Clarimundo e todos:

Um pequena provocação elucidativa. Muitos aqui têm criticado a "opção" pelo sucesso em Teresa >Cristina, como se isso significasse algo ruim ou comprometedor da qualidade de um trabalho inteiro.


Ela é a prova viva de que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Teresa Cristina vem mantendo a qualidade e a coerência de seus trabalhos independente do seu sucesso que cresce a cada dia, muito embora isso incomode a muita gente. Tem uma turma aí que queria mesmo era vê-la eternamente nos bares da Lapa, cantando para gente mal educada que nem olha para o palco, disputando a atenção do público com um prato de torresmo.


Lembro: Clara Nunes, quando morreu, era a principal cantora brasileira em termos comerciais. >Vendia e tocava mais que Bethânia, Gal, Elis, Elba etc. Clara fazia sucesso mesmo, sua morte >causou comoção nacional, rendeu homenagens em todos os cantos deste país.


Verdade. Clara Nunes foi a primeira cantora brasileira a vender mais de 1 milhão de discos. Sua morte foi uma verdadeira comoção. Quando ela morreu, estava internada numa clínica na Gávea, seu corpo teve que passar pelos subúrbios do Rio para seu corpo ser velado na quadra da Portela. Milhares e milhares de pessoas se aglomeraram nas passarelas da linha do trem para se despedir dela.



Música popular tem de tocar para todos, fazer sucesso e nào ficar trancada em bares da Lapa, >onde um pequena elite tem condições de entrar e curtir. O belo desenvolvimento da Lapa criou >uma eletização do público, porque os preços destes espaços ficaram impagáveis para a maioria. A >ilusão da Lapa como espaço alternativo para a expressão de todos acabou. Hoje,ali, reina um >grande negócio - e isso é bom e ruim. A Clara também fez pequenas concessões para atingir um tal >sucesso, para tornar-se sustentável econômicamente.


Isso é absolutamente natural, na medida em que ela foi obtendo reconhecimento a indústria foi se interessando por ela. Só quem já fez disco por conta própria sabe o quanto é difícil, isso mais cedo ou mais tarde aconteceria. Os mesmos que malham a Teresa Cristina, que fazem parte daquela turma da célebre frase do Tom Jobim - "Fazer sucesso no Brasil é uma ofensa pessoal" (algo assim) - são os mesmos que gostariam de ter a oportunidade que a Teresa e o Grupo Semente estão tendo agora. Mas isso não quer dizer que ela tenha que perder o controle da sua carreira e fazer concessões desnecessárias. Marisa Monte é um grande exemplo disso, gostemos ou não da música que ela faz. Teresa Cristina é cabeça feita, está bem cercada, teve bons exemplos, é bem formada e não vai dar esse mole prá ningupem, tenho certeza. :-)


(...)


Sonia Palhares (BsB-DF)

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