Respondi sobre isso em outra mensagem e prometi calar a boca.
Mas apenas para não deixar isto pendurado, pois, afinal, ambas chegaram
juntas, gostaria de ressaltar que a cultura de um país está intimamente
ligada à realidade do mesmo, e ganha força quando a registra, tanto de
maneira laudatória quanto como de maneira crítica.
O que não se pode é pretender que o samba - ou qualquer outra forma de
debate e manifestação cultural - seja alienado.
Este foi - repito - um argumentos dos que queriam calar Chico e todos os
outros que citei na outra mensagem.
Da mesma forma como me insurgi na época contra os que usavam este argumento
naquele momento do passado, continuo me insurgindo agora contra os que
querem reduzir o debate sobre o mais forte e disseminado gênero musical do
país a uma coisa insossa e alienada.
É preciso aprender não apenas a ouvir, mas até estimular a produção crítica
contra a doutrina política que apoiamos.
Me espanta que alguém que se especializou em política queira restringir o
dabate sobre abrangência política em uma lista sobre um gênero do produção
coltural.
Cansei de ouvir militantes petistas citando Brecht para lembrar que tudo é
político.
Também já fui petista, quando o partido era menos sectário.
Lamento que agora os mesmos que citavam Brecht prefiram imitar Buzaid, para
dizar que "aquilo só valia contra os outros, mas não pode ser usado contra
nós".
Faço parte da lista desde que ela foi criada, li as recomendações e
limitações sobre assuntos a ela afeitos, mas não creio que a realidade do
país fique fora dos parâmetros ali estabelecidos, até porque a música é,
desde sempre, uma das grandes formas de manifestação do povo.
Por isso fica muito estranho observar o atual silêncio cúmplice de tantos
militante musicais libertários do passado.
Como já disse que vou calar, tudo isto pouca diferença faz.
Mas gostaria de ler aqui a manifestação da coordenação, da mediação ou do
próprio Paulo sobre o assunto.
Mais uma vez, abraços a todos.
Ney
PS: Há anos aprendi que ser "militante político" é perder a capacidade de
pensar com o próprio cérebro, e limitar nosso raio de ação a obedecer
conceitos alheios. Prefiro, desde então, ser um "atuante
político", observando que a verdade não está de um só lado (ou partido),
mas pipoca em pequenas erupções em todos os cantos, restando muito espaço
para críticas a serem dirigidas a todos os quadrantes do espectro ideológico
e partidário. Só a religião deve ser baseada em fé cega, e mesmo no caso
dela o resultado disto geralmente é merda.
Em 18/07/07, Sonia Palhares Marinho <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
Ney:
Não sei quanto tempo você tem nessa lista, eu participo desde 2001, não
sei
sequer se você ao assinar este fórum leu o código de etiqueta da TS&C, se
não o fez, faça o mais rápido possível. Uma das recomendações do
administrador do sítio Paulo Eduardo Neves, é que nós nos mantenhamos
dentro
do assunto da lista, ou seja, SAMBA & CHORO. Se você quiser discutir
política eu topo, mas não aqui. Estudei ciência política na Universidade
de
Brasília - UnB, gosto do assunto e me especializei nele, além disso sou
militante política há mais de 30 anos. Aceito discutir qualquer assunto
sobre esse governo, governos passados, teoria política, conjuntura
nacional,
conjuntura internacional etc... Mas não na TS&C. Podemos criar, para os
interessados no tema, uma lista só para esse fim. Valeu!?
Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)
>From: "Ney Gastal" <[EMAIL PROTECTED]>
>To: [email protected]
>Subject: Re: [S-C] A LISTA É AMO LULA, ODEIO LULA???????
>Date: Wed, 18 Jul 2007 12:58:35 -0300
>
>Este era o tipo de argumento usado durante a ditadura para questionar,
por
>exemplo, Chico Buarque.
>Alfredo Buzaid, Ministro da Justiça de Médici caricaturizado em "Apesar
de
>Você", dizia exatamente isso.
>Que Chico Buarque era um sambista e que como sambista deveria fazer só
>samba, e não política.
>Quer dizer, por este raciocínio nunca teriam sido compostas coisas como
>"Apesar de Você".
>Ou, para dar só mais um exemplo (e eles são pelo menos centenas), "O
Bêbado
>e a Equilibrista".
>Mas o ser humano é assim mesmo. Gosta de reprimir, detesta ser criticado.
>Por isso o mundo não muda, porque ao chegar ao poder todos agem igual.
>E, notem, nem estou discutindo o conteúdo partidário desta (abaixo) ou de
>qualquer das outras mensagens.
>Isto talvez faça em outra mensagem específica.
>Apenas defendo aqui o conceito de as idéias e o momento podem, sim,
>ser debatidos e questionados aqui, pois fazem parte do contexto que gera
o
>samba e o choro.
>Se não for assim, samba e choro serão tão alienados quanto hinos
>religiosos,
>que remetem para outro mundo a solução dos problemas deste.
>Só isso.
>Abraço geral,
>Ney
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