho que seja principalmente o caso de confusão de ritmos e sim que, muitas vezes, dança-se sem o conhecimento mínimo das raízes, o que leva a muitas confusões e distorções, mas também leva à novas modalidades e variações interessantes como a salsa em linha, que nada mais é que o bom e velho Lindy Hop/Jitterbug, repaginado para as músicas que chamaram salsa, ou seja, se formos examinar os estadunidenses fizeram exatamente o que você diz não gostar: usaram sua base de dança para uma nova música - criando uma nova dança; 2 - Esse segundo parágrafo é mesmo um assunto ainda mais complexo, teríamos que conversar muito tempo sobre os caminhos que desaguaram no que temos hoje e as perspectivas para o futuro, um ótimo tema para um seminário. Aproveitando dois assuntos recentes na lista, lembro que nós brasileiros, trituramos e transformamos tudo (língua, música, danças...) - antropofágicos que somos. Eu também não imagino a salsa para dançar lambada, por diversos motivos, me agrada menos ainda o hip-hop, que também vem sendo usado. Ao mesmo tempo que concordo com você e que procuro cuidar para que as danças mais antigas não sejam jogadas fora, também tento respeitar e até seguir novas tendências que eu considere interessantes, como fiz ao usar as rumbas flamencas e zouks, que para mim são muito mais interessantes melodicamente que a música lambada, portanto muito melhores para interpretar com o corpo. Outro caso foi quando comecei a dar aulas de forró: além de ensinar o estilo tradicional, trabalhei também com o novo, o universitário. Há uma nova dança chamada forrófieira no Ceará e o forró universitário do sudeste, se parece muitíssimo com o soltinho. Cabe lembrar aqui que não estou fazendo juízo de valor, pois todas as danças que vemos hoje são na verdade misturas como o samba de par que veio da valsa e da polca dançadas à brasileira e como os inúmeros "forrós" dançados pelo Brasil. Músicas x dança - Normalmente, em minhas aulas e palestras, começo dizendo que para facilitar o entendimento temos que separar a música da dança, parece estranho, mas é, na maioria dos casos, a maior verdade. Usamos sambas (canção, rock, de breque...), chorinhos e bossa nova para dançar samba (de par); soltinho nem existe como ritmo musical - usamos pops, fox, suingues...; Guagancôs, rumbas e son para dançar a "salsa"; Faz cerca de dez anos que se evita usar boleros para dançar a dança homônima, só pops e baladas românticas... Temos a dança lambada sendo dançada ao som de forrós, salsas, zouks, kizombas, rumbas flamencas, sambras, pops espanhóis estadunidenses e brasileiros. A lambada carioca muito bonita, mais suave e sensual que a vibrante e rebolativa lambada baiana, e o novo estilo só é o que é, pois passamos a dançar a lambada em músicas lentas como as rumbas flamencas do Gipsy Kings há duas décadas. Me preocupa um pouco ver as danças se misturando tanto e tão rápido, tenho visto tangos, salsas (Há um professor francês que ensina salsamba), lambadas, sambas e forrós com passos que consideramos mais característicos uns dos outros. Mas acho que mesmo assim, especialmente as danças brasileiras, conseguirão manter sua essência. 3 - Perfeita a sua avaliação, no texto que eu enviei explico bem isso, umas poucas pessoas dançam zouk (caribenho) no Brasil - geralmente no norte do país. Temos hoje principalmente dois estilos de lambada, o baiano e o carioca; A lambada tem, no meu cadastro, 25 nomes pelo mundo. Na minha opinião isso se deve principalmente a três fatores: tudo que tem nome de fora tem mais valor para o brasileiro médio e ainda, ignorância e ganância (conheço muitos que sabem o nome, de onde veio essa nova dança e até participaram da construção do movimento que hoje ganha o mundo novamente, mas me disseram que chamariam de qualquer nome, se acreditassem que iria vender mais, e que mudariam de nome novamente assim que o vento mudasse. disseram-me: cultura, protecionismo, verdade, romantismo, história ou nacionalismo, não importam, o compromisso é com o bolso. Quanto ao vídeo é isso mesmo, nada tem a ver conosco: a dança zouk é muito parecida com o merengue e com a dança usada para dançar a kizomba, africana Forte abraço, Luís Florião www.dancecom.com.br ----- Original Message ----- From: "Gabriel Gomes" <[EMAIL PROTECTED]> To: "Alma" <[EMAIL PROTECTED]> Cc: <[email protected]> Sent: Wednesday, July 04, 2007 12:25 PM Subject: Re: [S-C] Fw: lambada carioca Luís, vamos lá, com um pouco de atraso... >> 1 - A minha intenção na verdade não foi desvalorizar a lambada, mas enaltecer a salsa. Gosto de ver uma salsa em linha bem dançada e quando vou a um show de música caribenha é isso que espero ver. Além da pparte da dança, a salsa é riquíssima em termos musicais e me incomoda um pouco ver que as pessoas confundem o ritmo com a lambada. >> 2 - Não acho nem certo, nem tampouco bonito uma lambada dançada ao som de salsa. É o mesmo que dançar gafieira ao som de forró, bolero ao som de soltinho, e por aí vai. Sem querer pecar pelo excesso de purismo, acho que em determinados casos o melhor é cada macaco no seu galho. >> 3 - Talvez por isso não me desça esse tal de zouk. Na verdade, ao meu ver, não existe uma dança com esse nome por aqui. O que se dança no Brasil é lambada ao som de zouk, com algumas adaptações. Por isso essa confusão com os nomes, mas na verdade é tudo lambada. >> Bom, você pediu referências sobre o zouk. Vou falar mais ou menos o que eu aprendi sobre o ritmo. >> O Zouk nasceu de uma mistura de ritmos, músicas e estilos africanos, caribenhos e europeus. Inicialmente, fez muito sucesso nas Antilhas francesas, Guadalupe e Martinique, Paris, África Ocidental, além de Moçambique, Angola, Cabo-Verde. >> Depois sofreu influências do merengue da República Dominicana, da rumba de Cuba, do reggae da Jamaica, do beguine da Antilhas francesa e, finalmente, do calipso em Trinidad e Tobago. >> No Brasil começou a ganhar força no final dos anos 90. >> >> >> Pra quem não conhece zouk é isso aí: http://www.youtube.com/watch?v=JRnJ5rfWVqU >> Mais referências aqui: >> http://pt.wikipedia.org/wiki/Zouk http://www.zoukcaribe.com.br >> e principalmente aqui no oráculo: >> http://www.google.com.br >> >> Aquele abraço, Gabriel Gomes >> >> >> >> Em Sáb, 2007-06-30 às 19:47 -0300, Alma escreveu: Olá Gabriel, muiiito legal seu texto sobre as drogas. >>> Aproveitando que consegui finalmente me apresentar, vou passar algumas informações sobre a dança lambada. >>> Fico um pouco triste de ver o próprio brasileiro, geralmente por desconhecimento, desvalorizar o que temos de bom e o desconhecimento, assim como aconteceu com você até conhecer o choro, leva normalmente a conclusões precipitadas. >>> A dança lambada, a despeito da música, é de altíssima qualidade, é o carro chefe das danças brasileiras pelo mundo. É muitíssimo mais conhecida que o samba de par. No Brasil (principalmente o estilo carioca), vem ganhando cada vez mais espaço, mesmo que erradamente chamada de lambada zouk, lambazouk ou zouk. >>> Fiquei, ao contrário de você, muito feliz, em saber que além de dançarmos hoje a lambada em músicas como zouk, kizomba, rumbas flamencas, sambras, forrós em pops brasileiros e estadunidenses, também há quem use as músicas comumente chamadas de salsa para mostrar essa nossa criação. >>> Para os que se interessarem em saber mais sobre esse temperado assunto, envio texto no fim da mensagem. >>> Solicito ainda ajuda à todos os que puderem dar referências sobre as danças brasileiras e sobre a dança caribenha zouk. >>> Abraço, Luís Florião >>> >>> >>> ----- Original Message ----- From: <[EMAIL PROTECTED]> To: <[EMAIL PROTECTED]>; <[email protected] > Sent: Thursday, June 14, 2007 2:22 PM Subject: RES: [S-C] Re: Fundo-de-Quintal >>> >>> O pessoal de Salvador pode confirmar. Lá tem um grupo fantástico chamado Salsalitro, liderado pelo vocalista e compositor uruguaio Jorge Zarath. Os melhores metais de salsa do Brasil, com certeza. O interessante é que o Zarath sobrevive fazendo música baiana, sendo responsável por quase metade dos sucessos do carnaval baiano (leia-se axé) há um tempo atrás. Tive oportunidade de assistir a vários shows deles, sempre com bom público, apesar de nada comparado às bandas de axé. O triste é ver o povo dançando lambada ao som de Célia Cruz, Elvis Crespo, Rubén Blades, Tito Puente... Ainda bem que eu não assisti esse tal de capim cubano. Não quero nem imaginar. >>> Aquele abraço, Gabriel Gomes >>> >>> -----Mensagem original----- De: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome de Leonardo Braga Enviada em: quinta-feira, 14 de junho de 2007 14:07 Para: Tribuna Assunto: Re: [S-C] Re: Fundo-de-Quintal >>> Olá Sonia, >>> pavoroso mesmo, mais um rostinho bunitim perpetuando a má execução, aqui em Natal tem um grupo que toca musicas "latinas" chamado Perfume de Gardênia e tem em seu quadro músicos fantásticos como Beethoven (saxofonista que já tocou inclusive com Cidade Negra) e Jubileu (um dos maiores guitarristas desse nosso país, infelizmente ou felizmente ainda não descoberto pelas grandes gravadoras e bandas) e pra variar a galera daqui naum valoriza muito pq naum é modismo, prefere ir ao um showzim de Capim Mundano, ops Cubano do que ir a um SHOW do Perfume, que podemos aplicar no mais amplo sentido da palavra Show. >>> É isso >>> Sonia Palhares Marinho <[EMAIL PROTECTED] escreveu: Gente: >>> >>> Esse Capim Cubano é pavoroso!!! Aquilo é uma agressão à música caribenha. >>> >>> Sonia Palhares (BsB-DF) >>> >>> >From: "Caio Pontual" >To: >Subject: Re: RES: [S-C] Re: Fundo-de-Quintal >Date: Tue, 12 Jun 2007 12:22:49 -0300 > >É até engraçado alguem dizer que o Só Prá Contrariar faz SAMBA e esse >grupo >Capim Cubano faz uma imitação de música caribenha para aproveitar o >sucesso >que esse gênero esteve fazendo por aqui nos últimos meses, mas como todo >modismo é PASSAGEIRO ... (ainda bem) .... esse tambem está passando. >Caio Pontual > > >----- Original Message ----- From: "Alex Mariano Carneiro" > >To: "Wagner Freitas" ; >Sent: Monday, June 11, 2007 3:32 PM >Subject: RES: RES: [S-C] Re: Fundo-de-Quintal > > Ontem eu vi outro grupo no Faustão que também não é do Rio, mas tem >tudo pra fazer sucesso aqui apesar de não ser de samba: CAPIM CUBANO!!! >>> >>> >>> >>> >>> >>> -------------------------------------------------------------------------------->>>Para Quem Gosta de Lambada e Zouk>>Muitos acreditam que a lambada - músicae dança - sejam produtos culturais do Caribe. Também há aqueles queacreditam que lambada e zouk sejam nomes diferentes para o mesmo ritmo edança, mas nada disso é verdadeiro. Para entender como surgiu a lambada edesfazer essa confusão é preciso saber um pouco mais, separando danças emúsicas nesse caldeirão de ritmos.>>Os Caribes e a Lambada Em vez deCaribe, o mais correto seria a região chamar-se "Os Caribes", considerandoque as ilhas foram dominadas por diversos povos europeus, dandocaracterísticas muito diferentes a cada uma delas. Os Caribes seriam quatro:o espanhol, o francês, o inglês e o holandês. Todos têm em suas culturas, emmaior ou menor grau, influência dos nativos, dos colonizadores e dosafricanos. Na música, isso representou uma enorme diversidade, mas com umdetalhe: quase todos os pa íses utilizam principalmente os instrumentos decordas que vieram da Europa e a percussão africana (basicamente do povoYorubá).>>A Música Zouk A música caribenha, que é também ingrediente dediversos ritmos brasileiros, sempre exerceu grande influência no norte doBrasil, em especial no Maranhão. O zouk é uma dessas músicas. Forte ondeocorreu colonização francesa como a Martinica e Guadalupe, é cantadonormalmente em creòle, uma mistura do francês com línguas africanas.Estudiosos acreditam que a sua base rítmica seja oriunda da cultura árabe.Esta mesma base é encontrada também em vários países como Espanha ePortugal, no continente africano e em praticamente toda a América. Uma dasversões sobre o surgimento da música zouk afirma que ela foi criada paradivulgar a Martinica e ter, a exemplo de Cuba, influência cultural naAmérica Latina. O resultado foi apenas parcial: conseguiram que o ritmo seespalhasse pelo mundo, mas como isso ocorreu a partir da Fra nça, em diversoslugares, inclusive no Brasil, muitos passaram a acreditar que a música seriafrancesa.>>A Dança Zouk O zouk - que significa festa - é uma dança muitoparecida com o merengue, praticada no Caribe, principalmente nas ilhas deGuadalupe e Martinica. É dançado trocando o peso basicamente nas cabeças dostempos musicais e sua coreografia é pouco elaborada.>>A Música LambadaSurgida no Pará, a música lambada tem base no carimbó e na guitarrada,influenciada por vários ritmos como a cúmbia, o merengue e o zouk. Diversosrelatos de paraenses contam que uma emissora local chamava de "lambadas" asmúsicas mais vibrantes. O uso transformou o adjetivo em nome próprio,batizando o ritmo cuja paternidade pode ser creditada ao músico Pinduca. Onovo nome e a mistura do carimbó com a música metálica e eletrônica doCaribe caiu no gosto popular. O grande sucesso, no entanto, aconteceu após aentrada de empresários franceses no negócio, que de uma só vez comp raram osdireitos autorais de centenas de músicas. Com uma gigantesca estrutura demarketing e bons músicos, o grupo Kaoma lançou com êxito a lambada na Europae outros continentes. Adaptada ao ritmo, a música boliviana "Chorando sefoi" tornou-se o carro chefe da novidade pelo mundo. Seguiu-se um períodointenso de composições e gravações de lambadas tanto no mercado internoquanto externo. Dezenas de grupos e diversos cantores pegaram carona nosucesso do ritmo, incrementando suas carreiras, como foi o caso de SidneyMagal, Sandy e Jr, Fafá de Belém e o grupo Balão Mágico. É uma históriarecorrente, onde apenas mudam os personagens: a valorização do produtobrasileiro se dá somente após a vitória no exterior. Depois dessa fase desuperexposição, como acontece com quase todas as boas novas de ontem, deu-seum natural desgaste com a conseqüente queda nas vendas até o cessar daprodução.>>A Dança Carimbó Antes de falar sobre a dança lambada lembramosuma de suas raízes: o carimbó. Dança indígena, pertencente ao folcloreamazônico vem sendo dançado por lá há séculos. Ascendente direto da lambadaé, na forma tradicional, acompanhado por tambores de tronco de árvoresafinados a fogo, tendo como principais características: movimentos onde amulher tenta cobrir o homem com a saia, muitos giros e rotações decabeça.>>A Dança Lambada A dança lambada teve sua origem no norte doBrasil, a partir de uma mistura da dança carimbó com danças nordestinas eainda algumas figuras do maxixe como o balão apagado. Em sua primeira fasechegou até o Nordeste, mas, sem fincar raízes. Nesse período a lambada tinhacomo principal característica os casais bem próximos. Em seguida, ela chegaa Porto Seguro e se desenvolve. Como referências cito as casas Lambada Bocada Barra em Porto e o Jatobar em Arraial D'Ajuda - onde desde o iníciotambém as Rumbas Flamencas (então chamadas de lambadas espanholas) e oszouks (então chamados de la mbadas francesas) serviram para embalar oslambadeiros. No fim da década de 80 veio o sucesso mundial que aconteceugraças à grande promoção feita pelo Kaoma, que contava com dançarinosbrasileiros em seus shows. No exterior e aqui, a lambada (dança e música)tornou-se um fenômeno de vendas e em pouco tempo passou a marcar presença emnovelas (ex. abertura da Rainha da Sucata da rede Globo de 1990), filmes epraticamente todos os programas de auditório - É a hora dos grandesconcursos, shows etc. A necessidade do espetáculo faz com que os dançarinoscriem coreografias cada vez mais ousadas, com muitos giros e acrobacias.>>>A aparição do novo estilo, a lambada carioca Depois de vários anos nos toposdas paradas de sucesso pelo mundo, a música lambada entrou em crise e paroude ser gravada. Os Djs das boates aproveitaram então para simular o enterrodo estilo musical. A dança perdeu destaque, mas sobreviveu, pois já haviamsido feitas nas lambaterias muitas experiênc ias com variados estilos demúsica que tivessem a batida (base de marcação) que permitisse dançarlambada, só para citar um exemplo, a banda de rumba flamenca Gipsy Kingsteve vendagem significativa no Brasil por conta da dança. Então as músicasfrancesas, espanholas, árabes, estadunidenses, africanas, caribenhas etc.garantiram a continuidade do estilo de dança. De todas as músicas, o zoukfoi a que melhor se encaixou, tornando-se, a preferida para se dançar alambada. O fato de se passar a dançar em músicas com um andamento maislento, com mais tempo e pausas que praticamente não existiam na músicalambada, permitiu explorar ao máximo a sensualidade, plasticidade e belezada nossa criação. Os movimentos ficaram mais suaves e fluidos,modificando-se à medida que a dança foi incorporando e trocando com outrasmodalidades, a relação interpessoal voltou a ganhar valor e as acrobaciasficaram praticamente exclusivas para os palcos. Contribuíram ainda diversaspesquisa s, até fora da dança de salão, como por exemplo, as de contato eimprovisação. A casa noturna Ilha dos Pescadores (Barra da Tijuca - Rio deJaneiro), comandada por Tio Pio e norteada pelo lema: enquanto um lambadeiroexistir, a lambada jamais morrerá, manteve por quase todo o tempo que alambada esteve fora da moda os domingos direcionados para essa dança, e énesse ambiente de resistência que se consolida a transição da lambada dePorto Seguro para a lambada carioca. Hoje, no início do séc XXI, temos oestilo de Porto Seguro (geralmente chamado de lambada) que preferencialmenteusa as músicas mais rápidas (lambadas, zouks, músicas árabes...), muitaenergia, giros múltiplos da dama, muita oscilação dos ombros e dando aênfase do movimento nos tempos pares da música*1 ou intercalando nos pares eímpares e o estilo carioca (chamado muitas vezes de lambazouk, lambada zouk,zouk, zouk love, zouk brasileiro, zouk carioca e outros muitos nomes) quenormalmente usa músic as lentas como o zouk love e a kizomba (love), é maissensual, com muitas espirais, torções de tronco, contato e tem a ênfase domovimento nos tempos ímpares*1. Constato ainda grande mistura entre os doisestilos e alguns subestilos.>>Reconhecimento A cada dia, mais brasileirose estrangeiros dão o devido reconhecimento e valor à nossa cultura. A dançalambada vem se mostrando um grande incremento profissional, no biênio2006/2007 registramos cerca de dez diferentes eventos pelo mundo, que têmessa dança como destaque - concursos, encontros, palestras*2 e congressoscomo o Br Danças no Rio de Janeiro, o de Barcelona, o de Brasília e o dePorto Seguro. Encontramos bailes especializados e professores em diversosestados e nos mais variados pontos do planeta e ainda que chamemequivocadamente a dança lambada de zouk, muitos viveram e vivem dela.Interessante também citar que muitos professores vêm se reunindo para criarformas de divulgações em comum. De toda essa histó ria ficaram ótimos frutos,por exemplo: uma boa parte dos talentos da dança de salão de hoje, surgiu apartir da lambada; a apresentação da dança a dois aos mais jovens; avisibilidade internacional conquistada - a lambada é a nossa dança de parmais conhecida no exterior (mais até que o samba) e principalmente o resgatedo direito, perdido a décadas, de dançar abraçado.>>Luís Florião -Professor de lambada e idealizador do Movimento Lambada Brasil>>>>>AlgumasReferências: Bibliografia Livros mais relevantes: Samba de Gafieira - MarcoPerna; Da modinha à Lambada - Tinhorão;>>Textos selecionados: História daLambada - Chico Peltier História da Lambada e do Zouk - Luís Fernando deSant'Anna Manifesto da Lambada-Zouk - Anibal Bentes Lambada / Zouk - AndreiUdiloff Minha Vida se Confunde com a Lambada e o Zouk - Jairo Brasil Mestresda Tradição Zouk ou Lambada? - Marta Ribeiro>>Matérias selecionadas: Dançae Saúde - Depois da Lambada e da salsa, é a vez do z ouk - Aníbal FeiferJornal Dance News - Existe uma dança chamada zouk? - Marco PernaFantástico - Maurício Kubrusly descobre o zouk - Maurício KubruslyFantástico - No Ritmo do zouk Carimbó -www.amazonia.com.br/folclore/dancas.asp Dança do Carimbó -www.citybrazil.com.br/pa/belem/folclore.htm Jornal Dance News (2006) ->>>Entrevistas e pesquisas de campo também ajudaram a construir essetrabalho.>>>>>*1 - Chamo de dançar no ímpar quando, tendo como referênciao início das frases musicais, os dançarinos utilizam os tempos ímpares (1,3, 5 ou 7) para dar a ênfase do movimento e fazer os afastamentos daspernas, assim trocamos o peso no "1", no 2" e no "e"; no "3", no "4" e no"e", assim por diante. Dança no par, quem dá as ênfases nos pares, trocandoo peso no "1", no "e" e no "2"....>>*2 - Registro de reuniões ou palestrassobre o nome e/ou história da lambada: 1o Congresso Lambazouk de Barcelona(2004) - reunião professores 1o Congresso de Lambada e Samba de Lo ndres(2004) - reunião professores 1o Br Danças - Congresso Internacional deDanças Brasileiras (2005) - palestra 1o Congresso Internacional de Zouk emBrasília (2005) - palestra 1o Curso de Extensão em Dança de Salão - Rio deJaneiro (2005) - palestra Pós Graduação em Dança de Salão da Famec -Curitiba (2006) - palestra 3o Minas Zouk (2006) - mesa redonda comprofessores 1o Zouk´n Rio (2006) - palestra 2o Congresso Internacional deLambada Zouk de Porto Seguro (2007) - reuniãoprofessores>>-------------------------------------------------------------------------------->>A nova explosão da lambada>>Quem não se lembra dalambada? Uma dança expressiva, de movimentos sinuosos que realçam a belezada mulher. Uma dança brasileira que foi febre mundial nos anos 80/90. Poisé, depois que a música deixou de fazer sucesso, a dança não perdeu força,pelo contrário, está mais linda que nunca e hipnotiza platéias no Brasil eno mundo.>>"A experiência de divulgar a nossa cultura é muitogratificante, vimos, quando fizemos a primeira turnê na Europa, em 2004, anossa cultura respeitada e valorizada, vimos lindas apresentações delambada, feitas por japoneses, argentinos, espanhóis, surinameses,angolanos... vimos ingleses dançando como nós, e vimos principalmente umgrande amor e curiosidade pelo que é brasileiro. Mais que uma vezencontramos europeus falando português com sotaque brasileiro. Gente que jáveio diversas vezes aqui, ou que sonha vir", explica Adriana.>>A essaaltura, o leitor pode estar surpreso, imaginando japonesas com sainhasrodadas dançando ao som de "Chorando se foi", o maior hit fonográficodaquela época. Mas nem Beto Barbosa, nem Kaoma fizeram parte do repertório.Hoje, dança-se ao som de pops internacionais de Madonna, Cher, Santanna, asmúsicas árabes com influência cigana são das mais bonitas para se dançarlambada. Nas pistas há ainda a kizomba africana e principalmente o zoukcaribenho. Todas essas músicas, e outras, das mais diversas procedências,têm uma marcação rítmica em comum, a mesma da lambada. A nossa dança hoje, éuma semente verde-amarela espalhada pelo mundo.>>Ah, sobre as sainhas dasmoças e calças largas e estampadas dos rapazes? Pode esquecer também, alambada atual tem outro visual.>>Devido à música lambada ter sidoconsiderada "fora de moda" e de não ter sido mais gravada com esse nome,muitos dançarinos passaram a dar outro nome à dança que praticavam. Há quemdiga que está dançando zouk, lambazouk, lambada-zouk e ainda outros 24títulos.>>Informar ao grande público, livrar-se de estereótipos muitasvezes até pejorativos e definir uma estratégia mundial de divulgação dalambada será novamente tema nas discussões com os professores europeus.>>>"A nossa preocupação é que se perca a referência brasileira. No Rio e em SãoPaulo encontramos muito jovem que dança lambada e pensa que dança zouk. Nãogostaria de ver nossa arte d ivulgada como produto caribenho ou francês, masinfelizmente, já aconteceu, e num programa de TV com grande audiência emtodo país", relata Luís Florião, que defende a importância da valorização dacultura, do estudo e respeito às origens. Autor de uma pesquisa a respeitoda lambada, ele advoga em favor da manutenção do nome original, pois apesarda natural evolução, os movimentos básicos e característicos mantém-se, nãojustificando-se a ruptura e mesmo o risco de perda da noção sobre abrasilidade da dança.>>>>>> _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
