From: [EMAIL PROTECTED]: [EMAIL PROTECTED]: A delicadeza da Lapa (Revista Cult)Date: Tue, 16 Oct 2007 23:26:12 +0300 A delicadeza da Lapa (Revista CULT) Fonte: http://revistacult.uol.com.br/website/ Por Luísa Pécora A rainha da Lapa. É assim que Beth Carvalho define a cantora Teresa Cristina, 39 anos, um dos grandes nomes da nova geração do samba carioca. Afinal, f oi se apresentando em um extinto bar do bairro, o Semente, que Teresa começou a conquistar o público, há quase dez anos. Hoje, ela continua na estrada ao lado de Bernardo Dantas, João Callado, Pedro Miranda e Mestre Trambique, que formam o Grupo Semente. Em outubro, todos eles se apresentam no Teatro FECAP, em São Paulo, para o lançamento do quarto CD de Teresa, Delicada. Nessa entrevista, a cantora elogia o público paulistano, conta histórias de seus shows no exterior e revela que ainda precisa lidar com a timidez e o nervosismo antes de subir no palco. CULT - Como você chegou ao Bar Semente, onde começou sua carreira? Teresa Cristina - Foi tudo muito repentino. Eu estava fazendo uma pesquisa sobre o [sambista portelense] Candeia e passei a freqüentar os shows da Velha Guarda da Portela. Quem me indicou para cantar na Lapa foi o Paulão 7 Cordas. Na primeira noite o público foi de apenas vinte pessoas, mas entendi que o Bar Semente era um lugar no qual eu poderia ensaiar as músicas do Candeia e cantar o que eu gostasse, como as canções de Clara Nunes, Alcione, Beth Carvalho, além de coisas da minha infância. Nessa época, a Cristina Buarque me deu fitas de samba de terreiro, que enriqueceram muito o meu repertório. Já o Pedro Miranda, que tocava na Lapa comigo, conhecia muito Noel Rosa e Wilson Batista, então a gente acabou criando um repertório com a nossa cara. Ao mesmo tempo, a Lapa foi crescendo, mais casas de show foram abrindo, e o Semente ficou pequeno. Eram 100, 120 pessoas toda noite. Depois de algum tempo eu fui cantar em outros lugares e o Semente fechou. CULT - Sendo tão identificada com a cena carioca, como é tocar em São Paulo? T.C. - Eu gosto muito, porque o público paulistano sempre foi muito carinhoso comigo, desde o primeiro disco. Não sei até que ponto a frase do Vinicius de Morais de que São Paulo é o túmulo do samba mexeu com os paulistas, mas hoje tem gente de São Paulo levando samba para os cariocas. O que tem de grupo paulista de samba é um absurdo, e é um fenômeno que está se espalhando pelo Brasil. É muito legal perceber que todos os lugares têm samba, cada um com o seu sotaque, a sua assinatura. CULT - Em 2008 você comemora dez anos de carreira. De lá para cá, o que mudou? T.C. - Estou mais desinibida. Sempre tive muita timidez. Foi difícil aceitar o palco, pois tive uma vida normal até os 30 anos e depois virei artista. As pessoas ficam olhando, e tem sempre o nervoso e a insegurança, pois o Brasil é o país das cantoras. Agora, com quase dez anos de estrada, estou perdendo a vergonha, mostrando meu lado autoral e tendo coragem de cantar músicas como "Gema" e "Carrinho de Linha", que eu só cantava sozinha. Chegou a hora de perder a vergonha. CULT - Aliás, porque você quis regravar essas canções no álbum Delicada? T.C. - Eu sempre cantei "Gema", do Caetano Veloso, em casa. Ouvi pela primeira vez nos anos 80, e sempre foi aquela música que eu colocava pra ouvir enquanto fazia faxina [risos]. Quando estava começando a trabalhar no disco, fui apresentada ao Caetano no Circo Voador. Eu tinha lido no jornal que ele estava fazendo samba, então aproveitei para dizer que gostava muito do trabalho dele e que ficaria feliz se ele tivesse uma canção para me dar. Ele disse que ia pensar, mas logo depois entrou na turnê do Cê, que é um disco maravilhoso de rock. Então eu pensei: "não vou incomodar o cara com samba, né?". Porque eu não sou amiga dele, não tenho o telefone dele. Então resolvi gravar o que eu já conhecia. E gostei muito, pois misturei macumba, samba, tambor e tamborim. CULT - E "Carrinho de Linha", do Walter Queiroz? T.C. - "Carrinho de Linha" eu comecei a cantar quando era criança. Na época, eu adorava imitar a Fafá de Belém, e ela cantava essa música. No ano passado, fiz um show no Pelourinho e um compositor veio me dar um disco autografado de presente. Eu estava indo viajar, então falei com ele bem rapidamente. Quando cheguei em casa, vi que o compositor era o Walter. Fiquei com uma vergonha do tamanho do mundo. Como eu encontro esse cara e não falo que ele foi um dos primeiros compositores que eu conheci na minha vida? Fiquei com essa gratidão contida, e a melhor forma de agradecer um compositor é lembrar de sua música. "Carrinho de Linha" caiu como uma luva porque é uma homenagem ao Walter e à Fafá. É engraçado: quando comecei a cantar, todos os jornalistas perguntavam quais eram as minhas influências, mas para uma pessoa nova é difícil entender o que é influência. Eu sempre me atrapalhava com essa pergunta, mas acho que a Fafá foi uma referência muito forte. Se eu imitava essa mulher com seis anos, alguma coisa que ela fazia me tocou. CULT - É comum você se emocionar nos shows da turnê Delicada, sobretudo ao interpretar as canções "Saudade de Você" e "Fim de Romance". Você também está perdendo a vergonha de demonstrar as suas emoções no palco? T.C. - Sim, mas tenho que dosar a emoção, porque quando eu choro durante uma música, a emissão da voz cai quase 80%. É preciso ter um meio-termo entre se emocionar e tentar cantar bem. É claro que também tem a coisa de estar lançando um disco novo em uma gravadora nova. Como pisciana, fico muito ansiosa. É estranho trabalhar a ansiedade, a emoção e o nervosismo, mas estou melhorando. Antes eu só relaxava no bis. Quando eu começava a aproveitar, o show acabava. CULT - Você está começando uma carreira internacional. Como está sendo essa experiência? T.C. - Esse ano eu viajei muito. Fui para Espanha, Índia, Holanda e México, e depois de São Paulo vou para a Itália. Espero conseguir lançar o disco no México, por exemplo, onde o show foi muito bacana e houve muita receptividade. Também gostei da Holanda e da Índia, que são países completamente opostos. A Índia é um país muito religioso, muito pobre materialmente, com muitas questões que eu desconheço, como o regime de castas e as diferenças entre homem e mulher. A Holanda é um país onde as pessoas são magras, loiras, ricas. Não vi pobre, não vi gente pedindo esmola, e isso até me incomodou um pouco, porque parecia um país de mentirinha. E em ambos os países os shows foram muito alegres. Fazer um indiano dançar não é fácil, mas eles se descontraíram do jeito deles, balançando a cabeça, o que segundo me disseram é como se estivessem sambando com o corpo inteiro. Em Amsterdã o pessoal até subiu no palco, sem clima de confusão e sim numa comunhão gostosa. O holandês é como o brasileiro: pega intimidade rápido. Receba GRÁTIS as mensagens do Messenger no seu celular quando você estiver offline. Conheça o MSN Mobile! Cadastre-se já! _________________________________________________________________ Conheça o Windows Live Spaces, a rede de relacionamentos conectada ao Messenger! http://spaces.live.com/signup.aspx_______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
