Juliano:
Olha, a discussão tá ficando pessoalizada.... Bom, o que posso
dizer, Sônia, é que sou sim dos anos oitenta, mas não me considero da
geração individualista. Só considero que existem, sim, processos de base
que não exijam carteirinha partidária. Mas falar de comitês de
resistência popular, mutirões populares, essas gírias anarquistas, não é
apropriado para uma partidarizada que ainda deve pensar no PT como
salvação do Brasil.
O que eu penso com relação ao PT eu discuto nos fóruns e nas instâncias
adequadas. Você não me viu falar em PT em nenhuma das minhas mensagens sobre
o assunto que estamos tratando. Processos existem muitos, os que dão alguma
conseqüência é que são poucos, muito poucos. Para que eles tenham resultado
é preciso além da prática política simplesmente, estar respaldado por uma
base teórica.
Quanto ao Nei Lopes, de fato, não sou muito autorizado para falar da
obra dele. Citei o fato genérico de que sambista que canta o morro sem
pisar na favela é importante só em uma instância, enquanto o Hip Hop é
muito importante em outra.
Não se esqueça que o samba do Rio de Janeiro não nasceu e se desenvolveu
apenas nos morros e nas favelas, mas também nas muitas comunidades do
subúrbio que não são, necessariamente, comunidades faveladas. Aliás, acho
uma bobagem essa apologia que muitos fazem das favelas. Até parece que
favela é um lugar bacana de morar. As pessoas estão lá porque não têm outra
opção. Nei Lopes é da comunidade do Irajá, assim como Cláudio Camunguelo,
Dorina, Zeca Pagodinho, entre outros. O bairro do Irajá, prá quem não sabe,
é um reduto de bambas. Os Boêmios do Irajá, prá quem não conheceu, foi uma
verdadeira escola para muitos desses bambas.
Eu colocaria, talvez, na mesma instância do
Hip Hop o samba de Bezerra da Silva.
Bezerra da Silva era nordestino, cantor de côco e que passou a cantar sambas
depois que foi para o Rio de Janeiro, até onde eu sei. Sem contar que
cantava música dos outros. Qual o grande samba composto pelo Bezerra da
Slva? Confesso a minha ignorância...
Mas esse não tem o verniz
acadêmico/letrado de um Chico Buarque. Resumindo: não gostar de Hip Hop
não tem problema nenhuma (nem eu gosto, não tenho nenhum disco de Hip
Hop); rotulá-lo de um instrumento de um bando de pessoas sem projeto
(porque projeto é ser do PT), é algo bem diferente e na minha opinião,
totalmente errado.
Onde foi que eu disse que projeto bom é ser do PT? Em momento algum disse
isso aqui. O projeto a que me refiro é algo muito mais amplo, estou tratando
de uma determinada visão do processo político, de mudança social, de disputa
de poder e não de partido A, B ou C, ainda que eu tenha o meu há 27 anos.
:-) Tirar um pobre da miséria para mim não quer dizer nada, a comunidade
dele vai continuar no mesmo lugar e na mesma situação. Aliás, não há nada
mais podre que os artistas do hip hop americano - que tanto influenciam os
nossos - desfilando com seus carrões conversíveis, com correntes de ouro no
pescoço mais grossas que um cano de PVC, esculachando as mulheres negras nas
suas letras, dando um show de ostentação. Uma aberração!!!
Quanto aos títulos acadêmicos, certamente não foi só você que teve
que se sacrificar para obtê-los. Fora quem nasceu em família milionária
(absolutamente loooooonge de ser o meu caso), todos precisam de grande
esforço pra estudar hoje em dia. Não é exclusividade sua.
Não é exclusividade minha, é verdade - e nem disse que era -, ainda assim me
enche de orgulho. Aliás, continuo estudando até hoje porque estudar nunca é
demais, só nos enriquece. Aguardem o próximo!:-)
Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)
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