Parabéns a Dolores Tomé, grande guerreira!!!
Sonia Palhares (BsB-DF)
Com a ponta dos dedos
Professora do DF ganha apoio para difundir método que facilita a
aprendizagem de música por deficientes visuais
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Elisa Tecles
Da equipe do Correio
Kleber Lima/CB
Monique Renne/Especial para o CB
Dolores Tomé foi alfabetizada em braille pelo pai, cego e apaixonado
pela música. A professora ficou satisfeitíssima com o apoio do
programa
Petrobras Cultural. A idéia é ajudar alunos como o pianista Josenei,
26
anos, que perdeu a visão aos 8
Com as pontas dos dedos correndo por uma folha de papel, o músico
descobre as notas musicais e intervalos que compõem a canção. A
lembrança do som de um dó, ré ou mi é despertada com a sensação dos
pontos em relevo que substituem a tinta da partitura. A música que sai
do instrumento é limpa e harmônica - quase não dá para acreditar que o
artista não enxerga as teclas ou cordas do instrumento. Com a ajuda de
partituras digitadas em braille, deficientes visuais descobrem o dom
da
música e mostram que não há barreiras para quem tem talento.
Um trabalho de incentivo ao aprendizado de música por pessoas com
deficiências visuais no Distrito Federal foi escolhido pelo programa
Petrobras Cultural para ser apoiado. O projeto MusiBraille passou na
frente de outras propostas de inclusão social e conquistou o direito
ao
patrocínio, que o consagrará como a primeira iniciativa brasileira do
tipo. A proposta é eliminar o principal empecilho para o ensino de
música aos cegos em faculdades e conservatórios, a falta de material
adaptado. Com um programa de computador, os alunos poderão criar
versões em braille a partir de qualquer música pronta, ou mesmo compor
canções próprias.
A motivação da idealizadora do projeto, Dolores Tomé, é dar aos
deficientes o direito de freqüentar cursos regulares e poder estudar
música sem limitações. Filha do músico João Tomé, ela foi alfabetizada
em braille porque o pai era cego e dedicou a vida à música. Sozinha,
ela transcreveu mais de 100 partituras e as disponibilizou na
internet,
permitindo que estudantes de qualquer local tenham acesso ao material.
Os papéis são impressos em aparelhos especiais, disponíveis em
associações ou centros de apoio. "Comecei a perceber que muitas
pessoas
eram recusadas nas escolas porque não tinham como acompanhar as aulas.
Os livros são muito caros e demoram para ficar prontos. No computador,
o aluno tem isso de graça", afirma.
O MusiBraille é baseado na técnica da musicografia braille, criada por
Louis Braille (1809-1852), o francês que concebeu um sistema de
escrita
e leitura para cegos. A linguagem consiste no uso combinado de pontos
em relevo no papel que permitem até 64 combinações diferentes, usadas
para simbolizar letras, números, pontuação e as notas musicais.
Depois de pronto, o software ajudará os artistas a fazer os exercícios
das aulas, assim como todos os outros alunos. Eles não dependerão mais
das partituras transcritas manualmente, uma a uma, pelos professores,
e
terão liberdade para escolher o que tocar. "Os cegos são
desestimulados
a entrar em uma faculdade porque não têm material adequado, então eles
acabam virando ouvintes. Sempre tem alguém dizendo que é impossível,
mas agora vamos cobrar outra atitude das instituições", explicou
Dolores.
Até o fim do ano, o programa será finalizado e divulgado na internet.
Durante os próximos cinco meses, Dolores organizará oficinas de
capacitação de professores para o uso da ferramenta em uma cidade de
cada região - Salvador, Campo Grande e Belém já estão escolhidas. "Por
que o cego precisa ouvir a música várias vezes até decorar se também
pode ter uma partitura? Mesmo que ele use as duas mãos ao tocar, o
papel facilita o aprendizado", defende a coordenadora do MusiBraille e
diretora de Inclusão Cultural da Secretaria de Cultura do DF.
O software terá utilidade para pessoas como o estudante Josenei
Ferreira da Costa, 26 anos, pianista, cego desde os 8 anos e ex-aluno
de Dolores. Ele aprendeu a identificar as notas e reproduzir uma
música
ao escutá-la apenas uma vez. Mas os 10 anos de experiência com o
instrumento não evitam que ele perca alguns detalhes vez ou outra, o
que só é corrigido com a ajuda da partitura. No início, foi difícil
acompanhar as aulas de piano em turmas regulares, mas logo ele pegou o
jeito. "Muitas vezes chegava na sala e todo mundo tinha um texto para
ler. Eu ficava só ouvindo. Depois, tinha que revisar o conteúdo com a
professora para não ficar atrás do resto da turma", lembra.
Treinando diariamente em casa, ele adquiriu agilidade nos dedos e
completa noção do posicionamento das teclas - não erra uma só vez. As
aulas de musicografia braille lhe mostraram que por trás de cada
música
há uma lista de símbolos e linhas que determinam a harmonia do som.
Com
esses símbolos, ele aprendeu a composição de músicas clássicas, suas
preferidas. "A música me traz paz e muita calma. Às vezes, quando
estou
nervoso, sento e toco para relaxar. Não tem coisa melhor."
Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cidades/pri_cid_92.htm?
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