Hoje, em Brasília, show com Beth Carvalho, Lia de Itamaracá e Selma do Coco, evento da IV Feira Nacional de Agricultura Familiar. Em seguida, matéria sobre o evento, matéria do grande Irlam Rocha Lima, Correio Brazliense de hoje. Caio Tiburcio
Divas do povo Beth Carvalho, Lia de Itamaracá e Selma do Coco abrem programação da IV Feira Nacional de Agricultura Familiar, que valoriza a diversidade da cultura popular brasileira. Tudo de graça Irlam Rocha Lima Da equipe do Correio País com cultura musical rica e diversificada, o Brasil é um conglomerado de ritmos, originários de diferentes regiões. Boa parte deles serão mostrados na programação artística da IV Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária, que ocorre de hoje a domingo na ExpoBrasília, no Parque da Cidade. Logo na abertura, às 20h, o evento promove o inédito encontro de três grandes divas festejadas tanto aqui quanto no exterior: Selma do Coco, Lia de Itamaracá e Beth Carvalho. Será maravilhoso estar junto com as damas do coco e da ciranda, estilos tão representativos da música de Pernambuco e, por extensão, do Nordeste. Conheço bem o trabalho das duas e, se houver possibilidade, gostaria de juntar minha voz à delas, exalta Beth Carvalho. É uma honra para mim poder cantar com a Beth, uma das nossas maiores sambistas. Imagino que seja também para a Selma, festeja Lia, devolvendo os confetes. Além das três, o público poderá assistir, ainda nesta noite, a mais duas apresentações. Uma é a de Dona Cila do Coco, artista que ganhou projeção com a maior inserção da cultura tradicional nordestina na cena musical pop recifense, a partir dos anos 1990. A outra, a de Dulce e Severina Barbosa, as Filhas do Baracho, responsáveis pelo resgate do legado de Baracho, mestre cirandeiro e autêntico brincante de Nazaré da Mata, que aprendeu a fazer rima no maracatu rural. Será muito bom voltar a essa feira em Brasília, onde estive no ano passado. Com 40 anos de estrada, me sinto feliz por ver a música que faço ser bem aceita em diferentes eventos e apreciada pelos mais velhos e pelos jovens, comemora Dona Selma, que participa freqüentemente dos carnavais de Recife e Olinda, e costuma cantar no festival Abril Pro Rock. Isso depois de ter o trabalho assimilado pela turma do mangue beat. Na Feira de Agricultura Familiar, a rainha do coco terá a seu lado o filho Zezinho, que toca surdão. Como não poderei levar meus músicos, vou ser acompanhada pelo grupo de Lia, comenta. No repertório que ela mostrará, não faltarão as populares A rolinha, Jangadeiros, Lá no mar tem areia e Minha história, que lhe rendeu o Prêmio Sharp, na década passada. Posso cantar algumas músicas do CD e do DVD que vou começar a gravar em breve. Uma delas é Rolinha 2, antecipa. Foi em Vitória de Santo Antão, na região metropolitana de Recife, que Dona Selma descobriu o coco. Lá, eu cantava de brincadeira. Depois, passei por Mustardinha e, em seguida, me mudei para Olinda, onde moro há 45 anos, na Rua Guadalupe, no bairro do Amparo. Aqui é que comecei na profissão da cantadora, revela. Shows em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e em capitais do Nordeste são freqüentes na agenda dessa senhora, conhecida igualmente por uma risada característica, em meio à conversa e ao canto. Reconhecimento em vida Em turnê nacional que realizou em 1974, com passagem por Brasília (o show foi no ginásio de esportes do Colégio Marista, na L2 Sul), o Quinteto Violado apresentou ao Brasil uma certa Lia de Itamaracá, ao cantar: Essa ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracá . Hoje, a cirandeira é referência quando o assunto é a música feita em Pernambuco. Conhecida e aplaudida inclusive na Europa, onde excursiona desde 2000, Lia fez a mais recente apresentação na cidade há quatro anos, como atração do projeto Sonora Brasil, do Sesc. Depois, fui aí em 2004, para receber do presidente Lula, no Palácio do Planalto, a medalha da Ordem do Mérito Cultural, conta. Ela tem outro motivo para se orgulhar. No ano passado, recebi o título de patrimônio vivo do estado de Pernambuco pelo governador Eduardo Campos. Fiquei contente, não é, pois o reconhecimento pela contribuição à cultura pernambucana veio ainda em vida. A cantadora da ciranda tem apenas dois discos lançados. O LP A rainha da ciranda (1977) e o álbum Eu sou Lia (2000). Agora, com o patrocínio da Petrobras, vou começar a trabalhar no novo disco, que se chamará Ciranda de ritmos e terá cirandas como Moça namoradeira (gravada por Ney Matogrosso), Preta cirandeira, Mamãe Oxum e Quem me deu foi Lia, que só registrei no LP. Essa é uma das minhas primeiras músicas, e a letra é da Teca Calazans, anuncia. Lia já recebeu Beth Carvalho em sua casa, numa época em que a cantora carioca fazia uma pesquisa sobre ciranda e maracatu, registrada em vídeo. A sambista fala com carinho da cirandeira. É uma pessoa doce, alegre, que merece todas as homenagens que lhe são prestadas. Estou sempre ligada a ritmos que fazem do Brasil uma nação com extraordinária musicalidade, destaca. Beth tem razões de sobra para falar assim. Seu trabalho mais recente, o álbum duplo e o DVD com os quais comemora 40 anos de carreira, gravado no Theatro Muncipal do Rio de Janeiro, lhe permitiu revisitar o samba carioca, focalizando a obra de alguns dos mais importantes criadores do principal gênero musical brasileiro de Cartola a Zeca Pagodinho, de Nelson Cavaquinho a Arlindo Cruz, de Nelson Sargento a Almir Guineto, de Monarco a Jorge Aragão. O repertório desses discos dará base ao show de Beth, que fecha a primeira noite da Feira de Agricultura Familiar. Está tudo ali. São músicas de compositores que lancei e que hoje me chamam de madrinha, e daqueles por quem sempre tive grande admiração. Mas é muito provável que a cantora venha a dar uma palhinha de Samba da Bahia, disco gravado no Teatro Castro Alves, em Salvador, que será lançado até o final do mês. No show, há a participação de grandes nomes da música baiana, como Riachão, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Ivete Sangalo e Daniela Mercury. IV FEIRA NACIONAL DE AGRICULTURA FAMILIAR E REFORMA AGRÁRIA Abertura hoje, às 20h, no ExpoBrasília (Parque da Cidade), com apresentações de Lia de Itamaracá, Selma do Coco, Cila do Coco, Filhas do Baracho e de Beth Carvalho, que comemora os 40 anos de carreira. Entrada franca. Programe-se Amanhã, às 20h Show dos grupos Metaleiras da Amazônia, Coletivo Rádio Cipó e Cordel do Fogo Encantado Sábado, às 20h Show Violeiros do Brasil, com Cacai Nunes, Pereira da Viola, Zé Mulato & Cassiano; apresentação do grupo Os Filhos da Pitangueira Domingo, às 19h Shows Cantos de trabalho, com Renata Mattar, Clara Bastos, Simone Soul e Destiladeira de Fumo de Arapiraca, e Civilização e barbárie, com Ramiro Musoto; apresentação de Vitor Ramil e Marcos Suzano http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_14.htm _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
