Gostaria muito de conhecer o trabalho desse pessoal. E me desculpe Sonia, mas 
defensores da "modernidade" existem muitos e também muitos apoios, agora uma 
iniciativa dessas de preservar o que de bom existe (ou existiu) é por demais 
louvável. E não gosto quando uns aqui nessa tribuna baixam o cacete quando 
aparecem alguns que querem cultivar a coisa do samba mais raiz do que aquele 
que se faz agora. Eu prefiro realmente o samba como era feito nesse tempo, mas 
tambiú é verdade que existem muitos sambas ( e sambistas) novos que não querem 
jamais negar sua raiz, esses serão tambiú reconhecidos, agora essas inovações ( 
o pagode inclusive) poderá quem sabe amadurecer um dia ou apodrecer antes do 
tempo, quem sabe ?....

Caio Pontual


----- Original Message ----- 
From: "Sonia Palhares Marinho" <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[email protected]>
Sent: Friday, August 31, 2007 10:43 AM
Subject: [S-C] Radicais di SAMBA (Folha de São Paulo)


> Jornal Folha de São Paulo, de 31.08.2007 (Sexta-Feira), Caderno ILUSTRADA.
> 
> 
> Não tenho dúvida que os caras fazem um samba legal, mas essa história de só 
> tocar sambas da antiga, renegando os bons sambistas da atualidade, tá me 
> parecendo um "reamake", uma pseudo LAPA, sem a originalidade da primeira. E 
> mais, os caras tem mais é que procurar sua própria sonoridade. :-(
> 
> 
> Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)
> 
> 
> 
> Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq3108200707.htm
> 
> 
> Radicais do SAMBA
> 
> 
> Terreiro Grande, formado por amadores, toca antigos sambas cariocas, com a 
> sonoridade que se ouvia nas escolas entre as décadas de 30 e 50, e que hoje 
> não existe mais
> 
> 
> LUIZ FERNANDO VIANNA
> 
> EM SÃO PAULO
> 
> Como explicar que 15 amantes radicais de samba não gostem de Zeca Pagodinho? 
> É porque eles são radicais, e aí estão a peculiaridade e a qualidade desse 
> grupo.
> 
> Embora paulista, o Terreiro Grande toca apenas antigos sambas cariocas, com 
> a sonoridade que se ouvia nas escolas de samba do Rio entre as décadas de 30 
> e 50, e que hoje não existe mais nem entre as velhas-guardas.
> 
> A opção não é capricho de jovens de classe média. O grupo é formado por 15 
> músicos amadores, moradores de bairros de classe média baixa de São Paulo, 
> nenhum com curso superior (um porteiro, um metalúrgico, dois vendedores, um 
> auxiliar administrativo, cinco desempregados...), e o que eles dizem menos 
> querer é sucesso.
> 
> "Nosso coração não fica preocupado com carreira comercial. Queremos tocar o 
> que a gente gosta, tomando umas [cervejas], numa união de amigos", diz 
> Fernando Pellegrino, 28, o Tuco, bom cavaquinista e cantor que, já tendo 
> sido bancário, hoje ganha a vida pondo anúncios em bancos de praça.
> 
> Eles não vêem contradição por estarem lançando agora o primeiro CD, 
> "Cristina Buarque e Terreiro Grande ao Vivo", resultado de um show feito em 
> 2006 no teatro Fecap - onde fazem nova temporada entre 13 e 16 de setembro.
> 
> O disco tem produção independente, distribuição da independente Tratore, 
> quatro longas e anticomerciais faixas abrigando 37 músicas e foi feito da 
> maneira que eles gostam (ou quase, pois tiveram que usar microfones): em 
> clima de roda de samba, como as que fazem em pelo menos um domingo por mês 
> no bar Patriota, vulgo bar do Alemão, no Tatuapé.
> 
> No último domingo, menos de cem pessoas ouviam no bar sambas de primeira 
> linha bem tocados e cantados. Não há divulgação nem couvert, e os músicos 
> pagam as (não poucas) cervejas que consomem ao longo da tarde. Mas o 
> Terreiro Grande não é só hedonismo.
> 
> "Cuidamos da memória sem descuidar da revolução", afirma o representante 
> comercial Roberto Didio, 32, responsável pelo surdo e por boa parte das 
> idéias do grupo. Ele se diz socialista e "xiita".
> 
> Política e cultura
> 
> Em 2001, Didio, Tuco, Careca (percussionista de nome João Gilberto e filho 
> de roqueiro), o violonista Alexandre Cardoso e outros criaram o Grêmio 
> Recreativo Tradição e Pesquisa Morro das Pedras, em São Mateus (zona leste).
> 
> O objetivo político-cultural era transmitir a tradição carioca do samba de 
> terreiro - como se chamavam as antigas quadras de escolas de samba- para 
> pessoas da região, além de dar aulas de capoeira e oficinas diversas. Isso 
> foi feito também na Barra Funda, para onde a sede se transferiu em 2003.
> 
> "Queríamos espalhar uma célula em cada bairro da periferia", conta Didio. 
> Essa missão fracassou, mas os núcleos atraíram muita gente que, a partir de 
> 2006, passou a integrar o Terreiro Grande. São jovens que têm como maiores 
> ídolos Cartola (1908-1980), Paulo da Portela (1901-1949) -que, além de 
> grande compositor, era líder político- e Candeia (1935-1978), "a última 
> pessoa a se preocupar com alguma coisa além da carreira", na visão de Didio.
> 
> "Respeito o desejo deles de não procurar o sucesso, de tocar samba de uma 
> forma mais natural, porque é também o que eu gosto. Mas acho possível 
> divulgar um pouco mais o que eles fazem", diz Cristina Buarque, que convidou 
> o grupo para dividir o palco com ela no ano passado.
> 
> No repertório do CD, estão 26 sambas de antigos compositores da Portela, com 
> um andamento bem mais lento e leve do que se faz hoje.
> 
> A sonoridade atual tem origem nos anos 80, quando a geração de Zeca 
> Pagodinho, Jorge Aragão e Arlindo Cruz criou o que a indústria fonográfica 
> batizou - e depois deturpou - de pagode, assentado sobre três instrumentos 
> então novos no samba: banjo com braço de cavaquinho, repique de mão e tantã.
> 
> "O som convencional de hoje agride nossos ouvidos", afirma Tuco, com o apoio 
> dos outros integrantes do Terreiro Grande, que dizem não ouvir Zeca 
> Pagodinho. Já Alvaiade, Manacéa, Chico Santana, Zé da Zilda e outros que 
> pouca gente conhece são ídolos que eles cultuam em gravações copiadas e 
> trocadas com avidez.
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