Pessoal, olha o que o Aquiles Rique Reis, escreveu sobre o novo cd da Dorina, 
do Cláudio Jorge e do Carlinhos 7 Cordas, "O violão e o samba". Concordo 
plenamente. Abraços, Thiago.

Samba na veia

Samba sem repique, pode? E samba sem tamborim, sem cuíca ou sem pandeiro, será 
que pode? A resposta a tantas dúvidas está no CD lançado pela gravadora Zambo O 
Violão e o Samba: pode! Mas só pode porque os sambas escolhidos para Dorina 
docemente cantar contam com o violão de seis cordas de Cláudio Jorge e o violão 
de sete cordas de Carlinhos. 

São 13 cordas de dois violões, mais as cordas vocais de Dorina, tudo para dar 
ao samba um novo jeito de balançar. E aí está o segredo deste trabalho: mostrar 
que não há limite para fazer do samba algo até então insuspeitável.

O samba é música em aberto. Assim, cabe sempre um jeito novo para mostrá-lo; há 
sempre uma boa surpresa esperando para tocá-lo num acorde perfeito maior, ou 
numa dissonância. O tocar samba definitivo ainda está para ser descoberto – 
talvez nunca se chegue a isso. Mil e uma formas de fazê-lo ainda estão para ser 
trazidas à luz do tocar e do cantar. Cabe aos sambistas de ofício, ou aos 
sambistas de ocasião (tudo certo, desde que bambas) partirem para dentro do 
repertório disponível e consolidá-lo, cada qual a seu jeito e formosura, como a 
manifestação musical mais próxima da alma brasileira.   

E foi exatamente o que realizaram Dorina, Cláudio Jorge e Carlinhos Sete 
Cordas. Partindo de uma boa idéia, demonstraram que samba é samba, 
independentemente do ritmo que o acompanhe. O suingue deste tipo de música 
nasce com quem o cria. A ginga dele tem em qualquer instrumento o seu digno 
representante. Mas o violão é quem, junto com o cavaquinho, dentre todos, pode 
representá-lo; pois está para o samba como para este está o surdo. E cada qual 
tem seu justo valor. Juntos ou separados, cabe a quem os toca dar o brilho que 
o samba precisa para traduzir o que sente a gente brasileira.

Justamente por isso o trio correu atrás de músicas que têm o violão como tema. 
E tome Nei Lopes, Martinho da Vila, Moacyr Luz, Luis Carlos da Vila, Cartola, 
Candeia, Dorina, Cláudio Jorge, Carlinhos Sete Cordas, Arlindo Cruz, Sombrinha, 
Bide e Marçal na veia. 

Sambas conhecidos, entre outros nem tanto, compõem o repertório dessa formação 
até aqui “inusitada” de tocar samba: “Violão Vadio”, clássico de Baden Powell e 
Paulo César Pinheiro, tem em Dorina uma intérprete que lhe dá ares ainda mais 
puros. O solo do violão de seis cordas de Cláudio é tão delicado quanto límpida 
é a voz de Dorina e precioso é o fraseado criado por Carlinhos para seu sete 
cordas. Em “Tudo se Transformou”, após um começo sem definição rítmica em que 
os violões contraponteiam em sintonia absoluta, permitindo a Dorina revelar a 
beleza da melodia composta por Paulinho da Viola, os três se dão ao ritmo com a 
eficiência de quem tem toda uma bateria a ampará-los. Estão sós, mas têm o 
germe do ritmo nas veias. “Cordas de Aço”, de Cartola, é samba lento, conduzido 
na ponta dos dedos por Cláudio até encontrar companhia nas sete cordas de 
Carlinhos.  Em “Meu Violão”, os violões tocam a introdução e marcam o ritmo. 
Dorina canta com emoção o samba-choro pouco conhecido 
 de Sidney Miller. E tem ainda um dos primeiros sambas de Chico Buarque, 
“Amanhã, Ninguém Sabe”... 

Assim sobressai-se a capacidade do trio de intérpretes de O Violão e o Samba: 
criar dinâmicas próprias, com nuances de fraco e forte, sem que seja 
obrigatoriamente necessária a presença da cozinha rítmica. 

Dorina é perfeita para dar ao samba um novo jeitinho de cantá-lo sem que 
sintamos falta do surdo. Cláudio Jorge é o refinamento exalando categoria pelas 
seis cordas do instrumento que é quase parte de seu braço. Carlinhos Sete 
Cordas é o samba em frases de notas graves tiradas no bordão, a corda extra 
acrescentada ao violão tradicional. Juntos, embalados pela voz de Dorina 
cantando os versos de Candeia “Enquanto houver samba na veia/ Empunharei meu 
violão”, o samba se faz novo.

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4, é produtor e apresentador do programa O 
Gogó de Aquiles na Rádio Roquete Pinto FM do Rio de Janeiro, às 
segundas-feiras, das 15h às 16h: www.fm94.rj.gov.br

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