Roberto, outro equívoco dito aqui é que a Beth Carvalho é a representante do
estilo de samba feito pela turma do Cacique. Não é verdade, a Beth Carvalho
começou sua carreira em 72, gravou Mario Lago, Cartola, Nelson Cavaquinho,
gravou mais de 18 sambas dos compositores da Velha Guarda da Portela, gravou
Wanderley Monteiro, etc...E honestamente, querer questionar a qualidade, por
exemplo, de um Luis Carlos da Vila, é não saber absolutamente nada do que
seja samba e mais, samba com boas letras. Desta geração dos anos 80, Luis
Carlos da Vila e Almir Guineto irão figurar sempre na galeria dos grandes
mestres do samba.
abs.
Eduardo Martins
----- Original Message -----
From: "Roberto Ponciano" <[EMAIL PROTECTED]>
Agora, a mensagem vai...
Vixe, não vou entrar neste sururu não, mas, putz grilo, já estão criticando
cantor porque ele não é SIMPÁTICO? Ou porque a opinião dele não agrada...
Vixe... cada vez mais isto parece uma lista de patrulhamento...
Se não fosse a geração de 80, hoje as rocks estariam tocando rock, punk e
rave, somente.
Qual foi o grande pecado da geração de 80?
Não tinha o apadrinhamento de intelectuais?
Não agradou a academia?
A geração de sambistas de raiz, como Candeia, Cartola, Zé Keti, etc, só
passou a ter validade depois que a geração politizada de 64 redescobriu o
valor do samba do morro como "música de protesto".
A geração de 80 não teve a benção de Affonso Romano de Santana ou de José
Ramos Tinhorão?
E daí?
Não agrada os puristas que escutam "samba de verdade" em vinis de 78
rotações cheio de ruídos e lamentam o fim dos LPs...
Pena que o samba virou mercadoria, gritam os puristas!
Bom era o tempo em que os sambistas vendiam um samba por 10 merréis para
comer e as gravadoras ganhavam fortunas às custas deles...
O samba sempre foi mercadoria de consumo, o problema é que o sambista não
recebia nada por ele.
O sambista é um trabalhador da arte e tem que ser remunerado, e muito bem,
para isto.
A qualidade do samba que ele faz, aí é outra história, não existe uma
ligação direta entre a quantidade de grana que ele recebe e a qualidade do
samba que ele faz.
Pode morrer miserável fazendo bom samba. Como Nélson e outros, o que é
lamentável.
Mas pode enriquecer também, e isto não é "pecado".
Chico e Tom Jobim não deixaram de ser bons músicos por venderem bem e
viverem vida de classe média alta com suas músicas.
Há um amargor e um ranço contra uma geração que, se não tiver tido os mesmos
méritos de Cartola, Noel, Nélsos (e realmente nenhum sambista da geração de
80 alcançou vôos tão altos), fizeram bons sambas e tinham uma proposta
coerente de resistência cultural, o próprio Cacique de Ramos, o renascimento
do bom samba de quadra nele, tinha um objetivo concreto, resistir ao Pop
Rock da década de 80, o que até certo ponto eles conseguiram, aos contrários
dos puristas que ficaram em casa escutando a primeira gravação de Pelo
Telefone...
Como dizia o hino desta geração, generosamente apadrinhada por Beth
Carvalho.
Podemos sorrir, nada mais nos impede, não dá para fugir
Desta coisa de pele
Sentida por nós
Desata nos nós
Sabemos agora
Nem tudo que é bom vem de fora...
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