Elenira,

Quanta honra me causa seus pitacos.

Bem. Como numa mesa de bar(que adoro) vamos arrendodando aquilo que
você vai dizendo.


VC:  Claramente, sinto que esse pessoal não é querido por alguns
membros da Tribuna. Não sei dos desafetos, não me importo com isso.

EU: Não parece ser verdade. Poucas pessoas, pelo menos a turma do
museu de cera e outros, pareciam conhecer esse trabalho. Quanto à
Cristina, bem a Cristina é polêmica. É ingenuidade pensar que uma voz
quase extraterrena(como a dela) seja unanimidade. Não é. Adoro a
Cristina Buarque, amaria tomar uma cerveja com ela, mas entender seu
jeito de cantar é algo muito além de minhas limitadas percepções
artísticas.

VC: Não posso, jamais, deixar alguém dizer coisas absurdas (de um dos
mais belos trabalhos fonográficos dos últimos tempos) por conta de
birra ou algo do tipo.
 Eugênio comparou musicalmente o grupo carioca que toca no Trapiche
(Galocantô) com o Terreiro Grande.


EU: Nem sei onde fica o Trapiche, se é que isso é relevante. Fui ao
Rio apenas duas vezes. A ùltima há mais de 20 anos.

VC:Isso demonstra que realmente tem uma coisinha de pessoal na história.

EU: Se eu te garantir que não existe adianta alguma coisa? Nem sei
quem são. Nunca vi. Não conheço São Paulo . Nunca estive lá.

EU: O som dos citados é gritantemente diferente, é como comparar
Paulinho da Viola e Jorge Aragão, Marquinhos Santana e Paulo César
Pinheiro, Guinga e Yamandú Costa.

VC: Gritantemente? Acho que não. Mas são diferentes. Ocorre que todos
que você citou estão vivos. Essa turma parece ter birra de gente viva.
Ou então é mera coincidência, como nas novelas...

VC: Gosto de todos os citados, do Jorge ao Guinga, mas são
completamente diferentes. Paulinho e Jorge, por exemplo, não têm nada
de parecido, absolutamente nada.

EU: Claro. Eu também. Todos que você citou são geniais. Ainda bem que
são diferentes.

VC: Musicalmente, a comparação ignorou formação instrumental, encontro
de violões, batida e timbre de cavaquinho, repertório, timbre e
divisão vocal, andamento, estrutura rítmica (de pandeiros até
prato-e-faca), isto é, análise musical primária.

EU: Quem é que comparou? Eu ou aquele, que "ignorando formação
instrumental, violçoes, batida e timbre de cavaquinho, repertório,
timbre e divisão vocal, andamento, estrutura rítmica...." disse que o
som atual "agride sues ouvidos"? O que ele considerou quando disse
isso? Estrutura rítmica? Formação musical? Ou preconceito mesmo?

O terreiro diz(segundo a Folha) : "O som convencional de hoje agride
nossos ouvidos", afirma Tuco, com o apoio
dos outros integrantes do Terreiro Grande, que dizem não ouvir Zeca
Pagodinho." Ou seja, todos o sintegrantes. O som que agride é esse.
Ele comparou. O som que não agride ( o deles) com o som que
agride(Jorge, Zeca, etc.) Ou seja, alhos com bugalhos. Dividir o samba
entre samba que agride e samba que não agride.  Repito, pra não deixar
dúvidas: vai tomar no seu cu, Tuco!

VC:  Fevereiro, por ocasião de alguns trabalhos, eu estava em São
Paulo, fui ao teatro Fecap. Virei fã do teatro, que tem instalações e
acústica impecáveis, e tomei um susto com o que vi no palco. O show
foi inacreditável, nada parecido com qualquer evento de samba
realizado em palco. O evento foi de arrepiar.


EU: Achei que era "Samba de Terreiro". Magoei.


VC: Depois, fui saber que Doutor Dráuzio Varela, por exemplo, que é
freqüentador de sambas no Rio e em SP, foi assistir ao show,
resultado? Voltou quase todos os dias que o show ficou em cartaz. Na
agenda, lembro-me bem, muita gente confessou ter ido várias vezes no
evento.

EU: Também gostei, assim como o Varella. Só não queria estar atrás
dele no Teatro (poxa, não era Terreiro?)

VC: No último final de semana, novamente no batente, fui matar
saudades da voz pura de Mônica Salmaso. Amigos, durante o show,
contando algumas histórias sobre Chico, ela citou a Cristina e
recomendou - no palco! - o CD Cristina Buarque e Terreiro Grande, "o
CD é maravilhoso".

EU: Aqui se percebe que Monica Salmaso e Tuco são personalidades
absolutamente antagônicas. Aliás, Tuco, o que é "Som convencional de
hoje"? isso é o mais importante. Não foi discutido.

VC: Acho que todos devem saber, por exemplo, o que Wilson Moreira diz
sobre essa rapa toda.

EU: Seria importante saber também o que Wilson Moreira diz sobre o
Zeca , o Jorge e o Arlindo Cruz, não?

VC: Quanto ao CD, tem muito nego consagradérrimo rasgando elogios,
isso é uma looooonga, ou melhor, são longas histórias, fica pra
próxima..

EU: Gostaria de ver a elegância sincera de Zeca Pagodinho comentando
este disco. Surpreenderia vocês o Zeca dizer: "Eu não escuto Teresa
Cristina!"? Causaria polêmica? Zeca é Zeca. Tuco é Tuco.

VC: Arley Pereira, amigo querido, assistiu ao show e ficou assustado...

EU: Seria importante ler e comentar o que Arley Pereira escreve na
contra-capa do disco de estréia de Zeca Pagodinho e o que diz nos
bastidores de seu ùltimo, o de gafieira. Será que ele concorda com
Tuco e Didio a respeito do Zeca?

VC: Dizer que é mais um trabalho, mais um show, arroz/feijão,
francamente.. Comentário sem nenhuma relevância, que só prejudica os
colegas que utilizam o espaço da Tribuna para colher informações e
difundir boas idéias.

EU: Já disse que o CD é muito bom. Só não tem nada de diferente e
reafirmo. Um CD de samba, como qualquer outro. A pólvora não foi
descoberta aqui. Muito bom. Nada de diferente.

VC: Também não concordo com o pessoal que está xingando Eugênio, isso
não é legal.

EU: Ah, d'xa pra lá...até que acho legal ser contestado. Sou tão
idolatrado por aqui. Cansa ser sempre capitão.

VC:Também discordo do silêncio da moçada mais antiga da casa, Eugênio
não está sendo nem um pouco coerente.

EU: Sei o que pensa a "moçada antiga da casa", são como pais. "Criou a
celeuma, se vire sozinho, mesmo que a gente concorde plenamente com
você." Valeu, amigos!

VC:Penso como ele, inclusive, quanto aos discursos preconceituosos. Eu
gosto muito do Cacique de Ramos (que bateu forte nos gringos) e de
muitos outros.

EU: Você pensou em aprentes e na própria vida quando teceu essas
palavras? Tem gente do Serviço Secret aí...

VC: Porém, a matéria não deu margem pra tanto rancor e falta de
argumento, principalmente depois das postagens dos envolvidos
diretamente no trabalho.

EU: Releia com calma esse trecho: ""O som convencional de hoje agride
nossos ouvidos", afirma Tuco, com o apoio
dos outros integrantes do Terreiro Grande, que dizem não ouvir Zeca
Pagodinho." " Qual é o sentido de rancor pra você?

VC: Um trabalho genial, elogiado por tanta gente boa da música, não
pode ser minimizado ou mediocrizado.

EU: Ninguém fez isso a respeito do trabalho. Poderia criar uma matéria
chamada "Necrosamba à paulista", mas não fiz.

VC: Gente, o formato e a sonoridade do disco são inquestionavelmente
diferentes de tudo o que está na Indústria Cultural.

EU: Duas perguntas sinceras: 1) Ouviu o disco? Eu ouvi outro. Um disco
interessante. Pouco arrojado e comum, muito bem tocado, adoravelmente
agradável. 2) O que é Indústria Cultural? Empurradora de paladares
musicais? A IC se adapta a tudo. Basta o consumidor querer.

VC: Melhor ou pior? Não sei se isso é cabível e simples de conceituar
ou discutir, acho que não..
 Mas que é uma baita pedrada na vidraça do "tudo igual", caraca, só
não enxerga e aplaude quem não quer (ou quem tem muita inveja).

EU: Acho que a pedra é feita de papel, viu Lenira. Diferente, mas não
melhor ou pior, é Trio Mocotó, Nação Zumbi. Terreiro é pizza de
excelente qualidade, mas requentada.

VC: ouvi músicas lindas desse pessoal, eles não cantam apenas o que é
velho, vamos prestar mais atenção e frequentar os botecos antes de
falar.

EU: Talvez não cantem , mas só gravam o que é feito há mais de 5
décadas, E eu não consigo compreender o que o samba ganha excluindo o
novo. Será que eles gravam aquilo que Paulo César Pinheiro, Nei Lopes
e Wilson Moreira fazem depois de 1950? Depende...basta que não tenha
sido feito , gravado ou tocado por e para Zeca Pagodinho.

"Assim, do nada, de algo desnecessário, é que começa o círculo do ódio"

Thierry Bonnat
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