Extraído do Jornal Tribuna da Imprensa Online


Fonte: http://www.tribuna.inf.br/bis.asp?bis=ponto


A renovação pelo samba

Disco

Pedro Henrique Neves

"Samba meu" - Maria Rita/ Muito bom

Os dois primeiros discos de Maria Rita mostraram que, além da afinação e bom gosto, a cantora buscava imprimir uma assinatura às composições escolhidas para o repertório. A receita - apoiada em um instrumental suave e ambientação cool das canções - deu relativamente certo no trabalho de estréia, mas desandou no tedioso e um tanto repetitivo "Segundo". Por isso, a decisão de gravar um álbum de sambas, além de extremamente saudável, revelou a chance de a cantora finalmente deixar claras as suas ambições estéticas.

Lançado semana passada, "Samba meu" é cercado de referências cariocas, a começar pela escolha dos compositores. Arlindo Cruz comparece com seis músicas, seguido por Serginho Meriti, com três, e o talentoso Edu Krieger com "Maria do Socorro" e "Novo amor", que acaba de ser registrada por Roberta Sá em seu último CD. O repertório segue o conceito e cita Copacabana, o Império Serrano, a "Casa de Noca" e até a musa de um baile funk. Tinha tudo para soar fake, por se tratar de um disco de uma cantora paulistana e identificada com outro universo.

No entanto, Maria Rita se mostra à vontade e consegue - como o título do CD entrega - fazer uma leitura bem pessoal dos sambas, trazendo sua marca autoral, calcada em arranjos suaves. Mesmo assim, a discreta percussão que aparece não tira peso das composições, apenas abre espaço para a cantora mostrar sua interpretação. Um exemplo é a regravação de "Trajetória". A música que deu título a um disco e teve belíssima gravação de Elza Soares ganha arranjo que privilegia o piano e as nuances vocais da cantora, assim como "Mente ao meu coração", que ganha versão contida, mas cheia de bossa.

Mesmo limando os excessos, Maria Rita optou por gravar o novo trabalho de maneira tradicional, sem ceder à tentativa de atualizar o gênero, inserindo toques eletrônicos ou programações. O clima do arranjo de "O homem falou" (Gonzaguinha) poderia estar em algum dos antológicos discos de samba de Alcione ou Beth Carvalho da década de 80, por exemplo.

Por saber que não é uma sambista de berço e nem tentar se transformar em uma, a cantora acaba achando o ponto de equilíbrio do disco neste mix entre reverência e descoberta do samba em sua obra. "Samba meu" cresce nos sambas de maior temperatura, como "O homem falou", "Maltratar não é direito" e as deliciosas "Maria do Socorro" e "Corpitcho" (Ronaldo Barcellos e Picolé), com direito a charmosos improvisos da cantora. O novo trabalho pode até não credenciar Maria Rita como sambista, mas cumpre, de maneira despretensiosa, a missão de oxigenar uma carreira que já dava sinais de desgaste.

"Ao vivo" - Waldick Soriano/ Bom

Waldick Soriano ganha as flores em vida com o lançamento deste projeto ao vivo, gravado com toda a pompa em Fortaleza. A produção é de luxo, com direção de Patrícia Pillar, produção de Mariza Leão, direção musical de José Milton e nomes como Maneco Quinderé (luz), Rita Murtinho (figurinos) e os músicos Jorge Helder (baixo) e João Lyra (violão) na ficha técnica.

O trabalho não cai na armadilha de tentar transformar Waldick em artista cult, apenas presta reverência à sua obra popular. Por isso, é bastante acertada a decisão de, no DVD, mostrar bastante a platéia - que dança, canta e vibra com cada canção. A real emoção do público em sucessos como "Tortura de amor", "Eu também sou gente" e "O moço pobre" é comovente. Apesar dos sinais da idade, o cantor continua com a voz firme e brinda os espectadores com uma série de declarações bem-humoradas. Um documento e tanto.

"Gafieira Carioca" - Zé Menezes/ Muito bom

Maestro, compositor, arranjador e multiinstrumentista, Zé Menezes esbanja vitalidade aos 86 anos neste CD que retrata os "dancings" dos anos 50. Samba, Bossa Nova, choro, frevo ou baião, não importa o gênero, ele mostra que é mesmo músico das antigas, de um tempo em que versatilidade e talento eram exigências básicas para um grande artista. Ouça "Comigo é assim", "Encabulado" ou "Gafieirando" e tente ficar parado. (Carlos Laert)

"O baile - Dança de salão" - Banda Signus e convidados/ Regular

Complemento do DVD homônimo, este CD cumpre o que promete: uma homenagem à dança de salão. Pegue seu (sua) partner, afaste os móveis e dance sem parar com a Banda Signus. Os convidados Beth Carvalho ("Se você jurar"), Trio Virgulino ("Isso aqui tá bom demais") e Luiz Melodia ("A voz do morro") garantem momentos acima da média, mas o importante mesmo é dançar, seja samba, bolero, forró e outros ritmos. Pena que não convidaram Zé Menezes, porque aí o baile iria pegar fogo. (CL)

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