Rapaz!!! Isso é que é capacidade de síntese. Você falou de todos os assuntos
aqui discutidos numa única mensagem.:-)
Mário, o problema dos ingressos é a ganância dos produtores mesmo. O show
da Diana Krall em Porto Alegre - eu estava lá na época participando do Fórum
Social Mundial - foi pouco mais de 100 reais. O tamanho da sala pode ter
influência sim, é verdade, mas ninguém promove show de um artista desse
nível sem um belo e polpudo patrocínio.
Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)
From: "Mario Fernandes" <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[email protected]>
Subject: RES: [S-C] Re: Agora é a diversidade (era: RES: O samba da Bahia
como vai?)
Date: Wed, 1 Aug 2007 19:29:21 -0300
Vou meter meu bedelho.
1. O Chico Buarque voltou da Itália no começo da década de 70 e enfrentou a
ira dos generais por muitos anos. Para fugir da censura, chegou a
apresentar
composições com nomes fictícios, como Julinho da Adelaide. O fato de ter
renome no exterior ajudou a livrá-lo do pior, como ocorreu com outro
compositor citado por aqui, se não me engano alguém cujo primeiro nome é
Geraldo.
2. Numa entrevista, o Chico foi franco: voltou porque não via oportunidades
de fazer seu trabalho lá fora. Disse que na Itália sobreviveria apenas
cantando "Mamãe eu quero" ou no máximo "Garota de Ipanema" em boates.
3. Ele paroui de compor alguns anos porque estava enfronhado (com sucesso
relativo) na literatura. Mesmo assim, alguns de seus trabalhos recentes têm
potencial para se tornarem clássicos. Por exemplo, "Futuros Amantes", com
aquela imagem poderosíssima do Rio de Janeiro submerso.
4. Como Chico Buarque, outros grandes autores brasileiros fizeram samba,
embora não fossem propriamente sambistas. Cito, entre os mais recentes, Ary
Barroso, Antonio Carlos Jobim, Edu Lobo, Sidney Miller. O Villa Lobos fez
choros, mas não somente choros.
5. O inverso também é verdadeiro. Várias das composições do Paulinho da
Viola não são sambas. Mas são lindas, como "Sinal Fechado".
6. Na minha opinião, rótulos limitam não só o artista como também o
ouvinte.
Adoro samba, adoro choro, mas o que interessa para mim é se a música é boa
ou não. Isso inclui não-brasileiros -- Cole Porter, Gershwin, Piazzola, a
boa música portuguiesa ... Se a gente fosse dividir, você só pode fazer
samba, você não pode fazer samba, muita coisa bonita estaria perdida ...
7. Os preços dos ingressos dependem de muita coisa, inclusive da capacidade
da sala. Um ingresso para ver a cantora de jazz canadense Diana Krall aqui
em São Paulo estava na faixa dos 500 reais. Mas não há dúvida de que a
ganância dos empresários é o fator principal. Talvez a solução seja
organizar concertos em salas maiores. Ah, quando me lembro que vi Baden
Powell no auditório da faculdade e o Modern Jazz Quartet no Municipal de
São
Paulo a preços a meu alcance ...
8. Bom, a base de tudo é o gosto pessoal. E o respeito. Não gosto, em
princípio, do som de instrumentos eletrificados. Mas vou negar o talento do
Armandinho? Jamais.Além disso, a própria reprodução já significa uma
eletrificação do som.
9. O debate, em sua maior parte, está muito legal. E, como diz o Paulo
César
Pinheiro (que também cometeu alguns sambas), o importante é que nossa
emoção
sobreviva.
Abraços.
Mário
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