Daniel,
Você sabe muito bem que a discussão não se relaciona com música boa ou
música ruim. A grande questão aqui é a aristocratização de um segmento
musical. Uma roda de samba que tenha canções de Jorge Aragão em seu
repertório não pode ser uma roda ruim por conta disso. O que essa reca
de obtusos não aceita, na realidade, não é este ou aquele artista,
esta ou aquela música.
Vejamos, a obra, o artista (intérprete, banda, compositor) não pode é
cair nas graças do povo. O que essa gente não aceita é compartilhar
preferências. Se faz sucesso, se toca nas rádios, se é ouvido em
ambientes populares é porque não presta.
Todos os artistas que eles colocaram plaquinha de patrimônio são
aceitos por que não são artistas de mídia. Não é uma questão estética,
é uma questão de ética(ou o reverso dela) pessoal. Funciona como uma
espécie de rótulo de intelectualidade. Acho isso uma canalhice, um
desvio moral grave. Acham-se mais sofisticados, preparados
culturalmente e sempre enxergam essa coisa toda de maneira vertical.
Olham por cima. Eles ali, a massa ignara e seus calipsos lá embaixo.
Muita gente não sabe o que é um NEFELIBATA.
"diz-se do literado ou poeta excêntrico, que desconhece ou despreza os
processos conhecidos e o bom senso literário;
designação de uma escola de poetas que, presos de um ideal elevado e
preocupados com o requinte e a musicalidade da forma, se afastavam dos
cânones consagrados na literatura;"
Aqui está o exemplo clássico. Essa gente aí. Nefelibatas na essência.
Em 06/09/07, Daniel Alves Fernandes<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> Eugênio,
>
> Eu sinceramente acho que não é questão de intolerância. Você disse numa
> outra discussão que ouve de tudo, que está sempre de barriga cheia, mesmo
> que enfiado goela abaixo, como se o mais importante fosse o samba,
> indiferentemente do interprete.
> Acho que não é bem assim! Cada música deve ser passada de forma a tocar o
> ouvinte. Não se pode abstrair o canal apenas para receber a mensagem (se o
> canal tiver ruído você acaba entendendo mal a mensagem). Chico Buarque já
> disse que não se considera um cantor, ele sabe de suas limitações; mas
> durante o regime militar, por causa da censura, ele teve de cantar suas
> canções para que a mensagem oculta na letra se sobressaísse na melodia, sem
> correr o risco do interprete não entender o que deveria ser passado ao
> público.
> Na minha opinião, a característica mais importante do interprete é entender
> a letra em primeiro lugar, e não só ter uma boa voz. E como exemplo de um
> excelente interprete, eu cito Ney Matogrosso. Já vi cantor dizer que "Se",
> do Djavan, e "Como eu quero", do Leoni, são músicas de AMOR belíssimas.
> Além do mais, mesmo que a música não exija muito do raciocínio, um
> intérprete deveria ter a humildade, pra não dizer "a cara-de-pau", de não
> re-gravar músicas que já são, digamos, perfeitas como são ("Maria, Maria" do
> Milton é só um exemplo que eu consigo lembrar agora).
> Completo ainda dizendo que são poucas as pessoas que podem cantar de tudo.
> Caetano é/foi praticamente o Rei Midas da música brasileira.
> Imagine os sambas de Adoniram cantados em português correto, ou Paulinho da
> Viola sendo interpretado por uma destas artistas que adora sofejar a cada
> pausa na música, como se fosse cantora de gospel.
> Por isso eu reafirmo: não é questão de intolerância, é seletividade. Pelo
> bom. Se não fosse assim, todos seriamos coniventes demais com o samba (assim
> como já somos com a política, com a pobreza, com o Pop, com o Pagode, com o
> Axé, com o Funk, etc.).
> Não engulo qualquer coisa não, e mesmo assim não sou intolerante. Há uma
> diferença muito grande entre ser seletivo e virar "Foie Gras".
>
>
> Abraço,
>
> Daniel Alves
> ANTES DE IMPRIMIR tenha em mente seu compromisso com o MEIO AMBIENTE!
>
>
> -----Mensagem original-----
> De: Eugenio Raggi [mailto:[EMAIL PROTECTED]
> Enviada em: quinta-feira, 6 de setembro de 2007 10:55
> Para: Tribuna
> Assunto: [S-C] Devemos tolerar os intolerantes?
>
> Gente do samba,
>
> Devemos tolerar a intolerância?
>
> Quem responde é Jorge Aragão
>
> "Quem foi que falou que eu não sou um moleque atrevido
> Ganhei minha fama de bamba nos sambas de roda
> Fico feliz em saber o que fiz pela música, faça o favor
> Respeite quem pode chegar onde a gente chegou
>
> Também somos linha de frente de toda essa história
> Nós somos do tempo do samba sem grana, sem glória
> Não se discute talento, mas seu argumento, me faça o favor
> Respeite quem pode chegar onde a gente chegou
>
> E a gente chegou muito bem,
> Sem desmerecer a ninguém
> Enfrentando no peito um certo preconceito e muito desdém
> Hoje em dia é fácil dizer
> Que essa música é nossa raiz
> Tá chovendo de gente que fala de samba
> E não sabe o que diz
> Por isso, vê lá onde pisa
> Respeite a camisa que a gente suou
> Respeite quem pode chegar onde a gente chegou
>
> E quando chegar no terreiro
> Procure primeiro saber quem eu sou
> Respeite quem pode chegar onde a gente chegou "
>
> Abs,
>
> Eugênio
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