Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_14.htm
Divas do povo
Beth Carvalho, Lia de Itamaracá e Selma do Coco abrem programação da IV
Feira Nacional de Agricultura Familiar, que valoriza a diversidade da
cultura popular brasileira. Tudo de graça
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Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio
País com cultura musical rica e diversificada, o Brasil é um conglomerado de
ritmos, originários de diferentes regiões. Boa parte deles serão mostrados
na programação artística da IV Feira Nacional de Agricultura Familiar e
Reforma Agrária, que ocorre de hoje a domingo na ExpoBrasília, no Parque da
Cidade. Logo na abertura, às 20h, o evento promove o inédito encontro de
três grandes divas festejadas tanto aqui quanto no exterior: Selma do Coco,
Lia de Itamaracá e Beth Carvalho.
Será maravilhoso estar junto com as damas do coco e da ciranda, estilos tão
representativos da música de Pernambuco e, por extensão, do Nordeste.
Conheço bem o trabalho das duas e, se houver possibilidade, gostaria de
juntar minha voz à delas, exalta Beth Carvalho. É uma honra para mim poder
cantar com a Beth, uma das nossas maiores sambistas. Imagino que seja também
para a Selma, festeja Lia, devolvendo os confetes.
Além das três, o público poderá assistir, ainda nesta noite, a mais duas
apresentações. Uma é a de Dona Cila do Coco, artista que ganhou projeção com
a maior inserção da cultura tradicional nordestina na cena musical pop
recifense, a partir dos anos 1990. A outra, a de Dulce e Severina Barbosa,
as Filhas do Baracho, responsáveis pelo resgate do legado de Baracho, mestre
cirandeiro e autêntico brincante de Nazaré da Mata, que aprendeu a fazer
rima no maracatu rural.
Será muito bom voltar a essa feira em Brasília, onde estive no ano passado.
Com 40 anos de estrada, me sinto feliz por ver a música que faço ser bem
aceita em diferentes eventos e apreciada pelos mais velhos e pelos jovens,
comemora Dona Selma, que participa freqüentemente dos carnavais de Recife e
Olinda, e costuma cantar no festival Abril Pro Rock. Isso depois de ter o
trabalho assimilado pela turma do mangue beat.
Na Feira de Agricultura Familiar, a rainha do coco terá a seu lado o filho
Zezinho, que toca surdão. Como não poderei levar meus músicos, vou ser
acompanhada pelo grupo de Lia, comenta. No repertório que ela mostrará, não
faltarão as populares A rolinha, Jangadeiros, Lá no mar tem areia e Minha
história, que lhe rendeu o Prêmio Sharp, na década passada. Posso cantar
algumas músicas do CD e do DVD que vou começar a gravar em breve. Uma delas
é Rolinha 2, antecipa.
Foi em Vitória de Santo Antão, na região metropolitana de Recife, que Dona
Selma descobriu o coco. Lá, eu cantava de brincadeira. Depois, passei por
Mustardinha e, em seguida, me mudei para Olinda, onde moro há 45 anos, na
Rua Guadalupe, no bairro do Amparo. Aqui é que comecei na profissão da
cantadora, revela. Shows em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e em
capitais do Nordeste são freqüentes na agenda dessa senhora, conhecida
igualmente por uma risada característica, em meio à conversa e ao canto.
Reconhecimento em vida
Em turnê nacional que realizou em 1974, com passagem por Brasília (o show
foi no ginásio de esportes do Colégio Marista, na L2 Sul), o Quinteto
Violado apresentou ao Brasil uma certa Lia de Itamaracá, ao cantar: Essa
ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracá
. Hoje, a
cirandeira é referência quando o assunto é a música feita em Pernambuco.
Conhecida e aplaudida inclusive na Europa, onde excursiona desde 2000, Lia
fez a mais recente apresentação na cidade há quatro anos, como atração do
projeto Sonora Brasil, do Sesc. Depois, fui aí em 2004, para receber do
presidente Lula, no Palácio do Planalto, a medalha da Ordem do Mérito
Cultural, conta. Ela tem outro motivo para se orgulhar. No ano passado,
recebi o título de patrimônio vivo do estado de Pernambuco pelo governador
Eduardo Campos. Fiquei contente, não é, pois o reconhecimento pela
contribuição à cultura pernambucana veio ainda em vida.
A cantadora da ciranda tem apenas dois discos lançados. O LP A rainha da
ciranda (1977) e o álbum Eu sou Lia (2000). Agora, com o patrocínio da
Petrobras, vou começar a trabalhar no novo disco, que se chamará Ciranda de
ritmos e terá cirandas como Moça namoradeira (gravada por Ney Matogrosso),
Preta cirandeira, Mamãe Oxum e Quem me deu foi Lia, que só registrei no LP.
Essa é uma das minhas primeiras músicas, e a letra é da Teca Calazans,
anuncia.
Lia já recebeu Beth Carvalho em sua casa, numa época em que a cantora
carioca fazia uma pesquisa sobre ciranda e maracatu, registrada em vídeo. A
sambista fala com carinho da cirandeira. É uma pessoa doce, alegre, que
merece todas as homenagens que lhe são prestadas. Estou sempre ligada a
ritmos que fazem do Brasil uma nação com extraordinária musicalidade,
destaca.
Beth tem razões de sobra para falar assim. Seu trabalho mais recente, o
álbum duplo e o DVD com os quais comemora 40 anos de carreira, gravado no
Theatro Muncipal do Rio de Janeiro, lhe permitiu revisitar o samba carioca,
focalizando a obra de alguns dos mais importantes criadores do principal
gênero musical brasileiro de Cartola a Zeca Pagodinho, de Nelson
Cavaquinho a Arlindo Cruz, de Nelson Sargento a Almir Guineto, de Monarco a
Jorge Aragão.
O repertório desses discos dará base ao show de Beth, que fecha a primeira
noite da Feira de Agricultura Familiar. Está tudo ali. São músicas de
compositores que lancei e que hoje me chamam de madrinha, e daqueles por
quem sempre tive grande admiração. Mas é muito provável que a cantora venha
a dar uma palhinha de Samba da Bahia, disco gravado no Teatro Castro Alves,
em Salvador, que será lançado até o final do mês. No show, há a participação
de grandes nomes da música baiana, como Riachão, Caetano Veloso, Gilberto
Gil, Maria Bethânia, Ivete Sangalo e Daniela Mercury.
IV FEIRA NACIONAL DE AGRICULTURA FAMILIAR E REFORMA AGRÁRIA
Abertura hoje, às 20h, no ExpoBrasília (Parque da Cidade), com apresentações
de Lia de Itamaracá, Selma do Coco, Cila do Coco, Filhas do Baracho e de
Beth Carvalho, que comemora os 40 anos de carreira. Entrada franca.
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Programe-se
Amanhã, às 20h
Show dos grupos Metaleiras da Amazônia,
Coletivo Rádio Cipó e Cordel do Fogo Encantado
Sábado, às 20h
Show Violeiros do Brasil, com Cacai Nunes, Pereira da Viola, Zé Mulato &
Cassiano; apresentação do grupo Os Filhos da Pitangueira
Domingo, às 19h
Shows Cantos de trabalho, com Renata Mattar, Clara Bastos, Simone Soul e
Destiladeira de Fumo de Arapiraca, e Civilização e barbárie, com Ramiro
Musoto; apresentação de Vitor Ramil e Marcos Suzano
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