Sonia,
estive fora dessa discussão por semanas, um pouco por ela me interessar cada vez menos, mas também pelo excesso de (bom) trabalho que esse disco vem dando. Mas mais uma vez me sinto chamado a dar alguns esclarecimentos nesse espaço - e o farei sempre que achar necessário. O Terreiro Grande, em seu curto período de existência, conseguiu angariar grande número de defensores e detratores (acho, e espero, mais o primeiro que o segundo). Faz parte do jogo. Lançar um cd é submeter-se ao crivo do público, é ouvir elogios e críticas, vazios ou significativos. Mas está mais do que evidente que a maior parte das críticas, muitas delas bem pesadas, partem de uma matéria de jornal, não do disco.


Verdade. A maioria dos comentários postados aqui foram relacionados à materia do jornal. Os meus comentários partiram dessa matéria e deixei isso claro aqui.


Mas vamos lá, vc diz:

"Outra coisa, os "porta-vozes", segundo o Eugênio, do grupo só sabem se dirigir à lista aos palavrões."

Se alguém se pronunciou aqui em nome do disco, esse alguém fui eu, sempre com respeito, jamais aos palavrões. É verdade que perdi a paciência com o Eugenio, mas não acho que "sai pra lá Brocoió" seja suficiente para me levar ao tribunal dessa tribuna, certo?


Zeca, não me referi à você. Aqui não existe tribunal, existe apenas a emissão de opiniões pessoais sobre os temas trazidos à discussão.


E se o fiz foi para dar um ponto final na discussão (pelo menos de minha parte) com esse rapaz, que insistiu todo o tempo em levar a discussão para um duvidoso terreno pessoal, inclusive com os tais "palavrões" a que vc se refere, aliás, se vc quer mesmo saber, num clima bastante diferente do que rola nas rodas do pessoal do Terreiro. Mas, como eu disse, essa discussão realmente não me interessa e não prosseguirei nela.


A falta de educação e compustura na lista é condenável, parta de onde partir. Aliás, não só na lista, em qualquer lugar.


Mas vamos a outra, essa sim mais interessante. Você diz:

"Não partilho da tese de que "sambista bom é sambista morto",
além dos que já se foram, tem muita gente viva fazendo samba da melhor qualidade, mas respeito quem se dedica a apenas regravar sambas do passado o que, a rigor, não se constitui em nenhuma novidade."

Que tese é essa? O nosso cd faz parte dela? Está escrito em algum lugar lá???


Essas questões foram levantadas ao longo da discussão que, acredito eu, você não teve tempo de acompanhar.


Gravar sambas inéditos de Paulo da Portela, Candeia, Manacéa, Chico Santana se traduz nisso? Ou o crime é gravar um disco sem músicas de autores contemporâneos? Qual o problema disso? A quem incomoda?


Não incomoda a ninguém. O que parece que incomodou foi o fato de eu ter dito que têm pessoas no Rio de Janeiro também fazendo esse tipo de trabalho de pesquisa, o que não diminui em nada a relevância do trabalho do grupo ou dos que fazem a mesma coisa.


Algumas pessoas viram em nosso trabalho um manifesto em favor de algo ou contra algo que não nos diz respeito. A Cristina coroa, com esse disco, o trabalho de uma vida de dedicação (cada vez mais exclusiva) ao samba. Sua preocupação nunca foi com a novidade ou com a negação disso, mas com a beleza, com a possibilidade que uma gravação tem de levar a mais gente a emoção de ouvir um samba bonito. Ouvir, em 2007, um samba inédito do Paulo da Portela, cantado com emoção e conhecimento de causa por dezesseis vozes é algo emocionante pra muita gente. Se é "novidade" ou não, não me cabe julgar.


Não é novidade e nem precisa ser. Acredito que esse trabalho seja mais um trabalho em favor do bom samba.


Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)

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