http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2007/08/22/297383510.asp
'brasileirinho'
Finlandês estréia documentário sobre choro brasileiro, que terá lançamento
de CD no Rio
Publicada em 23/08/2007 às 09h00m
João Pimentel - O Globo
RIO - O cineasta finlandês Mika Kaurismäki veio ao Brasil, em 1988, para o
lançamento do filme "Helsinque - Nápoles (All night long)" no Festival do
Rio. Saiu disposto a ficar uma semana e, segundo ele, está por aqui até
hoje. Apaixonou-se tanto pela cidade que comprou uma casa em Santa Teresa,
mas, principalmente, começou uma história de amor com a música brasileira.
Percorreu quatro mil quilômetros pelo país para realizar o documentário,
"Moro no Brasil", em 2001.
Num debate após a apresentação do filme na Suíça, foi perguntado sobre a
ausência do choro em meio a dezenas de manifestações musicais. A resposta
foi a de que o choro precisaria de um filme só para ele para ser
razoavelmente esmiuçado, mas que um dia faria esse projeto. Então o sujeito
que o questionou, Marcos Forster, se ofereceu para produzir o filme, coisa
que nunca havia feito antes. O resultado é o belo filme "Brasileirinho", que
entra em cartaz nesta sexta ( leia matéria das outras estréias nos cinemas
).
Surpreendentemente, não é um "filme de gringo", diz o crítico Carlos Alberto
Mattos no DocBlog. Leia mais aqui
O filme ( veja o trailer ) é uma abordagem por vezes didática, por vezes
despretensiosa, do choro e suas diversas vertentes. O mérito de Mika é usar
sua curiosidade e seu olhar estrangeiro justamente a favor da compreensão de
uma arte secular mas que só agora parece quebrar as amarras da clausura.
Mais que contar a história do choro ou mostrar um por um seus grandes
mestres, ele se propõe justamente a revelar a reverência dos jovens músicos
pelos mais antigos, as relações de convivência dentro das rodas - onde mesmo
o solista mais virtuoso joga a favor de uma coletividade - e como o gênero,
então confinado em redutos de chorões, ganhou as salas de aula a partir do
renascimento da Lapa há uma década.
Mika, que nos anos 90 teve um bar de samba em Ipanema, o Mika's Bar,
conheceu ali algumas pessoas que foram fundamentais para este trabalho como
os violonistas Marcello Gonçalves e Yamandú Costa, o saxofonista Paulo Moura
e o cavaquinista Henrique Cazes.
"
O choro hoje é a grande escola dos músicos que se iniciam na profissão.
Mesmo que mais adiante vá migrar para outros gênero
"
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- O Trio Madeira Brasil acabou sendo o condutor, o anfitrião deste projeto,
que teve o Marcello Gonçalves (um dos integrantes do trio que tem ainda Zé
Paulo Becker e Ronaldo do Bandolim) como diretor musical. Acho importante
porque são músicos que estão justamente na fronteira entre o choro
tradicional e o moderno - conta de Helsinque, "louco para voltar para o
Brasil", o diretor. - Pensei na coisa da roda de choro, em apresentar os
instrumentos básicos, os músicos. Quis mostrar o choro como uma maneira de
tocar uma música. O choro abrigou outros estilos e também é flexível quanto
ao formato, podendo ser apresentado por um violão solo, por um trio, ou
mesmo por uma big band.
O filme parte de um enredo simples: o Trio Madeira organizando um show
comemorativo do Dia Nacional do Choro, no Teatro Municipal de Niterói.
Pode-se reclamar da ausência do Época de Ouro, lendário grupo formado por
Jacob do Bandolim, mas alguns de seus integrantes estão lá como o violonista
Carlinhos Leite, o já citado Ronaldo do Bandolim, e Jorginho do Pandeiro,
mas, mais que uma história, "Brasileirinho" é o registro de belos encontros
musicais, armados ou não, de grandes músicos, e de um momento único da nossa
música.
O filme é um retrato feliz de um momento especial da música brasileira,
quando o choro ganhou uma dimensão nunca antes alcançada. O gênero que
sempre esteve apoiado em gênios como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Waldir
Azevedo, Dino Sete Cordas, Meira, Raphael Rabello e outros vive um processo
de renovação e massificação único.
Mika Kaurismäki parte de depoimentos de músicos para mostrar o universo da
Escola Portátil de Música - criado por alguns dos melhores músicos cariocas
como Luciana Rabello, Pedro Amorim e Maurício Carrilho e que hoje tem fila
de espera de mais de 500 alunos - os bares da Lapa e as reuniões de chorões.
Na fira há também momentos únicos como Yamandú Costa tocando João Pernambuco
e Ernesto Nazareth; Zezé Gonzaga interpretando "Falando de amor", de Tom
Jobim; Zé da Velha e Silvério Pontes, a menor big band do Mundo mandando ver
em "O bom filho à casa torna", de Bonfiglio de Oliveira; e Paulo Moura em um
baile na gafieira Estudantina.
A participação dos baianos Edson 7 Cordas, Fred Dantas (trombone) e Joatan
Nascimento (trompete); dos "Matutos", de Cordeiro; do próprio gaúcho Yamandú
e do brasiliense Hamílton de Holanda mostram também que o Rio tornou-se o
Eldorado dos instrumentistas do choro.
Mika lembra que o choro é a grande escola dos instrumentistas brasileiros,
influenciando de Villa-Lobos a Tom Jobim; de Radamés Gnattali a
Guerra-Peixe:
- O choro hoje é a grande escola dos músicos que se iniciam na profissão.
Mesmo que mais adiante vá migrar para outros gênero, a base musical
brasileira foi escrita por nossos chorões.
Na quarta-feira, no Canecão, será lançada a trilha-sonora de
"Brasileirinho", a partir das 21h30m, em um show que reúne o Trio Madeira
Brasil, Yamandú Costa, Zé da Velha e Silvério Pontes, Teresa Cristina,
Celsinho Silva, Beto e Henrique Cazes.
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