polêmica
O Rio é samba ou pancadão?

Apesar de o tema oficial dos Jogos Pan-Americanos ter sido o samba "Viva essa 
energia", o ritmo que balançou o público e os atletas foi o funk. Seja na boate 
da Vila Pan-Americana, na Barra, ou na festa de encerramento dos jogos, no 
Maracanã, foi o pancadão que acabou ganhando o título de som carioca por 
natureza. Passada a festa, fica a pergunta: o Rio deixou de ser a capital do 
batuque e virou a cidade do batidão?



- Não tem jeito: o samba é a cara do Brasil, mas o funk é a cara do Rio - 
decreta Mr. Catra: - Hoje em dia, o funk é o samba eletrônico, é a cultura mais 
moderna que a gente tem, que é o que foi mostrado no Pan.

O sambista Dudu Nobre, que confessa ter freqüentado muitos bailes funk, hoje 
defende a turma da batucada: 

- Não dá para negar que, na noite, depois de tomar umas cervejas, quando toca o 
pancadão e a mulherada rebola, o pessoal não tem como resistir. Mas duvido que 
alguém consiga ouvir por muito tempo em casa algumas letras de funk como se 
ouve Cartola, por exemplo.

Na festa de encerramento do Pan, no domingo, Fernanda Abreu cantou sucessos do 
funk de todos os tempos, como o quase hino "Rap da felicidade", hit dos anos 90 
na voz dos MCs Cidinho e Doca.

- O samba é um patrimônio nacional. Já o funk está conquistando seu espaço, e o 
fato de ter sido o ritmo que agitou a festa do Pan é um sinal de que já está 
sendo visto com mais respeito e de que barreiras estão sendo quebradas - diz o 
MC Doca, que ainda se emociona ao ouvir o público cantar os versos que fizeram 
o funk estourar, há mais de 10 anos. 

Tamborzão anima casamentos

Sambista e líder da Velha Guarda da Portela, Monarco acha que o samba nunca vai 
morrer: 

-Tenho feito muitos shows por aí, sempre freqüentados por jovens, e o sucesso 
da Lapa é exemplo disso.

Com a experiência de quem roda os bailes da cidade, Dennis DJ acredita que o 
funk já virou referência carioca:

- Já exploraram tudo o que podiam do Rio com a imagem da mulata e do 
pandeirinho. A realidade do público agora é o funk. É só ver qualquer festa de 
casamento: tocou o tamborzão, todo mundo tira a gravata e não quer nem saber. O 
Rio é o berço do ritmo.

Estrela de pagodes que lotam toda semana, Arlindo Cruz diz que, na cidade, há 
espaço para os dois sons. 

- Já vi o rock, o axé e o sertanejo virarem moda sem tirar o espaço do samba. 
Tem lugar para todo mundo, até porque já vi funk que usava música minha. E, nos 
meus pagodes, os funkeiros sempre aparecem.




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