Marcelo, você não me compreendeu. Concordo com quase tudo que você
falou. Sem dúvida, a sonoridade de um Do Souto ainda é única, são
instrumentos de excelente qualidade sonora. Acontece que a fabricação
desses instrumentos não é mais feita por um único luthier do início ao
fim. E assim como os cavacos do Carlinhos, eles são produzidos
aleatoriamente e colocados na loja para venda. Talvez devesse ter
negritado as aspas no "em série".
Sempre visito a Ao Bandolim de Ouro quando vou ao Rio e nos últimos anos
tem sido raro encontrar um instrumento bem feito. No geral,
eles têm sido fabricados com muito pouco capricho e são comuns os
relatos de problemas na estrutura do instrumento. Ainda mais aqui em
Brasília com o clima traiçoeiro do Planalto Central.
Eu mesmo tenho um Do Souto de faia, som impecável, não troco por nenhum
outro cavaco (a não ser no dia que eu encontrar um do silvestre). Mas já
descolou o cavalete e o tampo, semana passada levei para colar a junção
da mão do cavaco que estava começando a abrir. E olha que sou fresco com
o instrumento. Nunca deixo no carro, nos dias mais secos coloco no
banheiro... Enfim, sou só mais uma prova de que o capricho na fabricação
dos Do Souto anda esquecido.
Quanto a falhas no acabamento, pode até ser difícil de encontrar. As
falhas que tenho visto são estruturais mesmo. Coisas como colar as peças
sem a umidade correta, economizar cola, fazer as coisas com pressa. A
qualidade dos cortes das madeiras também não anda lá essas coisas. O
problema não é o lado de fora, mas o lado de dentro do instrumento. Isso
é muito mais importante que o acabamento.
Os instrumentos do Carlinhos pecam pelo mesmo problema da falta de
capricho, além da escolha das madeiras que não me agrada muito. Em
termos de sonoridade é muito semelhante ao JB, mas em termos de
acabamento, qualidade das madeiras e garantia eu fico com o último.
Estou falando do modelo top de linha do JB, pois já vi outros modelos
que pecavam muito em alguns aspectos. Agora, tô contigo, não troco Do
Souto por nenhum outro em termos de sonoridade.
Ps.: Nem vou comentar daqueles pedaços de compensado que você citou e
que o MS insiste em usar.
Aquele abraço,
Gabriel Gomes
Marcelo Neder escreveu:
Gabriel, não me leve a mal. Mas as marcas que vc citou pra dizer que
dão dor de cabeça em série, não procedem. Se vc tivesse dito algo como
Rozini e Gianini, tudo bem. Mas Do Souto?!!!! Tá legal depois de
Silvestre a Do Souto não foi mais a mesma. Parece que, via de regra,
os intrumentos têm que vir com uma falhazinha no acabamento - um erro
de simetria aqui, uma roseta com falha acolá e por aí vai - mas a
sonoridade dos Do Souto - na minha opinião - dão pau ou pelo menos se
igualam a qualquer instrumento de ponta. Não precisa ser expert em
história musical pra ver a tradição que os Do Souto tem entre os
chorões. 90% das fotos antigas tem violões de 7, cavaquinho e bandolim
com aquela mão com uma faixa amarela na ponta (marca registrada Do
Souto...). Waldir Azevedo, Dino 7 Cordas, etc... Repito: claro que a
qualidade do acabamento caiu. Mesmo assim isso não chega a ser uma
característica gritante. Tem comunidades no orkut, em que neguinho
debate justamente esse tema exaustivamente, e dizem (não confirmo,
pois estou em Salvador e ainda não fui na Bandolim de Ouro conferir)
que é raro vc encontrar um instrumento com falha no acabamento hoje em
dia. Meu cavaquinho mesmo é um Do Souto modelo de cedro (o mais
barato). Acabei de trocar o braço depois 16 anos tocando quase todos
os dias sem desafinar as cordas. Não tem top de linha que resista a
esse desgaste. DEZESSEIS ANOS!!!! Nem a televisão que os nossos
japoneses são mais inteligentes que os outros cobre essa garantia!
Quanto ao Carlinhos Luthier, já ouvi muitos relatos de cavaquinhistas
de renome a seu favor. Eu não toquei, portanto não conheço. Mas pelo
que ouvi falar são instrumentos feitos com um nível excepcional de
acabamento e sonoridade. Eu o colocaria pau a pau tranquilamente com o
JB se o som me agradar. Trabalhei dois anos como assistente de um
luthier e tenho o olhar apurado (chato, seria a palavra mais correta)
para acabamentos e falhas na construção, e pelo que vi nas fotos os
"Carlinhos" não ficam atrás em acabamento do JB. Outra coisa não troco
nenhum Do Souto engrongadinho pelo melhor Super-Luxo JB. O som é mais
importante. E nisso o Do Souto é sem sombra de dúvida, superior. Essa
é a minha opinião.
Pior é o Mário Sérgio ficar fazendo Jabá com um cocozinho com o nome dele.
Abs
Marcelo Neder
*/Gabriel Gomes <[EMAIL PROTECTED]>/* escreveu:
Bom, tudo depende...
Depende do modelo que você vai escolher. O Carlinhos tem vários
modelos
com várias combinações de madeiras. Não sei qual a faixa de preços
praticada, mas não acredito que sua série de luxo seja melhor que um
modelo "super-clássico" do JB. De qualquer forma, o Carlinhos só faz
instrumentos com braço em cedro, que não é considerada a madeira
ideal.
Minha dica é a seguinte. Se você está atrás de um cavaco
definitivo, e
estiver disposto a pagar uma quantia razoável por ele, vá atrás de um
(ou mais) luthier de confiança e converse com ele, pergunte tudo que
precisar, conheça outros instrumentos feitos por ele, e quando
estiver
satisfeito mande fazer um pra você. Isso vai evitar muita dor de
cabeça
que você teria com esses modelos produzidos "em série" como os do
Carlinhos e Do Souto.
É isso.
Aquele abraço,
Gabriel Gomes
Marcelo Neder escreveu:
> Ainda não tive a oportunidade de tocar um Carlinhos Luthier, mas
ele possui boa reputação entre os cavaquinhistas. Dizem que é
similar ao JB.
>
> O que deve ser verificado é:
> Primeiro: O som satisfaz as suas exigências pessoais (Tanto o
timbre, quanto o volume)?
> Segundo: O acabamento é impecável?
> Terceiro: Cabe no seu orçamento?
>
> Enfim, a ordem do produto não inverte os fatores (rsrssr)
>
>
> Abs
>
>
> Marcelo Neder
>
>
>
> leonardo carvalho gomes escreveu:
> Me ofereceram um cavaco carlinhos luthier, queria saber se é um
cavaco de boa qualidade pois não tinha ouvido falar ainda? obrigado
>
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