Sons tipo exportação


A música brasileira se fortalece entre os produtos que a Embratur e o 
Ministério do Turismo divulgam no exterior. Iniciativa favorece até os 
brasilienses do Clube do Choro

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Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio

Paulo de Araújo/CB


Houve tempo em que os maiores atrativos brasileiros no exterior eram os shows e 
eventos que colocavam em destaque o rebolado de mulatas em trajes sumários. Uma 
mudança radical tem ocorrido ultimamente a partir de programação elaborada pela 
Embratur, que abre espaço nas feiras internacionais para um dos nossos melhores 
produtos de exportação: a música popular de qualidade.

Essas feiras se transformam em palcos para a apresentação do trabalho de grupos 
de diferentes estilos, que exibem a diversidade da cultura popular brasileira, 
com o sotaque regional característico. Por decisão política, países da América 
Latina têm sido o destino preferencial dessas caravanas – embora haja projetos 
para levá-las também ao continente africano.

“Com a criação do Ministério do Turismo, a Embratur passou a cuidar 
exclusivamente da programação voltada para o mercado internacional. Nas feiras, 
realizadas em várias partes do mundo, a música popular brasileira, o artesanato 
e a culinária são acolhidos com interesse e admiração pelo público”, afirma 
Maria Katavatis, gerente geral de eventos promocionais e feiras da Embratur.

Em diversas regiões do mundo, a instituição tem os Escritórios Brasileiros de 
Turismo, que se encarregam de identificar oportunidades de divulgação da 
cultura do país – e a nossa música freqüentemente é incluída nessas ações. Não 
há uma diretriz específica em relação aos ritmos que mereçam ser divulgados, 
embora a bossa e o samba tenham destaque.

A seleção dos artistas e gêneros depende das demandas e da receptividade do 
público de cada país. “Os músicos participam das feiras depois de serem 
avaliados e chamados pela Embratur, que leva em consideração critérios como 
qualidade e singularidade da obra”, continua a gerente.

Partiu dela, apreciadora do chorinho, o convite para que o grupo brasiliense 
Choro Livre viesse a se apresentar em feiras realizadas em Montevidéu 
(Uruguai), em 2005, e Lima (Peru), no primeiro semestre de 2006. No dia 19 
próximo, Henrique Filho (bandolim), Henrique Neto (violão de sete cordas), 
Rafael dos Anjos (violão), Márcio Marinho (cavaquinho) e Antônio Afonso 
(pandeiro) vão tocar na 11ª Feira Internacional da Argentina, em Buenos Aires.

“Temos viabilizado a participação em feiras não apenas de artistas renomados 
nacionalmente, mas também de novos talentos, como o pessoal do Clube do Choro 
de Brasília. A música passou a ter um grande destaque nessas promoções”, 
comenta Maria. “Em 2008, quando a bossa nova comemora 50 anos, vamos buscar 
divulgá-la ainda mais no exterior.”

Choro e bossa
O Choro Livre se antecipa – e, no show que fará na capital argentina, vai 
incluir em seu repertório standards bossa-novistas. “Nas apresentações que 
fizemos nas feiras em Montevidéu e Lima, percebemos que as diferentes vertentes 
da MPB são muito apreciadas. A obra de Tom Jobim é conhecidíssima. Por isso, 
nessa investida na Argentina, vamos acrescentar alguns clássicos da bossa nova, 
em especial canções do compositor carioca”, comenta Henrique Filho, o Reco do 
Bandolim.

Nos dias 2 e 3 últimos, o Choro Livre esteve em Buenos Aires, com o apoio do 
Itamaraty. “Participamos do Mês do Brasil na Argentina. A programação musical 
contou com grandes instrumentistas nacionais, como Jacques Morelenbaum, Lula 
Galvão e o Trio Madeira Brasil. Fomos aplaudidos de pé e o ministro Rodrigo 
Baena, coordenador do evento, nos convidou para voltar no próximo ano”, 
continua Reco do Bandolim.

De acordo com José Mário Ferreira Filho, chefe da Divisão de Operação e Difusão 
Cultural do Itamaraty, a função primordial do órgão é expandir a cultura 
brasileira no exterior. “Fazemos isso de forma sistemática, a partir de um 
elenco de propostas de atividades elaborado por nossas embaixadas e consulados 
em diversos países. Obviamente, o atendimento depende dos recursos de que 
dispomos”, explica.

“Exemplo recente foi a solicitação feita por nossa embaixada em Buenos Aires, 
para a participação de artistas brasileiros no Mês do Brasil na Argentina. 
Atendemos prontamente e lá estiveram vários músicos, inclusive o grupo do Clube 
do Choro”, lembra José Mário. O Itamaraty dispõe de um arquivo com nomes de 
artistas e grupos que desejam participar de eventos internacionais com apoio do 
Ministério das Relações Exteriores – nele, se destacam artistas ainda pouco 
conhecidos aqui e no exterior. A seleção dos músicos que tomarão parte nesses 
eventos pode ser feita a partir desse acervo, mas também há casos em que as 
embaixadas pedem um nome específico.

Quem também contou com o apoio do Itamaraty foi o Choro & Cia., que esteve no 
25º Festival de Medina, em Tunis (capital da Tunísia, no norte da África). O 
grupo brasiliense é formado por Fernando César (violão de sete cordas), Pedro 
Vasconcellos (cavaquinho), Amoy Ribas (pandeiro) e Ariadne Paixão (flauta). “A 
apresentação no festival, no dia 8 último, foi a convite da embaixada 
brasileira. Se não tivéssemos as passagens e a estadia pagas pelo Itamaraty, 
não poderíamos ter levado nossa música até lá. Depois, nos dias 10 e 11, 
tocamos em Argel e Boumerdes, na Argélia”, relata Fernando César, irmão do 
bandolinista Hamilton de Holanda.

Para ele, a ida ao continente foi de grande importância. “Além de poder mostrar 
a música brasileira para os africanos, tivemos a oportunidade de trocar 
experiências com músicos da região, que nos procuraram depois do show em 
Boumerdes, uma cidade onde vivem muitos artistas. Nossas apresentações foram 
programadas pela própria embaixada, que nos deu fundamental apoio logístico”, 
reconhece o violonista.


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Homenagem a Pixinguinha

Recentemente, entre os dias 4 e 7, o grupo brasiliense Choro Positivo se 
apresentou no 18º Festival Internacional de Música de Pulso e Pua, ocorrido em 
La Coruña, na Espanha, que, na edição deste ano, homenageou o genial músico e 
compositor brasileiro Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha. O encontro 
é promovido por Rosa Gonzales, da Agrupación Musical de Albeniz, que tem 
profunda admiração pela música brasileira.

Integrado por Carlinhos Sete Cordas (violão), Evandro Barcellos (cavaquinho), 
Léo Benon (cavaquinho centro) e Marcelo Sena (pandeiro), o Choro Positivo 
viajou com o apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. “Participamos 
desse festival desde 2004, com o patrocínio do Ministério da Cultura. Desta 
vez, foi a Secretaria de Cultura que viabilizou a nossa ida”, revela o produtor 
Ruy Godinho.

“Foram conosco, também, a cantora Sandra Dualibe, o violonista Henrique Neto e 
a percussionista Amanda Costa. É da maior importância podermos levar a outros 
países a música que é feita em Brasília. Na Espanha, tivemos ótima acolhida do 
público e da crítica”, comemora. “Depois do festival, o Choro Positivo se 
apresentou em Madri, enquanto Sandra, Henriquinho e Amanda foram até Portugal e 
fizeram show em Lisboa.”

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Música e filmes nas feiras e na internet

Mariana Ceratti e Ricardo Daehn
Da equipe do Correio
Pena Filho/Divulgação

O que têm em comum o violonista gaúcho Yamandú Costa e o grupo pernambucano 
Siba e a Fuloresta do Samba? Ambos são destaques da edição 2007 da The World 
Music Expo (a Womex), que começou na última quarta-feira e termina neste 
domingo em Sevilha, na Espanha. Yamandú tocou na tarde de quinta; Siba tem 
apresentação marcada para hoje. A feira dá visibilidade a um terceiro trabalho 
institucional de divulgação da música brasileira, realizado em parceria entre a 
Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (a Apex, ligada ao 
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e a Brasil Música 
e Artes (BM&A), associação que reúne artistas, gravadoras e produtores, entre 
outros participantes do mercado fonográfico.

No estande montado na feira espanhola, Apex e BM&A pretendem mostrar que as 
criações brasileiras não são apenas ricas e diversificadas – também podem gerar 
recursos e reconhecimento para o país. “A música posiciona o país lá fora como 
criativo, inovador, com um conjunto de atributos que abre portas para a venda 
de outros produtos”, destaca Christiano Braga, gestor de projetos da área de 
serviços e entretenimento da Apex. Dados da agência revelam que a música 
brasileira movimenta US$ 4,43 milhões (quase R$ 8 milhões) por ano. Pode render 
mais ainda – e, para isso, as duas instituições apostam em um modelo de 
negócios voltado para a distribuição da arte na internet.

Um dos principais esforços nesse sentido tem sido o de abrir espaço para a 
música brasileira nas páginas mais conhecidas de downloads legalizados. “Em 
muitos desses sites, como o iTunes (o mais importante do gênero), os artistas 
nacionais entram na classificação latin music (música latina) junto com Shakira 
e Julio Iglesias, que não têm nada a ver conosco. Misturados dessa forma, 
acabam perdendo a chance de aparecer nas listas dos mais ouvidos e baixados”, 
explica o irlandês David McLoughlin, gerente da BM&A. A associação já assinou 
parceria com a página All Music Guide, para separar a música brasileira da 
latina. O site não só oferece downloads, como provê informações sobre nomes de 
artistas e álbuns nos computadores com o software Windows Media Player. O 
projeto da Apex e da BM&A tem orçamento de R$ 5,042 milhões até o final de 2008.

Além do estímulo ao segmento musical, a Apex vem se firmando no ramo 
audiovisual, em projetos que começam a apresentar êxito financeiro. Ainda que a 
diversificação de parcerias, ocasionalmente, comprometa parte de eventos 
importantes, como o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, a injeção 
gradual de R$ 5,5 milhões vem resultando em saldos animadores. Sem favorecer um 
grupo ou empresa, o contrato com o Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado 
de São Paulo já gerou, em um ano, US$ 88 milhões (aproximadamente R$ 158,4 
milhões).

A atuação com o sindicato mais representativo do setor, prevista para se 
estender até 2009, animou 80 empresas de mais de 25 países. A iniciativa prevê 
arranjos de co-produções e venda de serviços nacionais da área para equipes 
estrangeiras que filmam no Brasil. Os acordos de co-produção representam a 
maior parcela dos rendimentos, com volume de quase US$ 78 milhões (R$ 140,4 
milhões, aproximadamente). Recentemente, o programa de apoio exportações formou 
uma missão comercial de 10 empresas nacionais, que participaram do Festival de 
Toronto. Os próximos mercados a serem explorados estão nos festivais 
internacionais de Roma e de Madri.

http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_115.htm



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