Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cidades/pri_cid_55.htm


Amantes do violão

Festival celebra pela primeira vez em Brasília o instrumento de cordas e encanta com repertório de Tom Jobim a Bach

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Edna Cristina de Góis
da Equipe do Correio
Fotos: Carlos Vieira/CB

Thiago Vieira foi o único brasiliense a participar do concurso que também fez parte da programação do encontro, que reuniu 50 músicos no sesc da 504 sul. thiago ficou em 4º lugar com apresentação erudita




André Rodrigues, de Campinas, ficou em 2º lugar no concurso


Um final de semana dedicado à apreciação do violão. O instrumento criado no século I d.c. foi a estrela da primeira edição do Festival da Associação Brasiliense de Violão (Bravio), realizado até ontem no Sesc da 504 Sul. A programação incluiu, além de recitais, as apresentações do I Concurso de Violão Eustáquio Grilo. O nome é uma homenagem ao professor da disciplina da Universidade de Brasília (UnB) e um dos convidados do evento. A Bravio, com apenas dois anos de criação, resolveu dar um passo largo neste ano e movimentar a cidade, criando uma agenda específica. “Brasília já tem muitas opções para quem aprecia música instrumental. Mas faltava um encontro que unisse os admiradores de violão”, explicou o presidente da associação, Álvaro Henrique, 32.

Para o professor de música Eustáquio Grilo, 58, o festival é um espaço inédito no Distrito Federal. “É surpreendente porque o violão cresceu muito na cidade nos últimos 30 anos”, afirmou. Mesmo sem possuir sede própria e contando com poucos patrocínios, a Bravio conseguiu reunir cerca de 50 musicistas de vários estados, gente que veio prestigiar a iniciativa e aproveitar o intercâmbio cultural proporcionado por programações como essa.

Silvana Ferreira, 33, chegou de Teresina (PI) há menos de uma semana. Ela conta que resolveu vir para o festival porque em sua cidade há poucas oportunidades de formação e reciclagem, o que prejudica os violonistas. A professora de música acabou de voltar de Londrina, onde também participou de um festival, e acompanhou os recitais do evento de Brasília. Mesmo com uma velha intimidade com o violão, ela explica que hoje prioriza o canto. “Também toco violão, mas penso em desenvolver um trabalho de canto com música popular”, esclareceu.

A musicista destaca Brasília como um dos roteiros mais interessantes em relação à música no país. Daí vem o interesse em participar de um evento tão recente. Do coral de igreja até os palcos, seu percurso levou 20 anos. Silvana Ferreira concluiu o curso de música e agora finaliza uma especialização em educação musical no Piauí. Vive exclusivamente da música, mesmo com todas as dificuldades que aparecem. “A gente tenta. Mas é complicado. A música requer muitas coisas, inclusive condicionamento físico do artista”, afirmou.

Outro visitante de Teresina, Alfredo Werney, 25, veio à Brasília inicialmente para participar do concurso de violão, mas se envolveu em outros projetos na cidade e terminou desistindo. Ele se apresentou na semana passada no “Fulô do Sertão” com repertório que incluiu nomes como Pixinguinha e Tom Jobim. “Ensaiei três dias para uma outra apresentação e terminei desistindo de competir. Mas isso não invalida a viagem, porque o concurso é um pedaço do festival”, disse.

De acordo com o presidente da Bravio, Álvaro Henrique, 14 pessoas se inscreveram para o I Concurso de Violão Eustáquio Grilo e quatro foram escolhidas para a final. O primeiro colocado da competição foi Jonathan Zwi (EUA), que apresentou Prelúdio, Fuga e Allegro, de Bach, e Koyunbaba, de Carlo Dominiconi. Além dele, concorreram André Rodrigues, de Campinas (SP), Danilo Alvarado, Rio de Janeiro (RJ) e Thiago Vilela, o único de Brasília na competição. O primeiro colocado participará do recital da Bravio de 2008, da Mostra de Cordas Dedilhadas, em São Paulo, e da Série Música no Museu, no Rio de Janeiro. Os demais premiados ganharam instrumentos musicais.

“Acho que conseguimos atingir o nosso objetivo. Aos poucos ajudaremos a melhorar o nível dos alunos de violão da cidade. É o que a gente mais deseja”, comemora o presidente da Bravio, Álvaro Henrique. Criada em 2005, a associação quer preencher uma lacuna na cidade — a de espaços qualificados de troca de experiências musicais. Até a realização do festival foram promovidos 14 encontros preparatórios com atividades didáticas e saraus. A Bravio utiliza as dependências do Sesc para as suas atividades. As únicas contribuições da associação vêm dos 20 membros inscritos, que pagam semestralmente R$50. Mais informações sobre a associação no site http//: bravio.blogspot.com.


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para saber mais
Instrumento urbano

O violão teve sua forma atual definida no final do século 19. Diferentemente da viola, tornou-se um instrumento essencialmente urbano no Brasil. A confusão entre viola e violão começou em meados do século 19, quando a viola era usada com uma afinação semelhante a do violão (lá, ré, sol, si, mi). O instrumento de cinco cordas duplas, que antecedeu o violão e é muito popular em Portugal, foi introduzida no Brasil pelos jesuítas portugueses nas atividades da catequese. Segundo o livro História do Violão,, de Norton Dudeque, a viola é um dos instrumentos que acompanha as danças populares e com o passar do tempo foi associada às músicas do interior do país. Já o violão cresceu nas capitais, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ele se tornou o instrumento preferido para o acompanhamento da voz e formou a base do choro junto com a flauta e o cavaquinho.

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